meias de alvito

meias de Alvito

meias de Alvito

Sexta-feira pela manhã recebi um email que dizia: Meias na Feira dos Santos em Alvito! (de 30 de Outubro a 1 de Novembro) e prometia mais informação no site da junta de freguesia. O desdobrável aí apresentado (ver aqui e aqui) pareceu-me tão invulgarmente bem feito que a prioridade para o fim-de-semana passou a ser rumar mais uma vez ao Alentejo. A exposição durou só os três dias da Feira dos Santos e ocupava um dos stands da mostra de produtos regionais (onde também fiquei a conhecer o mais mediático sapateiro de cuba). Realizou-se por iniciativa do presidente da junta de Alvito, António João Valério e com a colaboração de Luísa Valério, autora dos textos e também ela fazedora de meia. Para montar a exposição, produzida com o mínimo de custos, foi feito um apelo aos moradores e em pouco tempo reuniram-se trinta pares de meias nos vários géneros produzidos na região: lisas e rendadas, brancas e coloridas (entre elas umas altíssimas, roxas tal e qual estas), de mulher e de homem, por estrear, remendadas ou meias feitas. Junto delas, as célebres agulhas de barbela (onde é que se fabricam hoje em dia, que não há meio de encontrar a fábrica?) e os lindos ganchos esculpidos em madeira.

Longe do contexto urbano, do youtube e dos mil e um livros estrangeiros sobre o tema, numa região em que já só as avós conhecem as técnicas e o nome dos pontos, uma mostra como esta tem ainda mais importância. É que nas aldeias fazer malha está bem longe de estar na moda. Os meus parabéns à Junta pela iniciativa.

meias de Alvito

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18 comments » Write a comment

  1. Tão lindas!
    Já tenho vontade de fazer um novo par de meias. No inverno passado fiz dois pares (as primeiras, e fiquei fã: com o resultado e com o processo também!) e sobraram ainda dois matizes dos novelos comprados na retrosaria. O tempo não tem dado para tudo…

  2. O que se descobre lá para as minhas bandas Rosa.
    A Feira de Alvito era uma das que eu gostava sempre de ir. Fazer meia ainda há quem faça e não são só avós.
    Pois eu fui para Monsaraz onde descobri um tear delicioso, pena que já tivesse dono e outro galo cantaria.

  3. Que bela iniciativa. Pena não ter sabido antecipadamente. Gostava de ter dado uma espreitadela. Será que é uma iniciativa para repetir? E um catálogo da exposição não seria uma boa ideia?
    Da minha experiência estas agulhas de barbela não vinham de nenhuma fábrica. Algumas pessoas “ajeitavam-se”, umas saiam melhor, outras pior. As da minha bisavó eram feitas de raios de rodas de bicicletas – eram recicladas. As da Tia Maria, as agulhas mais novas, foram feitas pelo filho, mas não eram tão boas como “as dela”, que já tinham a barbela gasta. As da Maria serviam para fazer renda de duas agulhas. Em Portalegre, a loja das lãs vende conjuntos de 5 agulhas muito finas, “caseiras”, mas a barbela não é feita da mesma maneira…
    Tenho tido curiosidade por este tema e já tenho reunido algumas fotos de meias que pedi emprestadas e de pontos utilizados, aqui no Alentejo. Há tradições que se perdem, os pontos tinham nome, eram as andorinhas… e outros que não sei. As pessoas que sabiam destas coisas são cada vez menos. É pena!
    Que tal partilharmos um pouco do que todas vamos conhecendo?

  4. Bárbara, também tenho dessas agulhas caseiras, feitas com raios de bicicleta ou varetas de guarda-chuva, mas sei que se faziam industrialmente agulhas com barbela em inox próprias para meia, porque já vi muitas a uso e tenho um conjunto por estrear. Queria era encontrar o fabricante, caso ainda exista…

  5. Olá Rosa,
    Belíssima iniciativa esta e uma oportunidade rara. Também eu gostaria muito de a ter visto ao vivo e a cores e por isso faço aqui um apelo: se tiveres conhecimento de iniciativas deste tipo,e sempre que possível, seria óptimo que as pudesses partilhar connosco antecipadamente. Obrigada uma vez mais pelo trabalho de divulgação e pelas excelentes fotos :)

  6. Tão lindas!

    São mesmo como as que fazia a minha avó materna (que é de uma aldeia perto do Alvito.

    Eu herdei as agulhas dela de barbela de fazer meias…são lindas e são de inox (tenho de ver se tem algum simbolo da fabrica).

  7. Olá,
    lembro-me bem dessas agulhas,
    na minha aldeia quem fazia eram os ciganos em troca de hortaliça,
    bjo

  8. Olá Rosa,

    Sou sua leitora frequente e já andei deixando alguns comentários por aqui. Preferiria escrever-lhe de modo mais privado, mas não encontrei um e-mail seu. Vamos lá:
    Sou do Brasil, atriz e narradora oral. Um dia passeando por aqui, vi um tecido seu com estampa de princesas adormecidas e fiquei encantada. Por isso me surgiu a ideia: vc poderia corsturar-me um figurino?
    Não tenho pressa, mas gostaria muito de ter uma roupa feita por você.
    Visite meu blog, caso se interesse saber mais de mim e do meu trabalho. Espero ouvir de vc em breve, para continuarmos a negociar este trabalho.
    Um grande abraço,
    Emilie

  9. Que maravilhas!
    De louvar esta iniciativa e que seja a primeira de muitas!
    A descrição abriu-me o apetite.

  10. Olá Rosa. Leio-te precisamente aqui de Alvito. Deixo-te outra sugestão já que resolveste aventurar-te pelo mundo das feiras tradicionais. No final do mês ainda acontece também a Feira do Montado em Portel. Não sendo tradicional, no mesmo sentido em que são a de Alvito e a de Castro Verde (que, de resto, são feiras com mais de 500 anos!) tornou-se uma mostra muito interessante do que de mais genuino e de melhor existe por este Alentejo. Neste mesmo concelho existe depois lá mais para a frente uma outra iniciativa que é o congresso das açordas: um fantástico fim de semana em se pode discutir a aprender sobre as formas tradicionais de comer e, claro, degustar umas belíssimas açordas!
    boas voltas!

    é claro que, se precisarem de guarida, há por aqui uma casa aberta!
    Sofia

  11. Olá, gostei muito deste post mas queria falar-lhe de um outro local onde se fazem ainda verdadeiras meias de lã, que se chama Alvite, até no nome é parecido com Alvito! Fica no concelho de Moimenta da Beira junto á cordilheira da serra da lapa.Pode ainda lá encontrar as senhoras que as fezem á mão e que depois as vendem nas feiras e romarias da região, apareça por esta região que tem muito para oferecer e prove o queijo de mistura e o pão da lapa.
    Cumprimentos

    Fernando O Santos, Lamego

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