mais (para a ana)

…agora acorda quase todas as noites pelas 5 e quer vir para a nossa cama. quando lá chego, em piloto automático, já está em pé agarrada ao berço. mal a deito entre nós adormece, a sorrir. quando acordo de manhã é geralmente porque me está a tentar pôr a chucha na boca, ou a puxar-me e a apontar para a porta do quarto, ou simplesmente a dizer mã mãaaaa.

já encaixa os legos (aqueles de bebé) uns nos outros e faz brrrr brrr quando brinca com carros (e quando os vê a passar na rua).

vi-a relacionar-se de facto com outra criança pela primeira vez há poucos dias. andaram atrás um do outro, partilharam biscoitos (da olinda!) e uvas passas e trocaram de chapéus e sapatos.

(…)

para não me esquecer

14 meses e pouco: começa agora a andar (4, 5, 7 passos antes de se atirar). diz talvez uma dúzia de palavras e faz outros tantos sons para pedir coisas (comida, água, lavar os dentes, enxotar as pombas, cheirar as flores, etc.) e imitar alguns animais. tem a boca cheia de dentes (10 pelas últimas contas) e o cabelo ainda não é muito.

enche-nos de beijos e empurra-me a cara para que eu beije também o filipe. de há duas semanas para cá começou a aceitar beber leite pelo biberão mas ao deitar ainda me dá no peito umas palmadinhas muito eloquentes (parece que só a minha avó é que não se escandaliza com o facto de ainda não a ter desmamado por completo).

desde os 12 meses que come sempre da nossa comida e está habituada a uma enorme variedade de alimentos (incluindo grelos e azeitonas). já come sozinha mais de metade das refeições mas ainda deita tanta comida por fora como a que consegue pôr na colher e levar à boca.

desenha riscos e pintas com ambas as mãos. nos papéis que lhe dou e, quando não estou a olhar, no chão e nas lombadas dos livros.

tira os cordões das botas e passa que tempos a tentar enfiá-los de novo.

(…)

carpe diem

o meu professor de latim do liceu (o único padre que admirei na vida) escreveu uma vez carpe diem no quadro, em resposta a um aluno que dizia não ter preparado a lição por falta de tempo (na verdade só eu e a sofia é que as preparávamos quase sempre). depois desenhou um segmento de recta que representava o nosso dia e começou agitadamente a riscá-lo com traços em forma de relâmpago. perdeu-se a falar do tempo e de tudo o que podíamos fazer com ele de uma maneira que nunca lhe tinha visto nem voltei a ver.

quando a e. adormece a seguir ao almoço começa a minha roda-viva. naquela hora e meia de mil trabalhos mais ou menos insignificantes lembro-me muito dele.

levanta-se,

agarrada a nós, põe-se de pé e solta-se, com um ar triunfante. balança uns segundos e deixa-se cair, a rir, certa de que a seguramos a tempo.

(um homem muito barbeado, esfoliado, hidratado e desodorizado é uma coisa horrível. estranhamente ou não, antes de ser mãe não tinha assim tanta certeza)

hoje

burro

ela: cheia de febre (a minha irmã, uma vez quando ainda mal dominava a fala, disse a uma tia nossa que recuperava de uma operação: estar doente é ser muito pobrezinho). recebeu uma prenda do t. (obrigada, magui).

eu: irritada com um site simpático mas que usa e abusa de imagens minhas, das colheres e de muitas outras pessoas. irritada em geral.