chapéu

Não é que a E. tenha menos tiradas dignas de memória, nem que a A. não me surpreenda diariamente com as suas habilidades, mas tenho escrito menos sobre elas. A explicação mais óbvia é a de que, por passar boa parte do tempo a tentar evitar que a A. se magoe durante os desportos radicais que passa o dia a praticar (sobretudo escalada e queda livre) e a resolver as crises existenciais da E. (porque é que eu não posso ser adulta já?), não sobra que chegue. Quando adormecem, saio finalmente um bocadinho da sanduíche de mãe que sou o dia todo, amarrotada e com sopa no cabelo, cheia de intenções de ler e de fazer e de pensar, e preciso é de ir ali para o meu cantinho do sofá fazer coisa nenhuma. Ou então de ir vê-las dormir, tão lindas.

do velho se faz novo

repro

Ao ver o post de hoje da Rita, e depois de passar na loja em causa e ver com os meus próprios olhos, não resisti a fazer uma contribução para um blog que sigo com atenção, o You thought we wouldn’t notice. O tema dá literalmente pano para mangas. Por um lado porque o plágio descarado parece ser uma constante na indústria têxtil (eu própria já o senti na pele) e, por outro, no campo do desenho de tecidos. Nos EUA (e também no Japão) há uma vigorosa indústria de produção de tecidos estampados, em grande parte estimulada pelo patchwork, que por lá tem honras de hobby nacional. Felizmente para pessoas como eu, muitos dos tecidos editados anualmente são reproduções de outros, antigos, entretanto caídos no domínio público. Algumas marcas fazem-no assumidamente, mas a maioria limita-se a re-editar assinando por baixo como seu, o que com a crescente quantidade de totós dos tecidos ligados à internet facilmente dá mau resultado. Foi o que aconteceu à designer Amy Butler, a quem no ano passado este episódio (o seu tecido é este) afectou a credibilidade ao ponto de a ter feito emitir uma espécie de comunicado muito pouco satisfatório. Os tecidos não deixam de ser bonitos, mas agora fica-se a pensar se algum será efectivamente original (e, como eu, há muito quem não vá na cantiga de que a originalidade não existe).

Nas fotos, dois entre muitos exemplos possíveis: Em cima, um tecido americano actual e o original reproduzido no magnífico livro Vintage Fabric from the States. Em baixo, um tecido americano actual (verde) e um retalho antigo (anos 30?).

Read more →

retalhinhos

senhora à janela

Os poucos dias que faltam para a A. fazer um ano foram a desculpa para experimentar inventar uma história de pano. A premissa era usar só restos de tecidos, e partir deles para construir o que fosse possível, uma página por dia. Esta tem um telhado que sobrou do #207 e uma matrioshka promovida a senhora alentejana vinda das sobras deste sling, mais uns retalhinhos deste quilt. A seguir, logo se verá.

Mais:

Louise-Marie Cumont por outros olhos.

Shizuko Kuroha: a vida começa aos 38.

Read more →

louise-marie cumont

louise-marie cumont

louise marie cumont

O convite para a inauguração tinha-me despertado a curiosidade e o post da Ana confirmou que era uma exposição a não perder, mas a visita superou as expectativas. A artista Louise-Marie Cumont (n. 1957) cria livros, mantas e outros objectos recorrendo quase exclusivamente a uma técnica tradicional de patchwork que consiste em criar blocks (quadrados) figurativos através da justaposição de quadrados, triângulos e rectângulos de pano. O padrão deste tipo mais conhecido é provavelmente o schoolhouse mas há muitos outros, que aparecem geralmente nos sampler quilts americanos desde os finais do século XIX.

As limitações da técnica são habilmente exploradas pela artista, que constroi séries a partir de objectos facilmente redutíveis a formas simples: a cadeira, a cama, o carro, a casa. Na exposição podem ver-se alguns dos livros e mantas produzidos por Louise Marie-Cumont em séries limitadas (alguns deram origem a versões impressas em papel) e há uma manta-brinquedo-gigante para mexer que torna ainda mais óbvia a qualidade técnica das peças e o cuidado na escolha dos materiais.

Mais sobre o mesmo:

Imagens da exposição e do workshop que teve lugar em Setembro.

Para quem quiser treinar a técnica, um livro japonês com alguns padrões (imagens aqui e aqui).

Os livros de pano da Rita e casas de retalhos.

Ema: Lindas ilustrações em tecido e a minha única incursão no género até à data.

Read more →

Page 1 of 3123