taleigo ♥

taleigo <3
taleigo

Poucos dias antes de ter ido ver a exposição Boro tinha estado a reparar um taleigo muito antigo e invulgarmente bonito que precisava de um remendo e de cordões e borlas novas para voltar a ser usado. Estes sacos contam a mesma história do patchwork rural japonês: são, como o boro, pequenos quadros em que se encontram a escassez, a memória dos afectos (aquele retalho veio dali e o outro dali…) e a procura do equilíbrio, do que é tranquilamente belo. São quadros de ir ao pão, à feira, de ir embora. Um dia talvez o MUDE repare que também eles merecem uma exposição a sério.
Inspirada pela memória desse saco antigo fiz um novo, só com retalhos de tecidos antigos, que não há de facto outros que se lhes comparem nas cores e no toque.

taleigo
Pormenor de cartaz da Associação católica internacional para obras de protecção às raparigas.

museu regional de montemor-o-novo

museu regional de montemor

museu regional de montemor

Imagens da sala das profissões do Museu Regional de Montemor-o-Novo. São lindos os muitos taleigos à vista e extraordinário o objecto da segunda imagem, provavelmente obra de um albardeiro mas que não conseguimos saber o que era. A tesoura antiga de tosquia (agora por lá já se tosquia à máquina), de aros protegidos por pedaços de cortiça, é idêntica à que trouxemos da feira de velharias local há duas semanas. Read more →

talêgos

taleiguinho

d. maria cristina

Em Montemor-o-Novo vivem várias fazedoras de taleigos (ou talêgos como lá se diz, sem o i que também é roubado aos bêjos). Uma delas é a D. Maria Cristina, em casa de quem estivemos a gravar a sua história (o vídeo fica para depois), a ver meias centenárias e lenços de namorados alentejanos (engana-se quem acha que são coisa só minhota).

A melhor colecção de imagens de taleigos antigos disponível online é certamente a do grupo do Flickr, alimentada por várias pessoas que reparam neles nos museus, nos ranchos e em casa das avós.

A pedido de várias famílias, o workshop de aprender a fazer taleigos regressa também à Retrosaria já no dia 23 de Junho.

chitas de alcobaça

chitas de alcobaça

chitas de alcobaça

Terminou no Domingo aquela que foi sem dúvida a mais importante exposição de têxteis em Portugal deste ano. Esteve só durante o Verão, na galeria de exposições temporárias do Mosteiro de Alcobaça. Não foi uma exposição com novidades a nível científico, nem ficaram mais explicados os contornos misteriosos destes tecidos tão amados do Portugal de oitocentos que não se sabe como nem porquê vieram depois a ser baptizados como sendo de Alcobaça. Mas foi uma imperdível ocasião de divulgação deste património industrial e gráfico e um absoluto deleite para os olhos. Vi a exposição no regresso das férias e depois novamente na privilegiada companhia da mulher que até hoje mais tempo dedicou ao estudo das chitas e da sua história, a D. Maria Augusta Trindade Ferreira, autora dos textos dos catálogos que acompanharam as principais exposições anteriores e também do livro De Gil Vicente às Colchas de Alcobaça (ed. Câmara Municipal de Alcobaça, 2004). Read more →

mais taleigos

maria joão

da maria joão

Pensava eu que tinha uma grande colecção de sacos de retalhos até a Maria João Petisca me vir visitar. Mostrou-me os dela, recuperados das arcas da família da zona da Chamusca, feitos pelas mulheres da geração da mãe e da avó da sua avó. Grandes, pequenos, de um tecido só ou de dezenas deles, rotos e por estrear, ainda com a goma original sobre os estampados, cada um mais lindo do que o anterior. Tantos que pôde dar-se (e muito bem) ao luxo de transformar um deles numa saia absolutamente invejável. Aqui ficam imagens de alguns, para público deleite. Obrigada Maria João! Read more →

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