sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.


pram

Russell Lee, Women with Baby Carriage. 1938 (arq. Corbis).

Links:

One Ride Forward, Two Steps Back: os potenciais efeitos negativos da falta de contacto visual com os bebés que andam de carrinho. Vale a pena ler também as reacções dos leitores.

Can we shush the SUS?: carrinhos e obesidade e o meu carrinho é melhor que o teu.

Caricaturas vitorianas: Man pushing strabge carriage e The careless nursemaid.

stranded_starfish, Sem título, 2008.

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  1. Ainda que tanto me encantem os teus e outros slings pelo mundo, pela beleza e pela proximidade do bebê, tenho que dizer que não consegui levar meus filhos neles. Na época não me chegou nenhum feito de tecido tão maleável, mas experimentei alguns tipos de carregadores similares. Entretanto a combinação de bebês bem pesados e uma mãe bem pequena não me animaram a usá-los diariamente por me faltar forças. Então usei a maior parte do tempo um carrinho, que já foi re-reciclado várias vezes.

    Mas concordo que há um exagero de acessórios e badulaques que se alardeiam “super necessários” aos recém nascidos, e que nada mais são que dispensáveis.

  2. Os carros de bebé na maioria das vezes parecem uns verdadeiros trambolhos…

    Na verdade, grande parte das mães saca de um carro até para andar uns 100 metros, e inclusivé prefere começar por comprar outro trambolho: o “ovo” para carregar o seu bebé quando este ainda é minusculo.

    Sinceramente, a mim também me faz confusão como o babywearing ainda é tão desprezado!

  3. Há situações em que o sling é óptimo e outras em que só o carrinho me permite fazer a quantidade de coisas que faço num dia. De outra forma não aguentaria. Isto porque também eu tenho uma segunda filha que é um super-bebé e as minhas costas não aguentam muito tempo quando ando com ela ao colo pela rua. Quanto a mim o ideal é ter uma combinação de sling + carrinho.

    Confesso, Rosa, que o teu post me incomodou um bocadinho. Acho o sling maravilhoso (tenho dois teus lindissimos) mas espero que não se esteja a iniciar uma onda anti carrinhos que venha acrescentar mais culpa às mães que se esmifram por dar conta de todos os recados. Eu ando a fazer um esforço por me livrar do síndrome da super-mulher. E acho que muitas de nós precisam de o fazer. Se um carrinho me ajuda a estar menos de rastos ao fim do dia para então poder dar mais colo e mimos, então viva o carrinho! Quanto à tralha, completamente de acordo – a mínima possível. :)

  4. Os carrinhos de hoje são autênticos “formula 1″. Eles têm travões,tracção às 4,direcção assistida e até suspensões.

    Há 26 anos quando os tradicionais carrinhos de bebé começaram a ser substituídos, por estas novas máquinas. Eram os cajadinhos, ( fechavam-se todos e tomavam essa forma )as criancinhas ficavam com as costas todas enroladas. Tive a sorte de ainda conseguir comprar um à antiga. Uma versão aligeirada destes das fotos. Também tive um espécie de sling, vindo da Mother Care de Inglaterra, mas confesso nunca tive costas para transportar bebés ao colo e curiosamente o meu filho detestava andar ao colo e adorava poder espreguiçar-se dentro do carrinho, ele nasceu em Julho, talvez o calor do Algarve não ajudasse. Não li o artigo que fala da falta de contacto visual com o bebé , mas a mim nunca me faltou esse contacto, pois os meus filhos ficavam sempre virados para mim.

  5. Sou adepta do babywearing, mas a minha filha, de recém-nascida até aos quatro meses, não achaava piada nenhuma a ser enfiada e apertada no sling.

  6. no outro dia li um post divertido num dos blogs sobre ‘parenting’ preferidos exactamente sobre bebes e acessorios e muito se clarificou.

    http://nonchalantmom.blogspot.com/2009/03/new-parents-and-myth-of-baby-gear.html

    acho que te enquadras na categoria de mae urbana, eu ca na categoria de suburbana a dar para o rural! o carrinho nao o achei assim tao dispensavel, embora com o segundo filho lhe tenha diminuido o tamanho. as distancias sempre grandes demais para um sling (que as dores de costas nao mo permitiram) e uma casa em vez de um apartamento a simplificar o transporte das tralhas. em cidades como amsterdam, faz-se bom uso das pistas de bicicleta e as criancas sao transportadas de bicicleta em engenhocas cada vez mais sofisticadas. Agora confesso que o que experienciei em Lisboa nas ferias com um carrinho de bebe foi um pesadelo e compreendo a tua escolha.

    no entanto dou-me por feliz de ja nao ter carrinhos, nem maxi-coxis e afins. mas nunca tive/comprei muitos desses acessorios que afinal nao sao assim tao necessarios.

    No outro dia encontrei um carrinho dos anos 60 na rua em optimo estado, muito populares neste pais e nao raro ve-los desfilar com pais mais ou menos alternativos.

    http://www.ouderwetse-kinderwagens.nl/

    Depois de limpo deu uma optima brincadeira ate ser esquecido e arrumado a espera de um dia virar ‘zeepkist’.

    http://jeugdsentimenten.net/wordpress/wp-content/uploads/2007/04/zeepkist.jpg

  7. Tens toda a razão! Cada vez que agora olho para uma mãe de carrinho, ou pior, carregando na mão e com ar de sofrimento o pesado ovo vejo como desnaturalizamos completamente a forma de transportarmos os nossos bebés. Quando ando com a C. no sling ou no pano sinto-me estranhamente livre porque é como dizes, reparo que não trago mais do que uma simples malinha com fraldas e toalhetes…

    Para além do mais, noto que ela fica muito tranquila e é a forma de aliviar as cólicas e tudo, dormindo também no berço quando assim tem de ser (não ficam mal acostumados…). Mimo que consola e faz crescer muito mais equilibrado e saudável!

    Ah! E descobri uma vantagem acrescida do sling ou do pano, inibe todas as pessoas de “meterem a mão” na bebé!!!! Outro dia vinha uma vizinha a cheirar a cigarro por todos os poros, já pronta para lhe tocar na carinha, eu a arregalar os olhos de pânico e eis que se inibe por estar tão aninhadinha “dentro” de mim ;)

  8. Pois, no Reino Unido também há uma (pequena) campanha para os fabricantes de carrinhos e os pais não usarem os carrinhos do tipo em que o bebé fica virado para a frente, precisamente porque o bebé perde o contacto visual e a interação com os pais, o que, segundo dizem, afecta o desenvolvimento não só da fala mas também o desenvolvimento emocional.

  9. O meu post talvez soe um bocadinho radical, mas às vezes passo-me um bocado com as listas de nascimento que vejo por aí, que incluem coisas “indispensáveis” como “banheira de viagem”. BANHEIRA DE VIAGEM?? Quanto aos carrinhos, sinceramente acho que muita gente os usa demais e que deviam ser arrumados assim que as crianças aprendem a andar normalmente e não me espanta nada que já sejam considerados por muitos médicos um factor de risco para a obesidade infantil e falta de exercício físico. E aquelas capas de chuva e alguns carrinhos que ficam estilo casulo isolando o bebé do mundo exterior de certeza que não são mesmo nada saudáveis.

  10. Olá Rosa

    Levar os bebés juntinhos ao corpo sempre foi uma ideia que me agradou muito. Tenho duas filhas. Com a primeira tentei o tradicional canguru, mas ela odiava estar ali apertada. Não resultou. Com a segunda tentei o canguru e o sling (comprei um dos teus, muito bonito), e nada! Ainda pensei que era eu que não estava a colocá-la bem, li e reli as tuas instruções sobre como fazê-lo. Mas cheguei à conclusão que não, era mesmo ela que não gostava de se sentir presa. Também devo dizer que usei muito pouco o carrinho de bebé, porque ambas as minhas filhas, assim que começaram a dar os primeiros passos, não se aguentavam lá dentro (tentavam sair por todos os meios). Aliás, fico verdadeiramente impressionada quando vejo toddlers sossegadinhos nos carrinhos de passeio (não sei o que isso é …). Tudo isto para dizer que acho que depende muito do temperamento de cada bebé.

  11. Concordo com a Patrícia (tive a mesma experiência) e também no exagero de consumo nos acessórios que existem para os bebés.

    Acho que, como em quase tudo, o bom senso deve predominar também neste assunto dos baby carriers. Talvez uma criança relegada exclusivamente para os carrinhos, que não seja pegada ao colo, mimada e acarinhada, venha a sofrer de “efeitos negativos da falta de contacto com a mãe”, mas isso não se deve à utilização do carrinho, mas à falta de ligação com a mãe, parece-me. Assim como consequências ao nível da obesidade que, pelo que li, não advêm do uso dos carrinhos, mas do sobre-uso até a uma idade inadequada dos mesmos.

    Acho que há que reconhecer que os carrinhos têm vantagens, nomeadamente no caso de gémeos ou irmãos com pouca diferenças de idade e em termos de conforto para a mãe. Por isso: vivam todas as soluções que sirvam as necessidades das mães e dos bebés, sejam elas quais forem, slings, carrinhos ou outras!

  12. Banheira de viagem é hilariante. Assim como outras coisas: almofada própria para manter o bebé deitado de lado, maquinetas para aquecer biberons, etc. Que me lembre, o único disparate desse género que cá tenho em casa chama-se Babycook. Deu imenso jeito durante uns 6 meses mas se soubesse à partida que o iria usar durante tão pouco tempo jamais o teria querido. Mesmo assim já serviu para 5 bebés.

    Quanto aos carrinhos: acho que de facto devia era haver mais carrinhos virados para trás. É um erro e parece-me tão simples de resolver que nem percebo como ainda não o foi.

    Para acabar: tal como eu temia, há um tom de julgamento em alguns comentários que me deixa um bocadinho arrepiada. Por exemplo: o chamado ovo existe por ser a forma mais segura de um bebé muito pequeno viajar de carro. Estudou-se e trabalhou-se muito para se chegar até ele. Para além disso, é obrigatório por lei.

  13. A verdade é que no primeiro filho é dificil ajuizarmos as coisas por nós próprias porque nos falta alguma experiência e tendencialmente preocupamo-nos muito, pelo menos no inicio, com a opinião dos médicos e outras entidades mais entendidas (ou não) na matéria. Sempre ouvi dizer, e incluisivamente cheguei a ler em alguns artigos, que o melhor para o bebé seria sempre uma estrutura tipo carrinho ou ovo onde ele pudesse estar à vontade e onde se favorecesse a postura correcta da coluna. E que os marsupios deviam ser limitados ao minimo. Ainda tentei com a minha filha dois tipos diferentes mas ela pura e simplesmente não queria lá ficar. Por isso o carro foi sempre a alternativa. Se tiver outro filho é claro que vou tentar de novo os slings! Mas depende sempre da vontade deles, não é?

  14. É realmente um post polémico e a tocar o radical. No entanto compreendo-o.

    Acho que de facto se exagera naquilo que consideramos indispensável no enxoval do bébé, como de resto, em quase tudo.

    Este ano, enquanto preparavamos as coisas para entregar o IRS pudemos constatar que de ano para ano gastamos menos em farmácia. Fui ver com atenção, e para o 3º filho não compramos a quantidade e marcas dos cremes e afins que comprávamos para a 1ª e isso faz uma diferença de umas boas centenas de euros. Quem diz a farmácia diz outras coisas; roupas, sapatos, chapéus, brinquedos… É impressionante como diminuimos todos estes números. Ah e ele é lindo e saudável!

  15. apesar de não conseguir comentar este assunto devidamente, há uns tempos ajudei uma amiga minha a transportar um dos filhos bebés num ovo. bem, que peso, nunca pensei! e nem percebo ao certo qual a utilidade dele. é extremamente pesado, desconfortável e nada prático. (quanto não vale um sling!?).

    a partir daí tenho reparado bastante nas mães/ pais que os transportam (e que não são assim tão poucos), geralmente têm de caminhar completamente tortos para compensar o peso. enfim, um baby-gadget totalmente desnecessário (a meu ver).

  16. Quero só esclarecer para algumas das pessoas que comentaram que o objectivo primeiro do “ovo” é transportar a criança dentro do automóvel e que quando se opta por andar com ele na rua, há normalmente bases aonde o “ovo” se apoio e que servem posteriormente para encaixar o “carrinho” maior. Não têm obrigatoriamente de o carregar na mão, a não ser que queiram. Além disso, pergunto às adeptas exclusivas de slings: como fazem quando estão a almoçar em algum lado com o bebé, por exemplo? Ou quando vão a uma loja de roupa?Como é que se come ou se experimenta roupa numa loja com um bebé num sling? Não acham que os carrinhos afinal se calhar até dão jeito para algumas situações?

    Para além de, Rosa, chamar aos carrinhos “gigantesco porta-bagagens sobre rodas” será um bocadinho exagerado. É verdade que alguns parecem, mas hoje em dia há carrinhos óptimos, super práticos e leves (ver MacLaren) e que dão a partir dos 6/9 meses.

  17. C., também não sei como é que se experimenta roupa com um bebé num carrinho, porque em geral eles não cabem nos vestiários. Para os restaurantes, usei o sling nos primeiros meses – assim – e depois um magnífico Sack&Seat, que ocupa na mala o mesmo volume que duas fraldas. Claro que os carrinhos dão jeito em muitas situações. O que não são é indispensáveis.

  18. Acho que, como em tudo na vida, é preciso bom senso..

    Aderi ao sling com a minha filha mais velha e continuo a dar-lhe uso com o mais novo. Eles não só reagem ao sling de modo muito diferente um do outro, como à medida que crescem tb têm fases em que gostam mais ou menos… A alice, com 22 meses adora (decobriu que às minhas costas gosta de ir aos pinotes a fazer “cavalinho”) e o vicente de 8 meses, gosta quando tem sono e adormece, mas quando desperto, sente-se preso e tenta liberta-se. Tanto com um como com o outro, uso muito o sling em pequenas voltas, mas em passeios maiores e que envolvem ir ás compras, e carregar sacos a somar aos bebés, opto pelo carrinho. Basicamente vou alternando os bebés entre carrinho e o sling.

    Fiz questão de procurar o carrinho mais leve, compacto, fácil de abrir com uma mão e que perimitisse alternar entre os bebés fácilmente. Comprei-o quando o vicente tinha 3 meses.. só mais tarde me apercebi que, sendo virado para a frente, fazia muita falta esse contacto com quem o empurra, mas a opção de carrinho que permitia virar tb para quem empurra, implicava o triplo do orçamento e uma vez que alterno com o sling, face a esse valor incomportável não houve outra opção. O óptimo é inimigo do bom, mas senti na pele essa falta de contacto visual, nos primeiros meses.

    Agora tudo depende do ambiente em que se vive tb.. vim há pouco de londres e imaginava-me no metro com carrinhos, escada a cima, escada abaixo, que pesadelo!.. e morando num 5º andar sem elevador, vejo muitos pais chegarem-nos à porta de rastos, com um ovinho para transportarem um bebé de 1 mês.. surreal!

    Outra vantagem do sling, permite-me dar colo aos 2 ao mesmo tempo, ainda que não por grandes estirões, mas é indispensável para descer os 5 andares!.. é que a alice já anda, corre e salta, mas qd vê o irmão no colo, é certinho que tb vai querer!

  19. Eu utilizei o ovo, o carrinho e dois slings, cada um com a sua função específica; nunca mas nunca senti qualquer distância (física ou psicológica) entre mim e a minha filha até porque os momentos de ‘transporte’ são bastante limitados, circunscritos.

    Também eu espero que não se levante, por estas terras, uma onda anti-carrinhos, fundamentalismos são sempre de se evitar.

    Amélia M.

  20. Obrigada Rosa por mais uma vez trazeres um assunto actual para o “debate” no teu blog e nas nossas cabeças.

    Contudo, neste assunto, e pessoalmente, acho que se corre o perigo de colocar demasiados ovos no mesmo cesto. Acho que todos os objectos podem ter um uso inteligente e positivo e, simultaneamente, um uso desadequado e negativo. A questão centra-se mais na forma com se usa e não no objecto em si. Estou certa que até no caso do sling possa haver quem o use de forma desadequada. Eu pessoalmente, sou adepta do babywearing e também do carrinho. A minha filha andou entre o saco canguru “babybjorn” e o carrinho em passeio e dentro de casa. Vivo numa zona onde há enormes espaços verdes e poucos ou quase nenhumas barreiras arquitectónicas. Entre o nascimento e os 3 anos fazia diariamente 2 a três passeios ao ar livre com ela e nunca deixei de interagir mesmo quando passou a andar virada para a frente…altura em que testemunhei a sua imensa alegria em descobrir o mundo pelos olhos dela. Visitei muitas cidades estrangeiras com a ajuda do carrinho assim como museus que de outra forma nunca teria tido oportunidade de experiênciar com ela. Ainda em Dezembro passado os fizemos…a partir de certa altura começamos a usar o carrinho com o regime de “hop on hop off” e nas nossas sinergias familiares funciona lindamente: Estou certa que nunca prejudiquei o seu desenvolvimentos muito pelo contrário. Portanto, acho que mais do que serem os objectos que impelem as pessoas para maus comportamentos são as formas acríticas e autómomatas com que o

    fazem, não será?

  21. gostei de ver as alternativas! Eu nunca consegui a primeira opção, mas também porque sou super despistada e tinha medo o tempo todo de deixar cair comida (ou pior, chá quente ou café) em cima do bebé, mas gostei da segunda opção, quando possível!

    De qq maneira, eu adoro o conceito dos slings e acredito realmente que os carrinhos não sejam indispensáveis para algumas pessoas! No fundo o que é importante é mesmo que todos se sintam bem: bebé e mãe!

  22. Um post que li com interesse, mas acho que devemos ter algum cuidado.

    Do meu 1º filho não usei sling, tenciono usar com este meu 2º filho. Já conheço algumas mães com slings muito satisfeitas, uma delas porque eu a apresentei ao conceito, aderiu e gostou/gosta bastante.

    Há de facto muita coisa desnecessária, apregoada com imprescindível para os nossos bebés. Mas também o há para qualquer faixa etária (por exemplo, para as mulheres de meia idade os pensos para as pequenas perdas de urina… isto é tornar normal um problema de saúde junto de um target que sofre em silêncio o problema da incontinência urinária, como se isso fosse normal. E exemplos destes há muitos).

    Mas confesso que não acho que o “ovinho” seja algo desnecessário. Para sair com o bebé seguramente, mas não para o transportar no carro.

    Com a taxa elevada de mortalidade infantil nas nossas estradas, em que constantemente vemos crianças se mal transportadas nos carros por pais, familiares e amigos, passar a mensagem de que os “ovinhos” são dispensáveis é na minha opinião algo a acautelar.

    O “ovinho” foi feito para o transporte do bebé no automóvel e para períodos curtos (pouco mais de 1h30, porque não está desenhado para respeitar a coluna do bebé). Há quem saiba e quem não saiba disso, mas essa informação consta no livro/manual que acompanha o produto.

    O problema que se coloca é, ainda hoje, muitas pessoas acharem que o colo é mau. Aliás, no meu caso, quando o meu filho nasceu inúmeras pessoas (quase todas mais velhas, mas também algumas jovens) alertaram-me para os perigos do colo e não só. Há ainda quem fale em manha dos bebés.

    Estou a frequentar as sessões de preparação para o parto no centro de saúde da minha área de residência e devo dizer que os panos e slings são amplamente divulgados como um modo excelente de transporte dos nossos bebés. Podemos levar para o hospital sem qualquer problema de ouvir comentários mais desadequados por parte dos técnicos, que pelo que percebi já estão sensibilizados para esta temática.

    Aos poucos as mentalidades mudam.

    Mas há questões de segurança rodoviária que não podemos descurar porque há muitos bebés e crianças que morrem na estrada simplesmente porque não são devidamente transportadas.

  23. Correndo o risco de me tornar a melga de serviço (e de não conseguir acabar o trabalho que tenho em mãos):

    Rosa: já experimentei muitas vezes roupa em lojas com o carrinho dentro do vestiário. O sack & seat também é uma grande invenção, é verdade, mas se estás a almoçar com um bebé de dois ou três anos que de repente tem sono o carrinho pode ajudar muito. Enfim, o que me parece é que tudo depende da forma como se gerem as coisas. E as pessoas têm vidas muito diferentes e portanto necessidades diferentes. Sinceramente a mim faz-me muito mais confusão outra coisa: as crianças que passam horas dentro dos carros a aturar o mau humor dos pais gerado pelo stress do trânsito. Ao pé disso, o ar fresco na cara e o contacto com o mundo sem redomas parece-me bastante mais saudável.

  24. Tenho de concordar com a Inês Nogueira. o meu filho enquanto era pequenino andou quase sempre num marsupial ou num sling. Ele adorava e eu também. Mas tive dias em que o que eu mais queria era ter o carrinho ali à mão. Acontecia por exemplo quando precisava de ir comprar roupa e nem a conseguia experimentar (ele ficou até aos 9 meses sempre comigo e não tinha como o deixar nem por meia hora). Os carrinhos também dão imenso jeito em Lisboa quando eles já não querem ir ao colo mas as ruas estão cheias de trânsito. E são também óptimos para visitar museus e feiras de arte (acontece frequentemente por aqui) durante horas a fio. ele não aguenta tantas horas de pé e assim vê também as exposições e quando se cansa dorme uma sestinha. Obesidade? Eles não passam a vida no carrinho! As mães não merecem ter complexos de culpa. Cada mãe dá o máximo de si. beijinhos

  25. Como em tudo deve prevalecer o bom senso, os meus 3 filhos nunca tiveram sling, tiveram carrinhos reciclados de familiares e muito colo. O mais velho teve canguru e odiava, quando eram pequeninos andavam no carrinho virados para mim, ou para quem o transportava, mais velhinhos virados ao contrário para poderem ver tudo bem visto. Fazer do sling uma religião parece-me um disparate e deduzir que os bebés/crianças têm por isso menos contacto corporal maior disparate ainda, os meus filhos tiveram colo até terem mais de 10 anos (comigo ou o pai sentados) e quase serem maiores do que eu. Cada pai ou mãe julgará por si. Não tenho nada contra os slings, antes pelo contrário.

  26. Pois as questões colocadas às adeptas exclusivas dos sling têm repostas parcas:

    Restaurantes – pelos vistos é necessário comprar-se ‘mais um acessório’ para colocar o bebé na cadeira do restaurante.

    Lojas – algumas lojas, cá, em Portugal, já têm cabines especificas para deficientes motores, cabines maiores, as quais permitem a entrada de um carrinho de bebé; as que não permitem,perde-se a vergonha e deixa-se o pano da cabine entreaberto para se controlar o bebé/carrinho que fico junto à entrada da cabine.

    Também gostava de saber como é que se transporta no sling um bebé de 1 ano que já pesa quase 10 quilos, o pano/sling permite tal peso mas e as costas da mãe….?

    Amélia M.

  27. muito tinha a dizer sobre carrinhos e slings, tentando resumir:

    -não sei como sobreveria sem sling e já 12 meses passados continuamos a desesperar se nos esquecemos dele! não faltei a nenhum jantar durante os primeiros meses de maternidade, o meu filho dormia como um anjo durante os meus jantares passeios etc. nunca precisei de cortar radicalmente a minha actividade para alem de mãe, cheguei a ter episódios engraçados como pessoas do próprio jantar pensarem que tinha o braço partido e nem se darem conta que carregava o meu próprio filho. à custa de ter insistido em dar de mamar também reduzi drásticamente a parafernália envolvente a esse facto, bastava-nos ter-nos um ao outro por perto e era só.

    -nunca usei a mala própria para carregar as ditas “tralhas” que no entusiasmo da preparação para o nascimento do primeiro filho comprei. sempre inclui na minha mala unicamente uma bolsa com uma muda de roupa, fraldas, toalhitas e uma fralda de pano que é sempre multi-usos.

    -quanto aos carrinhos

    -o tradicional “ovo” parece-me impossível de prescindir para quem também circula de carro como é atrás referido. é obrigatório por lei e numa semana com tantos acidentes com crianças nem importa questionar o seu uso.

    -quanto ao carrinho- embora abuse do sling ( agora que o meu filho ultrapassa os 10 kg às vezes custa) não prescindo dele na mala do carro porque ainda há sestas, porque às vezes preciso de aliviar as costas e porque carregar uma criança e sacos de compras é duro e o carrinho às vezes dá jeito para pousar as compras e o filho leva-se no sling :)

    -sempre usei o carrinho virado para mim.

  28. Bom, eu estou grávida do terceiro e descobri os slings com o segundo. Fui mto mais livre com o segundo do q com o 1, e com este conto ainda se-lo mais pq vou somando a pratica e a noção das necessidades reais. O carro q comprei com o 1º esta emprestado e nao conto pedi-lo de volta pq com o segundo usei-o meia duzia de vezes. E qto aos ovos, sempre foram emprestados e nunca saiam do carro, eram tipo cadeirinha de bebe permanente, como as dos mais velhos.

    O meu marido ja usa o carro mais vezes e, apesar de me apoiar no babywearing (e ja lhe pedi um sling novo qd o terceiro nascer) nunca experimentou e nao acho q tenha vontade de o fazer.

    Em relação ao resto da tralha, a cada filho q passa vou despachando a maioria das coisas. E em relação as banheiras (so li os comentarios ate meio) nunca tive nenhuma, nem de casa, nem de viagem. Sempre dei banho no lavatorio, enquanto couberam e depois passei-os para a banheira grande ai, sim, usando um apoio (uma especie de cadeira reclinavel mto simples, de turco, da bebe confort).

    Voltando aos slings, a principal vantagem pratica foi a mobilidade dispensando o carro e usando o autocarro e o metro q sao os meus meios de transporte preferenciais. Acho q nunca me atreveria a entrar de carrinho num autocarro. So a imagem me cansa.

  29. mas sim rosa, no essêncial concordo contigo. a maior parte das vezes o carrinho carrega-me mais as compras que o filho :) mas dá-me jeito…

    se bem doseado essa questão das distâncias é insignificante

  30. pelo que li, já fiquei muito mais esclarecida. então o ovo é para o carro (pensei que para o carro se chamasse apenas ‘cadeira’ e que não fosse “movível”).

    como é óbvio o meu comentário anterior referia-se ao uso do ovo no dia-a-dia, sem automóvel, em caminhadas a pé pela cidade, como tantas vezes vejo. daí a minha indignação e o achar totalmente desnecessário.

  31. só queria acrescentar que isto gera muito comentário!

    é preciso contextualizar o que a rosa quer transmitir e claro que ao fazer este breve apanhado histórico ficou a soar ao radical

    para além disso imagino que a rosa não precisa de usar tanto o carro como uma grande parte das mães e nalguns esquemas de rotinas diferentes há alguns ajustes naturalmente a fazer…

    parece-me que a rosa quis transmitir uma ideia e não radicalizar o uso do sling ou do carrinho.

  32. Não querendo tirar o lugar à Inês Nogueira…

    - Não é fácil andar com carrinhos na maioria das ruas de lisboa, entrar em grande parte dos elevadores, subir a 3ºs andares

    - os bébés aquecem muito quando transportados dentro dos cangurus (nunca tive um sling)

    - tive um extra espectacular! uma almofada para amamentar, oferta dos sogros depois do nascimento do 3º neto. pena não ter sido no primeiro (mas não sabiamos da existência de tal maravilha) pois deixei de chorar baba e ranho cada vez que dava de mamar. as dores de costas são muitas, depois do 3º filho e de muitos quilos de engorda.

    - sim, usei o ovo, sempre! é obrigatório por lei. depois, não tirava os bébes de lá porque estavam quentinhos e tinha medo que se constipassem. custa muito carregar bébe+ovo às vezes compras e dar a mão às irmãs!

    - os ovos, carrinhos e etcs dão jeito para quem tem de andar de carro. o meu sonho foi sempre poder usar o metro, mas nunca tive essa sorte.

    Por último, Rosa, obrigada pela perspectiva histórica do uso do carrinho, não fazia ideia.

  33. Mais uma achega:

    O que eu acho que a Rosa queria dizer é que há pessoas – e a maioria provavelmente nem lê este blog – que desde o biberão até ao mudar de fralda, passando pela sesta, pelo embalar, e pelo pendurar de uns bonequinhos para fazer ginástica com as pernas, tudo fazem, durante um dia, com o bebé sempre no carrinho. Já observei isso várias vezes e, principalmente o dar o biberão, faz-me muita impressão.

    Os meus 3 nunca gostaram de slings/cangurus, a não ser por pouco tempo e quando tinham uns 5 ou 6 meses (no canguru; mas aí doíam-me imenso as costas porque eles eram grandes). O 3º experimentou mesmo o sling de uma amiga minha que o usou nos filhos dela até terem uns 3 anos e odiou, a não ser que estivesse a dormir (e quando era recém-nascido; ele é mais velho que a A., já não apanhou os teus slings, Rosa ;), mas foi talvez o que se aguentou melhor no babybjorn que me emprestaste).

    Fora de casa o que eu fazia era andar com eles à anca, em distâncias curtas e por períodos seguramente mais curtos que horas pela cidade ou no parque, quando estavam fartos do carrinho.

    Até porque assim que nos sentávamos ou parávamos em algum lugar eles queriam era ir gatinhar/andar para o chão (gatinharam muito cedo e por muito tempo, porque não andaram muito cedo)e o que mudou mesmo foi a minha percepção do que é ou não um nojo ;)

    O que interessa é que se respeite, sempre que possível, o que o bebé/toddler quer: uns gostam de estar aninhados a observar, outros gostam de estar sempre a explorar e com liberdade de movimentos… não falte colo e sensatez, todos poderão ser saudáveis.

  34. O meu carrinho usei-o umas duas vezes e depois arrumei-o “para sempre”… com um sling ou pano consegui andar com o meu filho até aos 20 quilos:) para mim o carrinho era um empecilho à minha liberdade. Na realidade todas estas coisas que as mães acham que precisam são só “coisas”… mudava a fralda dele em cima do pano, na relva ou onde fosse, e tudo o que ele precisava era duma fralda extra e das minhas maminhas… é bom ser mãe sem estar presa a uma série de “coisinhas” que é suposto precisarmos. Ser mãe é tambem saber ser descomplicada. os bebés agradecem, a a nossa sanidade mental agradece:)

  35. Não consigo perceber os extremismos em relação a este assunto.

    Quando tive a minha filha (1 ano depois da E., Rosa), ainda não tinha conhecimento dos slings. No entanto, uma das primeiras coisas que comprei foi um kanguru, que faz a mesma coisa.

    Por ter o Kanguru, nunca dispensei o carrinho, até porque os usava em alturas diferentes: quando saia sozinha com ela, preferia o “babywearing”, quando ia acompanhada ou em passeios mais longos, preferia o carrinho.

    Quando estamos sozinhas é INSUPORTÁVEL conduzir um carrinho de bébé por ruas sem quaisquer acessibilidades, daí optar pelo kanguru nessas alturas. Além disso, ela gostava era de ir voltada para a frente (isto p/ as pessoas que falaram do contacto visual).

    Parte do problema com os carrinhos vem da publicidade que teima em vender “carros de formula1″ para bébés. São verdadeiros autocarros. Inúteis.

    Para mim, um bom carrinho é aquele que fecha e fica em forma de bengala, e cujo assento evolui com a idade da criança. Tem de ser LEVE – até porque na altura morava num 4ºandar sem elevador (!). Na mesma estrutura de carrinho, que era da Bébé Confort e o modelo mais barato que havia, apliquei o ovo, e depois a cadeira.

    Este carrinho foi uma bela compra, e não o trocaria.

    A dependência da criança ou atraso no desenvolvimento motor não advém do carrinho, mas sim da atitude dos pais.

    Estamos numa sociedade que utiliza o automóvel para se deslocar 100m. É natural que mal tirem a criança do carro, a coloquem imediatamente noutro.

    No caso da M. desde cedo que começamos a insistir para ela fazer todos os percursos a pé e por isso, todos os dias faz no mínimo 2Km, que é o percurso de ida e volta da escola.

    O carrinho não provocou nenhuma dependência.

    Adoro a ideia do sling e se tivesse outro filho agora, usava um sem hesitar, mas tenho consciência das suas limitações.

    Quanto a acessórios inúteis associados á maternidade (oh meu deus que belo post era esse!), porque não começar com a chupeta?

  36. Alice:

    Talvez, mas como mãe comprovo todas as vantagens da chupeta elencadas no artigo :)

  37. ufa

    (só li alguns comentários com mais atenção)

    concordo em absoluto com a Rosário Albuquerque – o bom senso, as enormes vantagens do carrinho e o enorme pragmatismo das mães de mais-de-um…

    eu caí no erro de comprar um carro gigantesco com a mais velha. cedo percebi, vendi-o e comprei um mais prático.

    quase todos os pais tomam decisões escusadas relativas à logística das crianças…

    em suma, e tentando apanhar a intenção da rosa ;) : o que é demais é exagero – para tudo! infelizmente sabemos há muita gente sem sensatez.

    já agora: nunca dei o biberão no carrinho à mais velha – ai mas podes crer que dei à mais nova!!! lol

    tantas horas sozinha com as duas, zumba!, uma sentada no carro a beber e a outra ao meu colo a ler um livro, olé!

  38. Obrigado Rosa por gerares esta saudável discussão. De facto, somos todos pessoas diferentes, e com vidas diferentes, e por isso é natural que tenhamos opções diferentes na forma de transportar os nossos filhos. Li no outro dia que os bebes não deviam andar virados para a frente nos carrinhos e fiquei super surpreendida. Quando R. começou a andar virada para a frente adorou! Ficava fascinada com o mundo que estava a sua frente, metia-se com as pessoas e andava sempre de sorriso na cara! Tambem usamos e abusamos do tradicional canguru. E, como R. andou tão tarde, usamos ainda em férias uma mochila para ela andar às costas. Mas usamos imenso o carrinho, e muitas foram as sestas que ela dormiu ali! Acho que entre os muitos acessórios nunca deixámos de comunicar com ela, e de ao mesmo tempo a permitir ver o mundo.

    Mas ha uma coisa que nunca percebi: porque é que se tapa a cara dos bebes com uma fralda quando andam num carrinho na rua. Ja perguntei a varias pessoas e ninguem me sabe explicar… e não percebo. Acho que no meio disto tudo é a unica coisa que me faz confusão…

  39. Eu sou adepta do sling e do carrinho !!!

    Tenho 2 filhos,e quando o F.foi para a escola ( aos 3 anos) surgiu-me um problema.Como tinha sempre que levar o G.comigo( na altura com 7 meses )tinha que arranjar uma forma práctica de o levar ao colo,mas num sistema mãos livres,de forma a poder dar a mão ao F.,segurar casacos,mochilas,guarda chuvas,etc,etc.

    Ainda comprei um marsupial tradicional,mas fui devolver pq me sentia completamente desequilibrada e não me parecia que o G.ficasse confortável.

    Pesquisei na net e encontrei os slings e achei que era a solução perfeita-rápido;práctico,sem fitas para ajustar e mais importante de tudo o G.adorou !!!

    As idas á escola tornaram-se no momento do sling!

    De qualquer forma,continuo a usar bastante o carrinho noutro tipo de situações.

    Uma ida ás compras ou por exemplo ao parque com os dois( que faço muitas vezes ) e que implique carrinhos e tractores,bolas de futebol,lanche para os dois,não há nada melhor que um carrinho com um cesto grande!!!

    Além do mais o G.pode fazer uma sesta e eu posso estar mais á vontade para brincar com o F.

    …e as minhas costas agradecem

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