the good citizen’s handbook

ainda no new museum, fiz uma das melhores compras da temporada: um livro chamado “the good citizen’s handbook” e que é uma colectânea de “civics texts, citizenships manuals, government pamphlets, and scouting manuals from the 1920s to 1960s”. depois de o ler fiquei a perceber melhor algumas coisas que por aqui se passam. eis alguns exemplos:

“the good citizen has a proper respect for the law and obeys it. this is not because of a fear of what may happen to him if he breaks the law, but because he desires to do what is for the greatest good of all.”

“tips to ensure that work does not dominate your life:

read (a lot)

take time each day to exercise, or join a sports team

each week see at least one movie

try a new recipe

join a community organization”

“spiritual values:

devotion to a religious faith helps keep a person mentally healthy. everyone needs the strength that comes from knowing that there is an order – and a power for good – in the universe, and that each of us has a place and purpose in the scheme of things.”

new museum

no new museum, ontem, uma retrospectiva do sul-africano e para mim desconhecido william kentridge. gravuras (ponta seca, água forte, água tinta e etc., entre as quais acho que se destaca uma série de 8 etchings chamada ‘ubu tells the truth”) desenhos enormes a carvão e pastel e, sobretudo, as animações feitas a partir destes desenhos, por vezes montadas em móveis e apresentadas como ‘installations’. a minha preferida chama-se “medicine chest”.

chove de novo

continuo a nao usar guarda-chuva. tarde de ontem no metropolitan: desenhar no museu, especialmente a um sabado, nao e facil. sobretudo porque qualquer coisa a ser desenhada por qualquer pessoa atrai logo dez vezes mais turistas. exposicao temporaria de pintura com um vuillard que tambem entra para o meu top ten (“le foyer”) e uma menina do balthus (em pe, de lado, a segurar o cabelo) pendurada ao lado dos menos conhecidos.

hoje os dominicanos estao em festa. andam a desfilar sexta avenida abaixo, cheios de bandeiras e colares, e vestidos de azul, vermelho e branco.

(aqui no easyEverything estao sempre a passar musicas antigas da sade)

sigo brodway abaixo, em direccao ao new museum, que e la para baixo mesmo no principio do soHo.

hispanic

hoje pode-se andar na rua sem perigo de desmaio iminente. nao esta frio nem calor, apenas humido. vou subir de novo (aos fins de semana dou sempre por mim no upper east side), desta vez ate ao MET a ver se faco uns desenhitos. passo tanto tempo a olhar para as coisas e para as pessoas (e olhar para as pessoas e o mesmo que ter um carimbo na testa a dizer ‘sou hispanica’) que nao tenho desenhado muito.

frick collection

na frick collection estava uma exposicao temporaria daquilo que por ca se chamam “master drawings”, quase tao boa como a da morgan library. entre outros igualmente memoraveis (os nomes dos naoseiquantellos e naoseiquantottis dos seculos XVI-XVII nao consigo nunca fixa-los), dois desenhos enormes do van gogh, um tambem gigante crisantemo do mondrian e um desenho de um senhor ilustrador, cujo trabalho me foi recentemente apresentado, chamado aubrey beardsley.

outra exposicao temporaria no mesmo museu, com o picasso mais bonito que vi ate hoje (menino azul com cachimbo) e outras preciosidades.

e ainda a coleccao propriamente dita (os rembrandts e os vermeers tem mesmo de ser vistos ao vivo!).

céu

ontem o ceu ficou tao escuro que parecia noite. escuro, quente, humido e pegajoso. sentei-me nas escadinhas de uma das igrejas da quinta avenida, a espera da chuva (e incrivel ver cair as primeiras pingas de chuva em dias como este). em nova iorque tambem ha malucos. acendi um precioso lucky strike e eis que alguem se aproxima (negro, vinte e tais, de aspecto bastante neutro mas despenteado). senta-se ao meu lado (e eu a ver que me ia cravar um cigarro), acende o que pareceu ser uma beata, vira-se para mim, espetanto um dedo da mao direita no braco esquerdo e pergunta com a voz demasiado arrastada “have you ever tried intra-…?”.

vai dai, fui ver a chuva debaixo dos toldos do louis vuitton.

(i’m cutting gae savannah’s class again)

de novo num wintel e a pagar. hoje esta tao quente como ontem, mas muito muito mais humido. consta que vai chover, mas aqui com o tempo e como com as abelhas do joanica puff. tive de dormir com o ar condicionado no maximo. devo recuperar finalmente o meu passaporte. e como confirmar o regresso a portugal. tomara que o consulado esteja fechado. a seguir subo ate a 70, pela beira do central park, para visitar finalmente a frick collection, qual boa turista que ainda sou.

my fortune cookie said “now is the time to try something new”.