sobre rodas (ii)

Mother and Toddler Take Stroll

Mother and Toddler Take Stroll. UK, 1910 (arq. Corbis).

Irresistível continuar com o mesmo assunto:

Os perigos do carrinho: claro que não acredito que uma criança fique prejudicada por os pais terem optado por um carrinho para a transportar. Muitas vezes é essa a opção que lhes permite (como a Inês observou num comentário) guardarem mais energia para brincar com elas mais tarde. Mas acho que horas a mais no carrinho e anos a mais de carrinho habituam as crianças a não se mexer desde que são pequenas. Também me arrepiam os ovos que mais parecem uma carapaça e escondem totalmente o bebé lá dentro, as capas de chuva usadas quando não estão mesmo a ser precisas e as crianças sentadas com o nariz à altura dos tubos de escape. E a falta de contacto visual com um bebé que vai lá à frente é de facto desconcertante. Tudo isto é independente de ser ou não adepta do babywearing e já me preocupava nos tempos de primípara em que me esfalfei a empurrar um carrinho da maxi-cosi (nos primeiros meses, como já aqui escrevi muitas vezes, usei diariamente um baby-bjorn). Andar a pé desde cedo não serve só para fazer músculo e criar resistência. Também ensina a respeitar os carros e as outras pessoas.

O carrinho como gaiola vitoriana (eu ia escrever isto no post anterior mas hesitei): não que ocorra à maior parte das pessoas sequer pensar nisso, mas um bebé num carrinho é muito mais apresentável. Um bebé no carrinho não nos bolsa em cima (obrigada Marta pela imagem do dar o biberão no carrinho) e um toddler bem seguro não se suja no chão nem nos faz perder a compostura a correr atrás dele e fazê-lo portar-se bem.


Swiss Couple Carrying Cradles

Swiss Couple Carrying Cradles, ca. 1930 (arq. Corbis).

Modo de vida: no meu (de tipo urbano como sugeriu a Sónia) o carrinho tinha tão poucas vantagens que com a E. o arrumámos assim que ela aprendeu a andar e com a A. experimentei uma vez e ao fim de muitos lances de escadas e um quarteirão já estava com vontade de dizer palavrões. O uso que lhe dei nesse dia num restaurante não compensou nem de perto nem de longe o incómodo de o carregar escada abaixo e rua acima, pôr na mala, tirar da mala, armar, usar durante um bocadinho, desarmar, pôr na mala, tirar da mala e por aí adiante até voltar a subir as escadas com ele. E andar com um bebé no carrinho e uma criança ao meu lado foi um pesadelo, porque o passeio não tinha largura suficiente nem eu tinha uma mão extra para dar à E. Quem mora em bairros antigos e gosta de andar a pé e de transportes facilmente começa a ver no carrinho mais um empecilho que um acessório útil. A A., agora com dois anos, alterna entre andar a pé e às cavalitas.

Cadeirinha automóvel: imprescindível mesmo nas distãncias mais curtas. Mas também aqui se pode provocar um bocadinho e dizer que se se conduzisse com mais cuidado não viveríamos tanto sob o seu jugo e que a indústria que produz as ditas aproveita para nos explorar ao máximo obrigando-nos a mudar de cadeirinha pelo menos três vezes por criança. Quem não teve de deixar de convidar os amigos para um passeio ou desistir dele porque as cadeiras das crianças todas são largas demais para um carro só? E quem não tem saudades de dormir deitado (deitado!) no banco de trás do carro dos pais no regresso de um dia de praia?

As situações em que ter um carrinho dava jeito: restaurantes com recém-nascidos ou toddlers ensonados, sem dúvida, lojas de roupa com recém-nascidos (quando o bebé já se senta bem não vi nunca problema nenhum em tirar a A. do sling e sentá-la num improviso de cadeira feito com a minha mochila ou casaco). Mas o dava jeito aplica-se a muitas outras coisas sem as quais vivemos perfeitamente e não estamos para carregar rua acima todos os dias. No meu post queria sobretudo chamar a atenção para o facto de nos fazerem achar que não se pode ter um bebé sem ter um carrinho. Não é verdade, a não ser provavelmente para quem tem mais que um filho pequenino ao mesmo tempo.

As minhas costas (depois de dois anos de babywearing intensivo): estão boas, obrigada. Empurrar e carregar o carrinho, para não falar nas curtas distâncias que às vezes é preciso fazer de ovo na mão, era muitíssimo mais penoso.

Babywearing ou carrinho: uma, outra ou ambas, com informação e bom-senso.

E viva a liberdade de opinião.

39 comments » Write a comment

  1. obrigada, rosa, por te dares ao trabalho de contrapôr. :)

    concordo contigo em grande parte do que dizes. tinha mais uma data de coisas para dizer mas estou aqui completamente dividida entre pensar neste assunto e acabar o trabalho que devia estar pronto daqui a uma hora e não vai estar (agora sim estou a rogar pragas ao carrinho). talvez escreva um post sobre isto, um destes dias. bjs. :)

  2. Sim, viva a liberdade de opinião e escolha:) para mim o carrinho era uma prisão, e o pano/sling a liberdade. Os ovos só mesmo para o carro, e aquilo tem limite de utilização, não é para usar como transporte todo o dia… para além disso, usar o sling faz-nos ganhar “mommy arms”… eu que com estes miseros quase 50 quilos, levava o meu filho todo o dia e sem dores nas costas… mesmo quando ele já pesava a sério… depois, ele passou a andar a pé, faz bem, e tens razão, os miudos tornam-se muito mais comunicativos e socialmente atentos no sling. Tenho presenciado ao longo destes anos ao ensinar babywearing:) tambem valorizam menos o “material” porque na realidade, aprendem que se os pais nao precisam de tantos apetrechos, eles tambem não… e viva a imaginação:)

  3. Optei por comprar um carrinho muito leve e pequeno precisamente porque vivo num prédio sem elevador e não conduzo. A minha sorte foi mesmo o sling. Durante o ano e tal em que estive em casa com o meu filho, sempre que saía com o carrinho (e atente-se que o meu é mesmo dos mais leves e funcionais que conheço) maldizia o tamanho dos passeios, as calçadas, e o facto de ter de ir muitas vezes de mão dada com ele e de ter por isso de andar toda torta. Para as distâncias mais curtas prefiro mesmo o sling que continua a ser usado todos os dias para ir buscar o filho à creche e que nos acompanha em todas as saídas. De facto o carrinho dá jeito em algumas situações, mas para nós a melhor opção tem sido um misto dos dois. E recomendo mesmo a compra de um carrinho leve e pequeno. Faz uma grande diferença. Às vezes vejo pais a transportar verdadeiros trambolhos e fico cheia de pena deles.

    O sling é uma ajuda preciosa quando o meu filho já não se aguenta no carrinho e está muito cansado. Acalma logo e até chega a dormir. E tem quase 2 anos. Foi, sem dúvida, das melhores compras que fiz (para além de ser lindo).

  4. Post tão interessante e sobretudo por levar-nos à reflexão.

    Leva-nos a reflectir não só no que carregamos a mais para os bebés, mas também para nós mesmos. Costumamos carregar coisas a mais seja para um breve passeio ou para uma viagem. Guardamos coisas a mais em casa. Sempre com o receio de que possa vir a ser necessário.

    O “vir a ser” é bem pesado e estamos sempre a querer carregá-lo.

    E depois acho que também entra a questão do poder se estar mais a vontade e mais liberto mas também não se saber muito bem o que fazer com essa “folga”.

    Não sei se me faço entender…

  5. Paz e positivismo!

    Só tomei conhecimento dos babysling há 2 anos. Tenho dois filhos de 6 e 4 anos. Não me entendi com os marsupiais. Morava em Linda-a-Velha e andava sempre a pé com um carrinho leve e muito básico e ovo, ia sempre a falar e a cantar para os bebés. E era óptimo fazer as compras no comércio local e carregar os sacos todos no carrinho. Grávida do segundo, filha com quase dois anos e carrinho,com compras.Com o 2º comprei um atreladinho para a mais velha. Dois filhos e muitos sacos de compras e muita socialização na loja da fruta, no talho, peixaria, longos passeios a pé (que temos um clima óptimo), exposições, etc. Claro que passado pouco tempo, o carrinho era só para as compras ou “bagagem” e muita correria á volta. É preciso haver oferta para as várias situações e bom senso. Já se sabe que há quem faça o melhor que pode e os exageros…

  6. Esqueci-me de um pormenor.

    Os meus filhos comprovam a eficacia dos babyslings. Em casa e na rua mimam os bonecos e os carrinhos nos seus mini babyslings. São o sucesso do momento!!!

  7. Olá Rosa

    As minhas costas cederam ao peso do D. Sendo um bebe que não dormia durante o dia (mil perguntas junto do pediatra e de outras mães) e que queria estar sempre ao colo e em movimento, dei cabo das costas e dos pulsos. Aqui o carrinho deu muito jeito. Transformava-se em alcofa, e com ele a olhar para mim era-me mais fácil passear, se bem que passear naquele tempo já era um feito, de tão cansada que andava. Mas a alcofa deixou de servir e o carrinho em si, tinha um defeito grave, ele já não ia virado para mim. A solução, quando já não podia andar mais com ele ao colo, era levar o carrinho ao contrario, feito bastante complicado que tinha um dom de obter comentários estranhos das pessoas com que me cruzava. Mas ele começou a andar e deixamos o carro em casa. Regra geral nunca andamos de carrinho atrás. As contrapartidas é que prescindi dos saltos, é-me impossível usar saltos e correr atrás dele nos passeios. Também prescindi de algum tipo de roupa que não fosse compatível com o dobra para apanhar flor, assoar nariz e carregar 18 kg ao colo. Deixo tudo isso para as ocasiões em que ele não está. É certo, que 3 anos “à solta” implicam mais mãos sujas que limpas, mas também implica mais mão na mão, mais corridas e preocupações, mas também mais momentos para cócegas e beijos, menos tempo, mas também mais necessidade de simplificar. Beijos BD

  8. Olá,

    Queria só agradecer a aportunidade que nos dás de ver fotos tão boas. (a toddler a morder o folhinho do vestido é deliciosa).

    Obrigada

  9. bem, só mais uma imagem (infelizmente perdi o rasto da sua localização original) do tempo em que ainda achava que um carrinho tinha mesmo de fazer parte dessas intermináveis listas de nascimento :)

    http://umademim.blogspot.com/2007/08/ir-de-carrinho.html

    à parte disso como habituei o meu filho nos primeiros meses no sling era um castigo para o enfiar no “ovo” e andar de carro dei muitas vezes meia volta e desisti…somos de hábitos e quem os constrói somos nós :)

  10. Olá, Rosa! Há muito que leio o blog (+/- 4 anos), sem no entanto, alguma vez ter deixado um comentário. Partilho de mutos gostos e confesso ressuscitou em mim o gosto pelo que é nosso património cultural e pela nossa herança. A razão deste comentário, é que apesar de ainda não ter filhos, nunca tinha encontrado ninguém que partilhasse da mesma opinião que eu em relação aos carrinhos de bebé. A mim, parecem-me formas de os pais se desresponsabilizarem por um crescimento efectivo e por uma aprendizagem válida dos seus rebentos. Assim não caem, não se sujam, transporta-se tudo o necessário ao bébe, criança (sim, os casos que mais me chocam são as de crianças já bem grandinhas enclausuradas no carrinho).Assim não se tem a responsabilidade de os vigiar, de os acautelar, até mesmo de os deixar esmurrar os joelhos, sujar a roupa, mexer num cão… tudo o que faz parte de uma aprendizagem e de crescimento.

  11. Eu já escrevi a minha opinião no post abaixo e não ia dizer mais nada, mas a facilidade com que a Cláudia julga pais e mães é na verdade demais. Apetece dizer “perdoai-lhe senhor” que ainda não tem filhos. Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que a sua cabecinha pode imaginar, uma forma de se derresponsabilizarem???!!! Olho eu acredito que a maioria dos pais e mães faz o melhor que pode e sabe pelos seus filhos, e já agora por eles próprios que também são gente.

  12. Olá Rosa.

    Achei o teu post e pontos de vista feitos por ti e por algumas pessoas que comentaram interessantes, mas a verdade é que cada um é que sabe o que é melhor para si. No meu caso comprámos ovo, um carrão (que tanto vira a cadeira para a frente como para trás), um carrinho e ainda um sling e a verdade é que a I não anda em nenhum e eu tenho que a carregar ao colo. Já chamei mil e um nomes aos carros que provocam mil e uma birras (ela odeia-os) e tenho muita pena de não poder continuar a usar o sling, se bem que da última vez que o usei ela também não lhe achou piada. Realmente acho este último muito prático e bem mais acessível que um carro e seu apretechos incluídos… mas esta também é só a minha opinião. Bjos

  13. Ola

    Gosto dos slings e também acho que hoje em dia se exagera na quantidade de tralhas que são necessárias sempre que se transporta uma criança.

    Mas…

    “Um bebé no carrinho não nos bolsa em cima (obrigada Marta pela imagem do dar o biberão no carrinho) e um toddler bem seguro não se suja no chão nem nos faz perder a compostura a correr atrás dele e fazê-lo portar-se bem”

    “E viva a liberdade de opinião.”

    Eu costumo dizer que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro. E apesar de, concordar contigo em relação a este assunto acho um exagero a maneira como o expões e as críticas aqui deixadas aos pais que usam carrinho.

    E concordo plenamente com a Isabel Prata quando ela diz: “eu acredito que a maioria dos pais e mães faz o melhor que pode e sabe pelos seus filhos, e já agora por eles próprios que também são gente”

    A vida são 2 dias e acho um absurdo o tempo que nós perdemos a criticar os outros. Cada um sabe de si, podemos dar a nossa opinião mas deixem “respirar” quem não concorda convosco!

  14. eh pá! mas desde quando é que ser mãe se tornou num acto tão radical? cada uma defende o seu ponto de vista e ainda se lê algumas com direito a criticar os terceiros…se isto fosse um debate político, já estava tudo de pé, a gritar e puxar cabelos:)

    eu sou mãe, tenho um carrinho e um sling…e nada a acrescentar.

    gosto de discussões…acesas…e por isso me diverti muito com este post. parabéns rosa:)

  15. I’m so sorry not to be sure I understand enough of this to leave a proper comment! I agree with the last line, though, regarding the freedom of opinion (from cultural or commercial influences).

  16. Eu também gosto de discussões, estou com a Sílvia :)

    Por isso vou deitar uma acha para a fogueira e dizer que de maternidade e de educação só devia falar quem por lá já passou!

    Vá lá, há carrinhos e slings que cheguem para todas! :D

  17. Olá Rosa,

    quando engravidei e comecei a investigar o mundo da puericultura fiquei encantada com os slings. Infelizmente o meu filhote, para grande tristeza minha, ainda hoje não gosta muito de colo. Quando o punha no sling era ouvi-lo berrar e contorcer-se até o tirar. Só o conseguia ter ao colo quando lhe dava a mama. Agora que está mais crescido (7 meses) gosta do colo para espreitar tudo e mexer em tudo. Mas ao fim de algum tempo “pede” o carrinho para “descansar”. Mas a verdade é que evito ir sozinha a certos sítios por causa da deslocação com o carrinho e com a quantidade d coisas q tenho q transportar. Mas como ele já pesa quase 10kg não me atrevo a ser o único meio de transporte dele!

  18. Bem!!!

    Depois de ler alguns dos comentários apetece-me dizer: ” Calma minha gente!”.

    Pelo tipo de comentários e pelas idades das vossas crianças, presumo que sejam mães muito novas.

    Eu cá já sou cota e desejando ser avó,tenho 48 anos.

    Costumo dizer que há licenciaturas para tudo e sobre tudo mas não de MÃE.

    Quando se é mãe p’la 1ª vez surgem montes de dúvidas e consequentemente montes de avós, tias, primas, amigas, vizinhas a opinar sobre tudo e mais alguma coisa. O equilíbrio está em saber ouvir e decidir o que achamos ser melhor para o nosso filho e nós próprios. Nunca se esqueçam de vocês mesmas, isso é tão importante como os vossos filhos.

    Depois de ouvir e decidir, há que assumir, cada é como cada qual, e todas têm razão.

    Felizmente podemos opinar, quero acreditar que a decisão que tomaram para transportar o v. filho foi tomada em consciência e considerada a melhor.

    Agora que há uma parafernália enorme de gadgets para as criancinhas, há, disso não tenham dúvidas, muitas delas absolutamente dispensáveis e cujo dinheiro nelas empatado melhor seria usado na futura educação das mesmas.

    Para terminar.

    Fotos fantásticas.

    Rosa, que bom era adormecer no banco de traz do carro.

  19. Olá Rosa,

    Acho que eu não conseguiria fazer uma descrição tão fidedigna dos diferentes tipos de transporte de bebés. A minha filha tem 2 anos e, apesar de não lhe comprar carrinho, ofereceram-me um, que eu usei duas vezes. Não por causa dos passeios e do peso e incómodo, mas porque senti que não colmatava as minhas necessidades de mãe e as do bebé. A melhor prenda que recebi quando a S. nasceu até hoje foi um pano porta bebé: usei e abusei dele, não só na rua, como em casa, etc…. Deu-me independência, agilidade, e, conforto e calor humano ao meu bebé. Devo dizer que agora quase não o uso, mas porque a S. é uma criança activa, mexida e independente: o que contradiz os ditos populares de que andar com os bebés ao colo permanentemente os “habitua mal”. E porque o universo “congemina” a nosso favor, depois de meses a usufruir do pano que uma amiga fabulosa me ofereceu, ganhei outro num concurso de fotos que a Zélia fez. Para além de lindos, os panos já tiveram enormes utilidades: serviram de manta/cobertor, serviram de guarda sol, serviram de brincadeira para baloiçar, serviram para jogar às escondidas, para eu me aquecer, como écharpe, etc…. Bem, o carrinho de bebé que me deram está arrecadado há quase dois anos, e sem uso nenhum. Reconheço que tem potencial de uso, mas muito limitado no meu ponto de vista pessoal. Pelo menos para mim, enquanto mãe, e, para o desenvolvimento do meu bebé. Sem sombra de dúvidas…

  20. curioso o post. eu prescindi do carrinho por questões práticas, assim que começou a caminhar, ou seja por volta do ano de idade. As razões: vida urbana, quarto andar sem elevador, calçada portuguesa, estacionamento em lisboa, e mais uma coisa; uma bebé muito pesada que até para empurrar no carrinho era difícil. Resultado, a rapariga passou a andar a pé desde pequena, em várias cidades europeias, além de Lisboa, e é uma caminhante nata, uma apaixonada por transportes públicos. fiquei contente com o resultado, e acho que ela só ganhou com isso, mais músculo nas pernas :) e mais resistência nos longos passeios. em contrapartida, claro, nós tivémos de ter muito mais paciência para acompanhar o passo dela, para perceber e respeitar o cansaço dela, e tudo isso me pareceu muito bom.

  21. Não sei onde as pessoas vão buscar essa ideia, de que o carrinho faz com que as crianças a não se mexerem. Enfim.

    A minha filha andou de carrinho até bem aos sete anos de idade. No Verão, enquanto eu andava em trabalho ou nas compras ela andava de carrinho, descalça, apanhando solzinho. Diziam-me o mesmo que tu.

    Conheço uma criança que andava muito a pé, com os pais. Sempre a pé e eles achavam que assim é que era. Hoje é um dos jovens mais preguiçosos que conheço! A minha filha não pára um segundo, para além de ter sido atleta federada (treino todos os dias menos ao Domingo).

    Um carrinho vai mudar os genes de um ser humano?

    Por favor…

  22. É verdade o que a tata diz. Tenho 5 sobrinhos e um filho. Todos os meus sobrinhos usaram carrinho (a minha irmã viajou por Paris, Londres, Roma, etc com um carrinho muito leve, ergonómico e pequeno para o filho descansar e dormir enquanto passeavam e nunca teve problemas) e o meu filho usou o sling ( a mim sempre me deu mais jeito o sling). Todos os primos são parecidos, todos com uma energia inesgotável, comem e dormem bem, muito saudáveis, e acima de tudo, são todos muito bem dispostos. É como tudo na vida, com bom senso e uma mente sã, o que interessa é estarmos todos bem.

  23. Acho que o carrinho não tira a vez ao sling, nem vice-versa. Eu tenho os dois. Ao sling não me habituei muito bem e o meu pequenito tb não, sentia-se preso e acho que eu lhe fazia calor… Mas sem dúvida que era muito mais prático que o carrinho quando se tratava de andar a saltar de passeio em passeio, pois na vila onde moro os passeios não têm rampas. O carrinho é bom pq ele tem mais espaço e não fica com calor como no sling. Acho que as duas coisas têm vantagens e desvantagens, como tudo…

  24. Parabéns, Rosa, pela animação!

    Dado pertencer a uma geração bem diferente acho sempre muito curiosas estas trocas de galhardetes entre jovens mães. Curiosas mas cruéis, diga-se. E claro que também eu fico afundada em coisas para dizer, quase todas já ditas aqui. Mas, mesmo assim, aqui vai.

    1º Continua a ser assunto de mulheres, por vezes que nem sequer são mães. É tão fácil ter certezas neste caso …

    2º Jamais, no meu tempo de jovem mãe, nos teria passado pela cabeça envolvermo-nos numa polémica destas. As coisas consideradas importantes eram outras. Estávamos no tempo da discussão sobre se os brinquedos eram determinantes na futura diferença entre homens e mulheres, por exemplo. Os bem-pensantes achavam que sim, claro.

    3º Os tipos de mãe (também os havia) eram menos rígidos e portanto ser mãe era mais fácil. Não tínhamos todos estes olhos a examinar-nos e a rotular-nos de mães abandonantes por estarmos a privar os nossos filhos de contacto físico.

    4º Considerávamos muito importante que, sendo mães, continuássemos a ser muitas outras coisas ao mesmo tempo. Por isso era impensável achar que o ideal num almoço de amigos no restaurante era ter o filho num sling, a apanhar com o molho do bife (comia-se bife, nesses tempos). À mesa continuávamos a ser mães mas com o bebé na cadeirinha. E a olhar para ele (de vez em quando) e a conversar com ele (de vez em quando) e a sorrir para ele (de vez em quando).

    Bom, vou encurtar. No entanto parece-me que esta polémica misturou muito as coisas. Até me parece que há quem ponha em causa o transporte dos bebés num ovo, em viagem de carro! Pois bem, é obrigatório! Ponto final! Não me parece que valha a pena discutir isso.

    Assim, parece-me que tudo depende (i) da idade da criança; (ii) da circunstância; (iii) da vontade da mãe; (iv) da vontade da criança e etc.

    Viva o sling e viva a cadeirinha para que eu possa passear os meus netos pequeninos, com as mais velhas a pular ao nosso lado. Estão virados para a frente? Paciência, vêem o mundo como eu e posso ir conversando sobre o que vemos ao mesmo tempo, no mesmo sentido.

    Mas será que o único contacto é através do corpo? Até que idade?

    Como é que se passeia mais do que uma hora com um bebé de 10Kg num sling? E quando se chega ao jardim, fica-se com ele no sling? E a criança vai nessa?

    Já pensava fazer um post sobre as crianças que vejo por todo o lado aqui em Bissau, sempre amarradas às mães, sempre caladas, sempre serenas.

    Agora vai ter que ser. )))))

    Parabéns, Rosa, pelas fotos. São, como sempre, fantásticas.

  25. o meu babe ainda nao nasceu e um dos maiores quebra-cabeças com que lido é a escolha do carrinho :S

    já tenho um sling e penso utilizá-lo mutíssimas vezes, já o carrinho dá-me stress, isto porque moro num apartamento pequeno e acho uma falta de higiene trazer o carrinho para dentro de casa. Resultado, tenho que comprar algo que caiba dentro de um armário de hall de entrada. Também sou da opinião de que os carrinhos nao facilitam a comunicação filho-pai e que promovem algum facilitismo e até a preguiça de locomoçao da criança.

    a ver vamos, mas acho que nao me safo de comprar um carro :(

  26. É sempre interessante ler os teus post e melhor ainda ler os comentários todos que se seguem :)

    Gosto de ler o que escreves porque mostras um interesse e um trabalho de pesquisa por trás de tudo. Gosto de ler pelo teu trabalho de história das coisas, como acontece com os tecidos africanos. Depois, dás a conhecer a tua maneira de ver e viver as coisas (que acho também interessante) mas que é ( poderá ser) muito diferente da realidade de outras mulheres/mães.

    Concordo com muita coisa que foi dita, mas também discordo de muita.

    Vou ser mãe pela segunda vez, e gostava de experimentar o sling desta vez. Não porque do primeiro as coisas tivessem corrido mal com o carrinho. Não. Por curiosidade e por sentir uma afinidade com o conceito.

    Qual será melhor? Não interessa…cada qual fará como bem entende e pode. E não nos podemos esquecer que eles ( bebes/filhos) também têm voto na matéria.

  27. Bom dia!

    Não sou mãe e por isso arrisco-me a ser injusta. Mas confesso que também não acho nenhuma piada aos cestos. Parece-me sempre que as crianças estão a ser transportadas como ovos. E dou a mão à palmatória que os carrinhos podem dar jeito no início mas acho horrível ver crianças grandes nos carrinhos. Elas têm de ganhar resistência e aprender a caminhar. Tanto eu como o meu irmão fomos criados sem carrinhos. Tínhamos colo quando estávamos mesmo cansados mas habituámo-nos a andar pela rua desde cedo. E acho que só ficámos a ganhar!

  28. Pois já vi que isto está muito aceso…

    Cada mãe, cada experiência e claro que também, sou da opinião que cada mãe e pai fazem sempre o que acham melhor para os seus filhos.

    A minha experiência: tenho 44 anos, uma filha com 23, uma com 18 e o mais pequenos com 5. Nenhum dos três teve carrinho nem sling, pura e simplesmente porque nuca me entendi com nenhum dos artefactos. Colinho e pronto, muuuiiiito colinho. Quando me canso mudo-os de posição, quando bebés transportava-os muitas vezes num só braço e depois no outro, maiores numa das ancas e depois na outra, vão para as cavalitas, para o chão, passo-os ao pai ou quando não dá nenhuma destas soluções ultrapasso o meu anterior record de colo! :) O meu filho de 5 anos ainda pede colo ou cavalitas muitas vezes; a do meio ainda pedia, com 8! O que vale é que são “fininhos”… E quando têm interesse no passeio é vê-los a andar e a correr e até subir montes (os dois que mais pediam colo, são, por acaso, os que adoram “escalar”!).

    Não sei se vale a pena teorizarmos muito a coisa, analisarmos, fazer estatísticas… cada um é como cada qual e eu sou das que os traz ao colo, das que lhes dá mama até eles quererem, das que dormem com eles na mesma cama e pronto!

    Beijinhos

    Isabel

  29. Assunto pertinte. A mim fez-me pensar. Ao 4º filho tenho usado muito menos o carrinho. Pode ser coincidência mas o S. é bastante mais despachado (em termos motores) do que foram as irmãs com mais ou menos a mesma idade.

  30. Cara Rosa,

    Gostei muito de ler este texto. A partir do dia que o Zé nasceu, deixei de gostar de morar no Bairro de Alvalade, onde os carros ocupavam os nossos passeios e, quando levava o carrinho, muitas vezes tinha de ir na estrada… Agora está melhor, mas já lá não moro!

    Quantas vezes perdi a compostura, quer a andar com os dois pequeninos a pé e cada um a puxar para seu lado, quer com o mais novo no porta-bebés a babar-me a camisola?! Por vezes ficava esgotadíssima, mas tudo isto faz parte da nossa vida em conjunto e também penso que são estas pequenas dificuldades que nos fazem crescer enquanto família!

    Bem, queria só dizer-te que gostei imenso de ler este texto, que me disse muito!

    Um abraço,

    Luísa

  31. Quando estava grávida do meu 1º fui de férias à Suécia. Passados quase dez anos, ainda hoje a mãe sueca me parece, aos meus olhos de latina urbana rodeada de manias de limpeza e segurança no que às crianças diz respeito, a mãe ideal:

    1) Transporta o(s) filho(s) até aos 12 ou 18 meses num daqueles carrinhos velhos, pesadões, que tínhamos por cá nos anos 60, com rodas grandes, assento grande e uma espécie de porta-bagagens por baixo.

    2) Transporta igual peso em sacos de compras no porta-bagagens e à volta do bebé.

    3) O bebé vai quase nu (fui lá no Verão!), sujo, é grande e sorridente.

    4) Há parques e florestas e água por todo o lado e o bebé está sempre a saltar, rebolar ou a atirar-se do carrinho para o chão. A mãe diz que sim e fala com as amigas.

    (pois, e acho que ainda têm das mais altas taxas de suicídio do mundo…)

  32. Para pena minha, mais uma vez, em assuntos de maternidade entra-se em radicalismos. As mulheres adoram julgar as outras e criticar. Como aqui já foi dito, cada uma é livre de escolher.

    Tenho 2 filhas, 2 slings (que se tornam inviáves para as minhas costas a partir dos 8 meses, quando se tem crianças com percentis acima dos 95) e um carrinho de 2 lugares que faz a nossa delícia quando ambas dormem e conseguimos almoçar fora e ter 1 hora de calma, ou quando consigo sair com as duas sem que a mais velha me fuja para o meio da estrada como forma de provocação.

    Sou má mãe por isso, insconsciente ou estou a borrifar-me para as minhas filhas? looool

    Quem não pode, ou não quer, não usa sling e não faz mal. Mas se alguém quer usar também está bem. Quem não amamenta não é uma persona non grata e quem amamenta até o filho ter 4 anos também não é uma freak.

    Vamos ser mais amigas umas das outras que esta competição feminina já chateia.

  33. Rosa, as fotografias são muito bonitas, o texto desperta imensas opiniões, algumas contraditórias, é certo. Não sou mãe, só tenho a experiência dos sobrinhos. Não tenho opinião forte formada, acho que cada caso é um caso, cada pessoa vê a vida e a relação com os bebés de maneira singular. Queria só dizer que é bonito o teu blog ser palco de discussões, acesas ou não. É bom ser livre para discutir pontos de vista e poder falar com os outros, neste caso, com tantas mulheres com experiência. Parabéns, vale sempre a pena voltar aqui. :-)

  34. Como a minha neta já está com 18 anos, estou bastante desatualizada em relação a apetrechos de nenê. Não conheço essa denominação aqui no Brasil, e fiquei bastante curiosa e com vontade de ver o que é esse bendito ovo, que todos maldizem.

  35. Com a minha filha utilizámos o carrinho ( bem pesado e grande ) & o babybjorn, para o meu filho utilizámos ás vezes o carrinho, o meu marido utilizou o babybjorn, e eu comprei um sling, 2 slings á Rosa & adoro, e o meu bébé adora, e sentimos-nos tão bem os 2 assim tão pertinho, o seu odor, as suas maõzinhas, o seu olhar, quando adormece no meu peito, nem sei explicar. Não me incomoda nada a forma como a Rosa se exprime, pois somos livres nós mesmas de escolher o que mais nos diz respeito, pelo que leio & vejo no seu blog, a Rosa é uma mulher apaixonada pelo que faz e defende com intensidade & paixão no que acredita.

    vamos lá um brinde á Rosa, pela beleza das fotos, das informações que nos são dadas praticamente todos os dias, e por tudo o que se encontra de maravilhoso na ervilha cor de rosa e na sua retrosaria

    Eu adoro a ervilha, é a minha pilulazinha da alegria e da beleza da vida

  36. Muito curiosos estes posts sobre o carrinho de bebé. Adorei ver as imagens que colocaste porque já conhecia a maioria. Há alguns anos atrás fiz um trabalho escolar sobre a evolução do carrinho de bebé no âmbito da teoria do design.

    A história social e económica que este objecto influenciou é fascinante. Gostei muito da tua conclusão e não poderia deixar de concordar com a questão da “vaidade social”: o carrinho é um “mostrardor” de bebé tal como um “passeador” de bebé.. um objecto associado a rituais que fazem já pouco sentido neste século.

    ;) Adoro a imagem da mãe de 1910 com o carrinho pela mão e a criança pela outra. Parece “prenunciar” toda esta questão…

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