

Puf, puf, puf (ainda aqui estou).

rosa. Originally uploaded by *L.
Parece-me que já não faltam muitos dias. A E. sentiu anteontem pela primeira vez inequivocamente os movimentos da irmã. Abraçada e de cara encostada à minha barriga (rebaptizada mundo e diariamante usada como cenário para as brincadeiras dos playmobils), saltou e riu com entusiasmo a cada empurrão do outro lado da pele. O movimento constante e a sensação de que reage muito mais ao mundo exterior (sobretudo à voz da E.) e de cada vez que lhe pouso a mão sobre a cabeça, descansam-me e libertam-me do exercício um bocado angustiante da contabilidade de movimentos das últimas semanas. Não sei se é característica dos bebés pélvicos, mas está a ser uma experiência muito diferente da primeira quando, depois de dar a volta, a E. se limitava a ir dando sinais, suficientes mas não tão constantes, de que tudo estava bem.
E links:
Jasper Boyd: um relato extraordinário e com final feliz.
Llantos y rabietas e The Baby Book lidos pela Mariana.


De alguma maneira, esta imensidão de posts sobre chitas granjeou novos clientes a certas lojas e outros tantos pares de olhos mais atentos a montes de trapo e fundos de baús. Se essa for a conquista deste blog, dou-me por satisfeita.
Esta chita lindíssima foi-me enviada pela Joana Miranda e, para além de ter passado imediatamente a ser uma das estrelas da minha crescente colecção (acho que já posso chamar-lhe isso), fez-me ter ainda mais a certeza de que um dia vou matar as saudades que tenho das jornadas na BN com uma investigação a sério sobre a história destes tecidos e destes padrões.

Não que a variedade de temas abordados alguma vez tenha sido o prato forte deste blog, mas os próximos posts prometem ainda menos do que o costume: por um lado os preparativos para o grande dia e por outro o progresso na minha ainda demasiado longa lista de afazeres. Este fim-de-semana terminei com alívio a encomenda de mais uma loja no Porto, a Design Futon, representante de marcas como a Stokke (de que cá em casa somos grandes fãs).
E mais:
#602 em Tóquio!
The unhappy hippopotamus: o boneco de pano mais bonito dos últimos meses mas num contexto nada simpático e que interessa a todos/as os/as babybloggers e afins: os destinos impossíveis de controlar das fotografias dos nossos filhos que publicamos on-line.
Creative embroidery: nada a ver com ursinhos e corações bordados a azul bebé (mais).

38 semanas reflectidas nos vidros duplos das nossas futuras janelas. Não foi fácil despedir-me das antigas, mas tenho tentado ver a coisa pelo lado positivo: não ter uma recém-nascida cheia de frio, não ter de se vestir qualquer coisa extra quando se chega a casa no Inverno, não desperdiçar tanta energia…
Comecei hoje a rotina dos CTGs: como nas últimas semanas da gravidez da E. soube-me bem aquele descanso morno ao som dos corações de todos os bebés da sala. Sem novidades (e sem perspectivas animadoras quanto ao recobro da cada vez mais provável cesariana), agora é esperar e gozar cada bocadinho destes últimos dias 2 em 1.
Ainda sobre cesarianas (obrigada por todos os emails e comentários), emprestaram-me (obrigada Patrícia) e recomendo o livro do obstetra Michel Odent sobre o assunto.
Links: uma barriga, um inquilino abusador e uma mãe pensante.

Quando a E. nasceu pensei durante quase seis meses que podia tornar-me dona de casa, mas agora atribuo tal desvario ao poder das hormonas do puerpério. Em vez disso dei comigo a trabalhar em casa, um dois em um com alguns contras (a que horas se sai do trabalho?) mas incomparavelmente mais prós, dos quais o principal foi sem dúvida o de adiar a ida para o infantário o tempo que achámos certo (dois anos e meio) para ela e para nós. Filha e neta de trabalhadoras licenciadas, levada ao colo para encontros de feministas no pós-25 de Abril, toda a conversa sobre a chamada new domesticity me cheira sempre um bocadinho a esturro (ou a Brise), apesar de ser inegável que faço mais ou menos directamente parte da coisa. Às vezes apetece-me deixar claro que não tenho a mínima sensibilidade para a decoração nem especial jeito para os bolos, que por aqui as prateleiras têm mais ensaio que ficção e bibelots nenhuns e que quase todas as tarefas domésticas não relacionadas com a maternidade me são mais do que penosas.
E o que eu vinha aqui escrever era só que estou a aproveitar os últimos dias para deixar satisfeitas as várias lojas que me fizeram encomendas, que no Brasil vou ter bonecos à venda muito em breve através do Folha Estúdio, que a Work&Shop já inaugurou oficialmente (com direito a reportagem na televisão e tudo) e que em Vila do Conde há postais meus na DesignComTexto.


A juntar às maravilhas oferecidas pela Catarina e pela Mary, este bebé que ainda nem nasceu recebeu um boneco da Trish, chegado de surpresa e acompanhado por três pares de carapins (doce palavra) mais do que perfeitos. Face à pandemia de bonecos de pano dos últimos três anos, sabe bem ver (e ainda melhor tocar) o cuidado e o gosto com que são feitos estes ou a frescura de trabalhos como os da dupla Piece of Cake. Thank you Trish!
Do lado de dentro não há ainda novidades. Depois de hesitar durante vários dias decidi não tentar a famosa acupunctura ou moxibustão (esta nem sei onde poderia fazer) nos mindinhos dos pés. O melhor artigo que li sobre o assunto foi este, do qual a ideia de que se o bebé está naturalmente de cabeça para cima pode ser que tenha boas razões para isso me pareceu válida e sensata. Isto por muito que tenha chorado depois de saber que uma cesariana implica duas horas de recobro, i.e., separação entre a mãe e o recém-nascido (duas horas, quando eu e a E. não estivemos separadas mais de dez minutos que ainda assim foram os mais longos de toda a minha vida). A ver vamos o que acontece nos dias ou semanas que faltam, e afinal são muitas as histórias de bebés que resolveram dar a volta em pleno trabalho de parto.