cantiguinha chinesa estampada no embrulho de uns pauzinhos

two little sticks

they’re made out of wood

and they help you

to pick up your lunch

your lunch

and if you practice

then you’d get good

and you’ll find you can pick up

a bunch to munch

eat noodles with chopsticks

eat dumplings with chopsticks

eat suchi with chopsticks

that’s fish!

don’t eat soup with your chopsticks

that’s no good with chopsticks

and jello with slide off

your dish

i eat with chopsticks

can you eat with chopsticks

doctor told us

be intell eat by using chopsticks

lots of people use chopsticks

so try eat your chopsticks

right now!

todos os novaiorquinos sabem comer com pauzinhos

esta esta a ser a semana mais quente do ano

PS1

e hoje consta que e o dia mais quente dos ultimos anos. escrevo sem acentos porque estou num computador dos outros. e por causa de um computador dos outros, onde alguem resolveu abrir um

attachment *.exe, toda a rede da minha escolinha foi infectada por aquele virus que por ai anda, de modo que nao ha internet para ninguem. agora que comeco a orientar-me, agora que o meu ingles esta de facto menos perro, a partida comeca a parecer demasiado proxima. e se eu perdesse o aviao?

ok

hoje tenho mais tempo para escrever e alguma vontade de exercitar verbalmente o luso idioma.

ontem: muggy sticky weather insuportavelmente quente.

‘philadelphia story’ at dusk no bryant park (inevitável imigrês). cheguei a tempo de reservar um último retalho de relva, estendi o meu lençol anil e esperei pelo pôr do sol e pela minha companhia, acompanhada pelo malcom lowry e o stevie wonder (que não partilham mais do que a nacionalidade). o pessoal salta e dança quando um spot publicitário anuncia no écran o início do filme. uma enorme salva de palmas responde à voz (off) que nos informa de que a katherine hepburn saiu do hospital. do filme não falo, porque não é preciso.

“oh, mike, put me in your pocket!”

b.o. means body odor

diariofranzi.jpg

repesco memórias esquecidas numa zip (foi dura a chegada a JC):

¶ o maior choque foi mesmo a chegada. não ao aeroporto, onde fui seleccionada

para um luggage check que me deixou estupidamente nervosa, nem mesmo com a

dificuldade do taxista (um negro enorme e gordíssimo, igual a tantos outros

que por aqui vivem) em encontrar o meu destino, e isto apesar do bendito mapa

que me lembrei de imprimir em casa com todas as indicações de auto-estradas,

estradas, ruas e ruelas para aqui chegar. foi mesmo com o “quarto”, que afinal

é uma casa. um apartamento, entre milhares de outros apartamentos divididos

por dois sky-scrapers de tijolo vermelho chamados James Madison e Thomas

Jefferson. uma cozinha, com frigorífico e fogão e mais nada (nada!, nem um

garfo nem um copo nem uma vassoura para amostra), uma sala (mesa e espécie de

maple imprestável de tão partido), três quartos bastante idênticos e sem luz

(cama de solteiro, secretária mínima e cadeira, mais cómoda de gavetas

partidas e roupeiro sem cabides) e duas casas de banho (uma com banheira sem

chuveiro e outra ao contrário).

quem me conduziu a tão desolados aposentos foi um americano, o RA (resident

assistant) de serviço. um inexpressivo chris de boné e barbicha (19-25 anos),

que me disse depois de alguma insistência como chegar daqui à cidade

propriamente dita e voltar, ao supermercado e ao centro comercial (onde ainda

não fui). informações sobre a localização do curso (a school of visual arts

tem uma meia dúzia de edifícios, não muito próximos uns dos outros) ou sobre

os meus eventuais colegas não tinha, mas prometeu investigar.

depois de um primeiro ataque de pânico, combatido com uma collect call, uma

investida ao supermercado (papel higiénico, maçãs e iogurte) e um duche

resolvi bater à porta deste mesmo chris (que mora um andar acima) para lhe

pedir que me deixasse ver o email no computador dele, visto não haver nenhum

outro meio de o fazer deste lado do hudson. passámos por três couch potatoes

cujos nomes não recordo (“we mostly sit around at home and do nothing, when

we’re not at work”) e instalei-me em frente a um monitor a dizer AOL (bendita

tecnologia) durante uns dez minutos.