babywearing

dias da loja

A pretexto de uma linda dupla que passou hoje pela loja:

Licia Ronzulli, eurodeputada italiana, foi uma das imagens do dia de ontem por ter levado a sua filha de um mês para o parlamento como forma de chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas mulheres europeias que tentam conciliar maternidade e uma carreira profissional. Read more →

elas

meus amores

meninas

De volta às aulas, a E. chega a casa com a triste notícia de que os cromos já não estão na moda (e agora com quem é que ela vai trocar os repetidos?). Parece que o que está a dar nesta rentrée são umas borrachas peganhentas coleccionáveis cuja utilidade ainda não conseguimos apurar. Instalada uma nova moda, as brincadeiras das modas anteriores (no ano passado que me lembre foram os berlindes, a corda de saltar e os cromos) são proscritas e os seus adeptos, repreendidos. Não é fácil ser um fora-da-lei no recreio.

A fotografia de cima é da avó.

mais taleigos

maria joão

da maria joão

Pensava eu que tinha uma grande colecção de sacos de retalhos até a Maria João Petisca me vir visitar. Mostrou-me os dela, recuperados das arcas da família da zona da Chamusca, feitos pelas mulheres da geração da mãe e da avó da sua avó. Grandes, pequenos, de um tecido só ou de dezenas deles, rotos e por estrear, ainda com a goma original sobre os estampados, cada um mais lindo do que o anterior. Tantos que pôde dar-se (e muito bem) ao luxo de transformar um deles numa saia absolutamente invejável. Aqui ficam imagens de alguns, para público deleite. Obrigada Maria João! Read more →

insectos em ordem

insectos em ordem

insectos em ordem

À entrada da exposição cada visitante escolhe um dos muitos insectos disponíveis (são insectos verdadeiros – baratas incluídas -, conservados numas placas transparentes que se levam na mão). A seguir, a visita consiste em escolher um percurso consoante as características desse insecto. Cada opção feita aponta para um caminho marcado no chão e cada caminho conduz a um novo momento de análise e escolha, chegando-se finalmente ao apuramento da ordem a que ele pertence. Na primeira visita cada uma pediu para ir buscar mais um insecto, e depois outro, e só viemos embora porque tinha mesmo de ser. Já regressaram com os avós e querem voltar a ir. Recomendamos vivamente (entre outras coisas, aprendi que a estranha cigarrilha que vi na serra é um Neocallicrania miegii, parente dos gafanhotos). Read more →

sacos
Da zona de Tomar, feito pela avó da Renata em riscados de algodão.

sacos
Comprado pela Inês na feira da ladra (tem entre alguns retalhos os biquinhos que só costumam aparecer em redor das peças)

sacos
Feito em Trancoso pela avó da Patrícia.

São como a maçã que nas histórias os meninos levavam à professora, os sacos que tenho a sorte de ver quando há workshop. Fotografo-os, tento saber de que parte do país vieram, quem os fez, e perceber pelos tecidos de quando são.

povo

POVO

POVO

A ver no Museu a Electricidade só até dia 19, POVO. Exposição-instalação de autor(es) e não uma abordagem histórica, é um percurso cuidadosamente pensado e recheado de surpresas (para mim, pelo menos): as lindíssimas fichas do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa, o inesperado destaque à obra de Eduardo Nery, uma colecção inteira de figurinhas de madeira de TOMRead more →

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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