as mulheres do meu país

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

Já tem sessenta anos, mas foi a minha descoberta bibliográfica de 2008 e agora nem percebo como é que fiz uma licenciatura em história sem conhecer este livro. Agora tenho a sorte de partilhar a custódia de um exemplar com o meu pai, que já tem escrito sobre ele (1, 2, 3) enquanto livro de fotografia. Começou por me chamar a atenção por ser provavelmente a melhor colecção de testemunhos da prática do babywearing em Portugal, não só pelas imagens como pelas descrições da autora. É lindíssima (e houve mais quem reparasse) a imagem da mãe com o filho preso no xaile (A maneira de pôr o xaile e segurar com ele a criança é característica, não só daquela região [Serra da Estrela] mas de quase todas as aldeias portuguesas.), e surpreendentes as fotografias de Miranda do Douro, onde o método mais comum era trazer os bebés sobre as costas (por vezes das avós ou das irmãs) durante todo o dia, tal e qual se faz ainda hoje na maioria dos países africanos.

Para quem não sabe (eu também só me apercebi recentemente), o método de transportar os bebés presos no xaile como mostra a foto acima era conhecido em toda a Europa até há pelo menos cinquenta anos. Por cá já só há algumas avós que o sabem usar, mas no País de Gales é considerado parte do património cultural da região, e há até algumas empresas que se dedicam à venda de nursing shawls para o efeito. Não tendo uma avó do campo, sugiro este vídeo (a partir dos 3m50s) para o aprender.


As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

19 comments » Write a comment

  1. Oi Rosa

    Gostaria de saber como posso comprar os sacos (sacolas) do livro voador.É possível mandá-las para o Brasil?

    “Gerencio” uma crossing zone no meu restaurante e gostaria de saber se podemos trocar livros.Achei muito legal o envelope que vc fotografou.

    Espero seu contato:)

    Adriana

  2. Não tenho esse, mas tenho uns poucos que eram dos meus avós que nos dão a percepção de como era a sociedade há uns aninhos atrás! E gosto bem deles, estimo-os muito apesar de discordar com muitas das coisas que leio (mas concordo com muitas outras!).

    Beijinho

  3. Eu tive a sorte de andar num xaile como este! De mim não me lembro, mas lembro-me de ver os meus irmãos e os meus primos. Como era possível a minha avó andar com um neto ao colo e continuar a fazer trabalhos com os braços? Lembro-me que achava que um dia algum ia cair. Mas isso nunca aconteceu. Que saudades da minha avozinha!!!

  4. muito mais recentemente vi muita mulher a transportar assim as crianças. Numa aldeia da beira alta, e devo dizer que me impressionava porque achava que os bebés deviam ali abafar e os xailes cheiravam a fumo e mofo, visão de uma citadina.

  5. Gostei muito deste post, Rosa!

    Eu não conhecia estas capacidades “de transporte” dos xailes, fiquei impressionada e com vontade de desenhar isso.

    Fiquei também muito curiosa acerca do livro! Já vi no site da Caminho, no índice de conteúdos, que também possui informação e talvez fotos sobre a Mulher do Mar de Olhão (a terra onde moro).

    Será que ainda existe alguma edição à venda?

    Boa semana :-)

    Bjs**

  6. Rosa, tenho me lembrado bastante do seu blog. Vivo em Londres, e o meu filho anda numa escola primária católica, tendo bastantes colegas caribenhos. Algumas mães/avós/amas (?) ainda levam as crianças pelo sling (?) às costas. Teria imenso gosto em enviar-lhe uma fotografia, mas na escola não é permitido fotografar. (já fui advertida :) )

    Um beijinho

  7. é lindo demais:)

    E ver que as mulheres do nosso país voltam a acreditar que o lugar dos nossos filhos é agarrados às mãe, ainda é mais bonito:)

  8. Que lindas fotos. Nem percebo porque se perdeu um hábito tão bom – o carrinho do meu filho (linda prenda de uma tia dedicada) praticamente não foi usado. O pequenote andou sempre no marsupio, ou no pano ou no sling (ou à falta de algum deles, numa emergência, amarrado com um lenço ou cachecol). Tão mais prático e é tão bom, tão bom andarmos os dois assim :)

  9. Não fazia ideia que em Miranda se “usassem” as crianças às costas, tenho de perguntar à minha avó e à minha madrinha, guardiãs dos costumes familiares, se ainda sabem atar o xaile desta forma. Nunca se sabe quando vou precisar. ;)

  10. Provavelmente já o sabes mas na América do sul, há uns anos atrás, por falta de incubadoras morriam muitos prematuros, de tal forma que os médicos decidiram colocar os bébés prematuros junto ao corpo da mãe e amarrá-los com um pano, permanecendo assim durante um mês.

    A taxa de mortalidade diminuiu drasticamente passando a chamar-se a estas mães as “mães kanguru”.

  11. O livro, para além das belíssimas fotografias, parece conter um testemunho valioso sobre a condição da mulher em Portugal durante o período sobre que se debruça.

    É por exemplo inimaginável, nos dias de hoje (julgo que mesmo nos meios mais rurais), deixar um bébé de oito meses, pelas ruas, a cargo de uma menina que não aparenta ter mais do que 5 anos.

    Daniel: Eu não sabia e achei esse facto muito interessante, dentro do género maternal/animal/eficaz :)

  12. Que imagem bonita.

    O meu comentário foi feito da perspectiva securitária, muito ocidental e urbana.

    Mas estas imagens também carregam a carga positiva da participação das crianças mais velhas nas responsabilidades familiares, com tudo o isso tem de bom, desde logo, o “sentir-se útil”.

  13. Elsa e Rosa reparem que a foto de Phitar ilustra muito bem como as ciganas (adultas e mais novas)ainda hoje carregam os mais pequenos e os ortopedistas confirmam que esta posição é excelente para prevenir deslocações da anca, frequente nas crianças.

  14. Hello there! Found this via Liivian talossa. And than god did :) Its very beautiful around here.

    My point is, that I’m going to stay about 2 mths in Aveiro, Portugal (haha) from 24.1. and I’m lokkin for people to meet, get a cup of tea with and especially: people who have the sense of simple beauty and who can bring me to the best shops of knitting and other beutiful little things.

    Leave a comment to my blog to let me know from you!

  15. Daniel, não são só as mães, também o pai eoutros familiares participam porque “substituem” a incubadora, andam 24/24 h com o bebé colado à pele.

  16. Vim aqui parar… gostei do mt do blog. Tem qualidade, sensibilidade… é ternurento e inteligente :) Um 2009 mt luminoso

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