fiar nos açores

spinning wool

Na Lomba da Maia, em São Miguel, fia-se a lã na roda, mas a roda é aquilo a que no continente chamamos geralmente caneleiro (ou rodilheiro se estivermos em terras de Miranda) e que na maioria das vezes não é usado senão para encher as canelas para o tear. Tecnicamente um caneleiro desta tipologia (há outras) é uma roda de fiar de tipo 1 em ponto pequeno – o mecanismo é exactamente o mesmo mas para o operar há que estar sentado numa cadeira baixa. Fiar numa roda assim tão pequena acaba por não ser (julgo eu) muito mais produtivo do que fiar no fuso, mas ainda assim remete para uma relativa especialização da actividade. Comparadas com as do Continente, as rodas açorianas têm uma diferença de razão certamente secular: os fusos são integralmente feitos em madeira e não em ferro, o que permite que um bom carpinteiro (e há muitos) possa construí-las do início ao fim. A minha vem a caminho.

Mais rodas de fiar portuguesas.

Panos da Terra: um novo blog, totalmente aconselhado a qualquer pessoa que tenha lido este post até ao fim.

3 comments » Write a comment

  1. Gosto tanto destes posts!
    No outro dia estava a falar do teu trabalho com uma amiga. Ela estudou cinema e em conjunto com uma colega do Norte (não me lembro agora exactamente de onde mas penso que de trás os montes) gravaram horas sobre os pastores, a lã e as ovelhas. Essa colega tem uma tia a trabalhar numa cooperativa local. Mas nunca chegaram a editar o documentário, é uma pena.

  2. Olá Rosa,

    Peço desculpa de estar a perguntar aqui neste post que, embora tão interessante, em nada está relacionado. Será que me consegues dizer qual o ponto das golas Buhh? Tento perceber pelas fotografias mas não consigo entender (acho que sei poucos pontos).

    Bjs

  3. Pingback: da ovelha ao novelo | A Ervilha Cor de Rosa

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