deliciada,

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cobre de beijos um boneco feioso que estava no chão da escolinha.

(em casa só entram brinquedos escolhidos a dedo. mesmo que isso implique perder vários que lhe foram oferecidos. o poder de o fazer vai durar tempo de menos para que não tire dele o máximo partido)

raparigas

apaixonadas, cultas, independentes, despachadas;

que escolheram o curso superior que bem lhes apeteceu; que foram adolescentes durante dez anos ou mais; que tocam piano e falam francês; que trabalham (e muitas vezes de graça); que nunca tiveram um emprego; que acreditam em causas e deram o corpo ao manifesto; que estão a chegar aos trinta; que tiveram uma depressão algures pelo caminho; que fizeram a licenciatura num instante e muitas a seguir um mestrado; que tiveram ou vão ter um filho por amor.

que ainda precisam de ajuda para pagar a renda.

tá?

passei o dia a falar ao telefone com peças de lego, blocos de madeira e molas da roupa. a e. atende todos os objectos pequenos que apanha (incluindo o pão que está a comer) – tá? – e depois passa-me as chamadas. eu explico que ela agora não pode falar e aproveito para me queixar do cansaço e da constipação.

estou cansada

estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada, estou cansada

(nos últimos dias tenho-me lembrado muito deste bocadinho de um espectáculo de pina bausch)