esta camisa

camisa stefanel 1991
Saber que o projecto gráfico era do Jorge Silva foi razão suficiente para espreitar o número um da nova revista Prima. Mas honestamente o que mais me marcou e motivou este post bastante tonto foi visitar o site e deparar-me com esta imagem, tirada de uma revista Activa de 1991. Esta camisa. Não sei porquê tenho uma memória particularmente nítida desta camisa. Lembro-me de a ver a uso por várias pessoas (não sei se conhecidos, se desconhecidos), de reparar nela e de achar que era toda uma moda desse ano. Provavelmente até tive pena de não ser rapaz para usar uma, certamente não sabendo que era da Stefanel e que custava mais de treze contos (!), e não sei se combinaria com as calças elásticas pretas e botas Dr Martens que eram o meu uniforme de todos os dias. Agora olho para ela e vejo as semelhanças óbvias com os motivos das chitas ditas de Alcobaça, uma das minhas obsessões têxteis de sempre (mas não propriamente aos quinze anos) e dezasseis anos depois dou por mim com este velho vestido onde até as cores são quase as mesmas. Se conseguisse descobrir o álbum mental de referências gráficas da minha vida esta camisa tinha provavelmente, sabe-se lá porquê, direito a página inteira.

chitas de alcobaça

chitas de alcobaça

chitas de alcobaça

Terminou no Domingo aquela que foi sem dúvida a mais importante exposição de têxteis em Portugal deste ano. Esteve só durante o Verão, na galeria de exposições temporárias do Mosteiro de Alcobaça. Não foi uma exposição com novidades a nível científico, nem ficaram mais explicados os contornos misteriosos destes tecidos tão amados do Portugal de oitocentos que não se sabe como nem porquê vieram depois a ser baptizados como sendo de Alcobaça. Mas foi uma imperdível ocasião de divulgação deste património industrial e gráfico e um absoluto deleite para os olhos. Vi a exposição no regresso das férias e depois novamente na privilegiada companhia da mulher que até hoje mais tempo dedicou ao estudo das chitas e da sua história, a D. Maria Augusta Trindade Ferreira, autora dos textos dos catálogos que acompanharam as principais exposições anteriores e também do livro De Gil Vicente às Colchas de Alcobaça (ed. Câmara Municipal de Alcobaça, 2004). Read more →

textile designs

textile designs

textile designs

textile designs

Textile Designs: Two Hundred Years of European and American Patterns Organized by Motif, Style, Color, Layout, and Period é um dos meus livros do ano, apesar de ser de há quase vinte (foi originalmente editado em 1991 e reeditado em 2002). Da autoria de Susan Meller, a coleccionadora de tecidos por detrás da Design Library (onde adorava passar uma temporada) e do já aqui mostrado Russian Textiles, é um magnífico repertório de imagens e uma excelente fonte para quem como eu se interessa pela história dos têxteis. Os tecidos estão organizados por motivos e temas, e as descrições incluem muitas vezes a história dos termos técnicos, que tenho pena de não saber na maior parte das vezes traduzir para português (talvez quando for finalmente ao Museu da Indústria Têxtil aprenda mais sobre o assunto).

Na secção dos tecidos produzidos em Inglaterra para exportação aparece esta chita azul, o que me deixa com a sensação de que do lado de lá do oceano se sabe mais do assunto que por cá. Read more →

russian textiles

russian textiles

russian textiles

russian textiles

Comprei o livro Russian Textiles: Printed Cloth for the Bazaars of Central Asia este Verão, depois de o namorar nos inúmeros blogs em que tem sido citado (mais imagens). Como muitas outras pessoas não resisti às imagens dos magníficos tecidos mas as minhas expectativas foram largamente superadas pelo resto do conteúdo. O livro é essencialmente um mostruário de extraordinários tecidos estampados produzidos na Rússia entre os meados do século XIX e os meados do século XX, com destino (segundo os autores) aos mercados da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Tajikistão, etc.), onde eram usados no vestuário tanto feminino como masculino. Ao folheá-lo, a primeira coisa que me surpreendeu foram as fotografias a cores, que parecem retiradas de uma revista de viagens ou produção de moda actual e são afinal do início do século passado. O seu autor, um dos pioneiros da cromatografia, foi Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii e pertencem actualmente à colecção da Library of Congress (vale a pena explorar o site e vê-las uma a uma). Read more →

a história da capulana

lenço de moçambique

Reza a história que a capulana (ou kanga, ou pano, ou pagne) nasceu no Quénia em meados do século XIX. As versões variam nalguns pormenores, mas todas apresentam os portugueses como comerciantes de lenços estampados provenientes da Índia, muito apreciados na região. Aliás, mesmo consultada de raspão, percebe-se da bibliografia sobre as relações comerciais no Índico que pelo menos desde o século XVII os tecidos indianos eram importante moeda de troca e fonte de receitas no comércio com a costa oriental africana. Os portugueses, voltando à história, venderiam em Mombassa lenços (lesos) que eram cortados um a um de uma peça de tecido com cerca de 60cm de largura. Estes lenços seriam estampados pelo menos em parte com pintas claras sobre um fundo escuro. Algumas mulheres terão tido a ideia de comprar duas peças de três lenços e uni-las de forma a ficarem com uma peça de tecido com cerca de 180cm por 120cm, mais bonita e por um preço inferior ao de um pano com essas dimensões. Por o contraste do padrão lembrar as penas da galinha da Índia ficaram estes panos de seis lenços a chamar-se kanga (galinha da Índia em Swahili). Os comerciantes rapidamente introduziram panos estampados com a dimensão dos seis lenços juntos e a kanga/capulana ganhou novas características (a explorar noutros posts), mas o que me agrada mais nesta história é o pormenor de os lenços que se vendem ainda hoje em Moçambique (e que são mais bonitos e de melhor qualidade que grande parte das capulanas que de lá vi trazer) continuarem a cortar-se da peça um a um e a ter as pintas da galinha da Índia. Aliás, estes lenços são também curiosamente semelhantes nas cores (branco, vermelho e amarelo sobre azul escuro) e nos desenhos aos nossos antigos lenços (não confundir com as chitas) de Alcobaça, coincidência que daria certamente também pano para mangas. Read more →

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