a sonhar

african wax prints quilt

african wax prints quilt

Não me faltam tema nem vontade, só o tempo. Tenho lido muito sobre tecidos africanos e observado, cortado e cosido tecidos africanos. Na noite passada já me pude aconchegar com estes, pensados, cortados, cosidos e acolchoados na consistência certa. Neste momento fascinam-me mais do que os outros. São vistosos, complexos, difíceis de combinar. São lindos. Quero fazer com eles uma colecção de quilts para a loja e fotografá-los como merecem. Dream on

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de longe

primaveresa e varãozosa

keychain from kagi

Apesar de não falarmos a língua uma da outra e de mesmo em Inglês nos entendermos pouco, há três anos que trocamos prendas. Gabo-lhe a minúcia e perfeição no patchwork e sigo (as imagens d)os outros posts com a curiosidade de quem adora ouvir contar como se vive noutras paragens. Desta vez elas receberam duas bonecas (que a Malva da Camilla e a Nazaré receberam na família), a quem a E chamou (eu diria brilhantemente) Primaveresa e Verãozosa. Eu ganhei o mais delicado dos porta-chaves.

Doumo arigatou gozaimashita!

50 anos de arte portuguesa

Fátima Vaz

Helena Lapas

Fomos ver os 50 anos de arte portuguesa. A opção de partir dos dossiers e relatórios dos bolseiros que a Fundação apoiou, expondo-os cuidadosamente e sem distinguir entre os que o futuro consagrou (emocionantes, os álbuns de recortes e apontamentos de Paula Rego) e os outros, é muito interessante (e feminina também, parece-me). Porque já escrevi sobre ambas noutros posts não podia deixar de salientar a secção dedicada a Fátima Vaz e Helena Lapas que, nos anos 70, levaram a cabo um trabalho de recolha e estudo do patchwork em Portugal. Como diz o pedido de apoio que apresentaram à FCG:

há vários anos dedicam uma parte do seu tempo à recuperação, procura e criação de trabalhos em patchwork (…). Embora ambas sejam artistas profissionais nos campos da pintura e tapeçaria, procuram complementar o seu trabalho de atelier com a pesquisa de fontes ditas populares. Trabalhos portugueses no campo do patchwork merecem um lugar no Victoria and Albert Museum em Londres, embora por razões várias este género de trabalho, feito em casa em condições muitas vezes precárias, encontra-se (…) quase completamente perdido no nosso país.

Fiquei com vontade de ler estes relatórios de fio a pavio (talvez um dia seja possível). A E. preferiu o vídeo do João Onofre, no andar de baixo.

Mais sobre a exposição aqui e aqui.

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fim-de-semana

socas

piecing

A E. descobriu os meus velhos socos. Usa-os no quintal e chamou-lhes sapatos de salto alto. Eu usava-os na rua e na altura queria era ter uns com joaninhas que namorei meses numa montra.

Cosi meio quilt top, depois de me decidir por um bloco simples e doze tecidos diferentes (entre os quais um que já entrou neste e neste). Não vai ser muito ousado, perfeito ou particularmente inspirado, mas acertei precisamente nas cores e contrastes que me apeteciam. O fascínio hipnótico do patchwork é o mesmo que exercem os fractais e rectângulos de ouro. Excita e apazigua ao mesmo tempo.

assim ou nem por isso

tecidos

tecidos

Não tenho nehum quilt pronto para acolchoar e, apesar do calor, faz-me falta. Aquele exercício dos pontos muito pequenos e certinhos uns a seguir aos outros quando, à noite, elas já dormem e o cheiro dos bolos de arroz da fábrica vizinha começa a entrar pela janela juntamente com a brisa fresca da noite, relaxa-me e organiza-me. Já escolhi cores e já as pus de lado, já fiz uma tentativa que, por se ter complicado demais, vai ser desmembrada para almofadas e já escolhi mais tecidos mas ainda tenho dúvidas. Combinar cores e padrões faz-me perder a noção do tempo. Gostava de ler um livro que enumerasse as regras daquilo que aprendi a fazer só por instinto (porque é que estes tecidos ficam bem um ao lado do outro e aquele que é quase quase igual já não fica?).

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visto de fora

União de estamparias

Desde que comprei a primeira máquina fotográfica digital que são raros os posts ilustrados com imagens alheias, mas às vezes sabe bem quebrar a rotina: as duas imagens deste post vieram do flickr e são pormenores desta e desta. A sua autora é uma rapariga inglesa chamada Alix McAlister, que já viveu em Portugal e com quem tenho encontrado coincidências. Gostamos as duas de tecidos antigos e das suas etiquetas: ela tem uma colecção fantástica (eu tenho só esta e esta). Aprendemos a gostar de patchwork com duas mestras que trabalharam juntas nos anos 70: eu com o trabalho de Fátima Vaz e ela com o de Helena Lapas. Ambas somos mães, ambas fazemos bonecos de pano, partilhamos curiosidades. Às vezes é bom o mundo ser pequeno. Obrigada, Alix.

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less is more

block to be

Se as mulheres de Gee’s Bend tivessem à disposição tecidos caros comprados de propósito, em vez das roupas velhas da família, teriam chegado onde chegaram? Se não estivessem limitadas na quantidade e qualidade da matéria-prima, teriam na mesma gerado peças com qualidade para serem expostas nos melhores museus? A pergunta em si não faz sentido, mas a verdade é que algumas limitações podem ser estimulantes. Da produção de cada um dos meus slings sobram oito quase triângulos de tamanhos variados e uma tira de largura irregular. Vou dar-lhes destino.

Os quilts de Gee’s Bend inspiraram: o lindíssimo Fletcher’s Quilt, My Indigo Window, wool lap quilt, Matty’s quilt.

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quilt

quilt back

Ei-lo, finalmente terminado, lavado e seco ao sol. Perdi a conta às dezenas de horas que levou a terminar e no tempo que levei a fazer este à mão podia ter feito uns vinte à máquina. Mas não era a mesma coisa.

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