à princesa

carnaval

A educadora da E. acha que eu sou fundamentalista, mas não é verdade. Eu sou é activista anti gordura hidrogenada, aditivos na comida e piroseira indiscriminada. E (também) não sou grande adepta do Carnaval escolar. No ano passado foi assim (o que ela cresceu!) e este ano também consegui não complicar mais do que o necessário, ou seja concentrar-me no que ela quer e a faz feliz – verniz para as unhas – e não no que é que as outras crianças vão vestir. Meio metro de cetim digno das marchas de Lisboa transformado ontem a desoras num manto, três pedras preciosas cosidas ao vestido de veludo, uma tiara et voilà. Era mesmo isto que eu queria, mãe. Era mesmo isso que eu queria ouvir, filha. Mas eu gosto é das máscaras que ela inventa.

22 comments » Write a comment

  1. Também eu prefiro as máscaras que fazem e usam em casa. Mas, tal como eles, também eu tinha vergonha de ir “à trapalhona” para a escola. Acho que tem a ver com o “reconhecimento”. Se os outros percebem do que vamos vestidos, ficamos contentes. Se não, ficamos desiludidos, a pensar que aquela máscara não serve para nada. Eu consigo adivinhar do que se mascaram quando se mascaram em casa, mas é porque falamos todos mais ou menos a mesma língua. Na escola não iam perceber o que é um “polícia trapalhão com asas de borboleta anã” ou algo do género que eles inventam. E aposto que grande parte dos miúdos (os que ainda têm tempo para se mascarar e brincar em casa…) são iguais.

    Não tem mal nenhum. Faz parte do que é o privado e do que é o público (isto para falar à sociólogo de telejornal).

    Ela foi de chinesa/japonesa, e ele de chefe índio. Foram imediatamente reconhecidos como tal, integraram-se no meio das princesas, zorros, cowboys, peter pans, chinesas e bruxas e desfilaram para todos os pais verem. Alguns iam muito engraçados; um ia de frango assado com um prato feito de espuma e tecido e batatas e ervilhas em cima (tinham de o levar em ombros). Os de 7 ou 8 anos adoram ir de jogadores de futebol, de maneira que havia não sei quantas camisolas com publicidade à PT ou telecel ou vodafone ou lá o que é.

    Os meus, do que mais gostaram, como sempre, foi das pinturas na cara e do penteado que eu lhe fiz (ela).

  2. Só podia ser mesmo o que ela queria!

    Está linda :)

    Que belo fato!

    (mas eu também não sou nada fã do Carnaval, e estou muito contente de pela primeira vez em muitos anos conseguir estar imune à quadra!)

  3. Eu tal como a Marta do 1º comentário tambem prefiro os disfarces arranjados lá por casa, hoje ela tambem foi de chinesa e ele de pirata tudo com roupa deles decorada com uma ou outra coisita- remendo, missanga ou qq outra coisa cosida. depois com uns acessorios comprados, um chapeu, umas meias ás riscas, um lenço ás bolas etc. lá se consegue uma fatiota muito mais gira e engraçada do que aquelas que hoje em dia se vendem por todo o lado. Também eles contentam-se com qq coisa desde que se divirtam.bjs

  4. …Post fabuloso como sempre…aliás!

    A fogueira de vaidades dos paizinhos muito empenhados em que os seus “principes” sejam o centro das atenções, os mais que os mais…enerva-me e tira-me do sério!

    Pior, pior é a promoção da competitividade, baseada no poder económico, ou na vontade, em que se fomentam coisas como deslfiles, corsos ou concursos, apenas para fausto e gaúdio dos progenitores!

    Não será muito mais motivante e gratificante (deixando de ladoos argumentos mais elevados como a pedagogia e a didática), ajudá-los a reclicar materiais e fazerem eles póprios a sua máscara?! Até subordinada a um tema, por exemplo?…Mas eu devo ser, juntamente com algumas de vós, um ser de outro planeta…

    Desgraçadamente, no caso do meu filho mais velho (3 anos), não vejo grandes hipoteses de aceitação inter pares…

  5. E que bonita ia a princesinha E. e que crescida que ela está.

    Linda, linda, linda…

    ;)

  6. …Esqueci-me do mais importante…

    A E. está linda! Uma “principessa” linda! Mas mais que isso, ela parece assumir integralmente as personagens que “veste”! ´

    A fotografia está fantástica…

  7. A tua linda está “uma verdadeira princesa”! Bonita e personalizada! LOl Aqui o Benjamim vai de cozinheiro! hehe, um destes “dias” será ele a pedir o mote…

    O Benjamim gosta de iogurte simples, sem açúcar. Apesar da indicação na escola, às vezes lá vai um iogurte satandard com açucar branco! O açúcar (refinado), o sal e os fritos nas crianças, não só fazem mal instantaneamente, como alteram a aprendizagem do sabor natural dos alimentos. Activista, sim.

    Beijinhos.

  8. E o gozo que dá imaginarmos e construirmos o disfarce. Já foram caracóis com cascas feitas com os rolos de tapar as frestas das janelas cosidos a suspensórios e chapéus de palha com pauzinhos ao sol, cavaleiros simplesmente montados em cavalos de pau, speedy gonzalez com um lenço amarelo no pescoço, um velho chapéu de mexicano e uma longa cauda, pedreiros de jardineiras e ferramentas nos bolsos, ciclistas com o capacete e as protecções que quase só eles usavam na época e claro, sem faltarem as argolas a prender as calças.

    Este ano decidiram aproveitar e ficar a manhã na cama a preguiçar e a tarde a preparar as mochilas para o acampamento de escuteiros que começa amanhã e vai até terça. Partem os três. A casa fica tão silenciosa que nem parece nossa.

  9. A princesa está linda, mas amei “as máscaras que ela inventa”.

    Quanto ao demais, o teu post está muito interessante (bem como alguns dos anteriores comentários), mas ainda não me debrucei muito sobre esta questão (a Matilde é pequenina :)).

    De qualquer forma, se por um lado me parece um nítido exagero e muito pouco interessante gastar muito dinheiro em disfarces pre-aquiridos, por outro não quero que a minha filhota se sinta infeliz e desajustada na escola.

    Por isso, provavelmente (como tu aliás pareces ter feito), vou tentar arranjar uma solução de meio termo e equilíbrio.

    Bom fim de semana:)

  10. Muito gira a “princesa ervilha”!!!

    Este ano uma das nossas “tias” ofereceu uma prenda de Natal do mais útil (a pensar no carnaval): um avental, um chapéu e uma luva de cozinheiro.

    E lá foi a G. muito simples, de branco por baixo, loira com um bigode francês, a destoar da chuva de noddys, bobs construtores e sei lá mais o quês deste ano :-)

    *

    MJ

  11. Para se inventar brincadeiras é preciso deixar algum espaço á imaginação. Se já está tudo feito para que é que serve?

    Por essa razão, como no ano passado, também nos ficámos pelo mais simples possível e feito por nós.

    Linda princesa Elvira!

  12. para mim o mais engraçado e divertido do carnaval é o fazer/preparar as mascaras em casa, em grupo. as mascaras compradas/alugadas não passam disso mesmo e de divertidas têm muito, muito pouco.

    a E é uma linda princesa

  13. A Elvira está linda… como princesa, e porque ela é linda. É um facto.

    Quando ao resto, concordo contigo, mas só em parte. Não no todo – O que por vezes me acontece em relação a certas coisas que escreves… e que não deixa de ser saudável, mas levaria a um comentário demasiado longo para colocar aqui. Talvez te mande um e-mail.

  14. não há duvidas, que embora nos irrite toda a panoflia consumista, para eles, os pequenos, é sem duvida a oportunidade de concretizar os desejo, de ser um alguem imaginario, de algum conto, ou de alguma serie de televisao. eu sempre sonhei com o carnaval,

    os disfraçes eram fabricados em casa porque naquela epoca não havia disponivel o que hoje há, da mesma forma que não havia a pizza prefeita, as barritas de peixe da pescanova e os ravioli enlatados

    fui princesa, capuchinho vermelho, dama antiga, criada, pierrot, dançarina espanhola,

    agora sim, os dias previos ao carnaval eram um stress la em casa…e sei bem que a minha mae desesperava,

  15. Fundamentalista?! Não entendo, neste mundo que corre não há lugar à diferença? porque é que tudo converge para o igual? a diversidade não é mais uma riqueza? é pena.

    Parabéns pelos seus lindos e diferentes bonecos.

  16. Olá!

    O importante é que ela afinal teve mesmo o que queria!

    Cá em casa também nunca demos muita importância ao Carnaval, mas quando o micróbio nasceu passou a ser um divertimento para todos contribuir para a máscara dela, que é feita por todos nós, claro!

    Adoro ver o entusiasmo dela enquanto cortamos e cosemos os tecidos, e o que importa é que no final ela ADORA! Adora usar alguma coisa que viu nascer e que também foi ideia dela. Gosto de a ver feliz e pronto!

    Já agora, a E. está linda!

  17. Permita-me discordar. A atitude politicamente correcta do home maid também é uma forma de ditadura do pensamento. Quando era miúda e gostava do Carnaval, sonhava com lindos fatos de princesa que não existiam ou se existiam eram, de facto, muito caros. A minha mãe que odiava o carnaval vestia-me invariavelmente de mulher da Nazaré das setes saias…Nem tudo o que está hoje à venda é piroso assim como nem todos os pais, só porque compram um fato já feito – provavelmente sem tempo nem jeito para fazer um em casa -, querem ganhar alguma competição de infantário. O que é importante, como sublinhou, é que eles fiquem felizes e saibam os limites da bolsa paterna. Quanto à massificação e às lojas dos chineses…se calhar deram alguma alegria a muitos meninos neste Natal e neste Carnaval. É bom não esquecer isso!

Comentar