No Mezio funciona aquela que é provavelmente a mais interessante cooperativa de artesãos do nosso país, a Associação Etnográfica do Montemuro. Por cima da loja fica o museu etnográfico, onde cada peça está legendada com o seu nome local (bem, tirando o triste neologismo trapologia que ainda estou para saber quem foi que inventou). Ou a região de Castro Daire é especialmente rica em tradições têxteis ou nenhuma outra das que visitei até hoje fez tão bem o respectivo levantamento. Percebi como se fazia a torcida dos fios fiados em casa (lá diz-se ugar os fios e torcê-los no fuso-parafuso), vi baralhos de agulhas de tricot talhadas em madeira de urze, meias especiais sobre as quais vou escrever mais a sério em breve e uma técnica de fazer mantas ou tapetes de malha com trapinhos pelo meio que pensava só existir no Algarve. Isto para não falar no ponto de crochet quebra-cabeças que ainda não consegui deslindar nem encontrar referido em lado nenhum, nas pulseiras e tigelas de tricot, nas colchas de puxados, nos naperons de papel recortado, nos alforges e nos tamancos de madeira e burel…
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A prateleira (na 2ª fotografia) fez-me viajar até à casa da minha avó paterna que, numa cozinha de áreas largas onde cabia um forno de cozer pão e onde se cozinhava em panelas de ferro com três pés, adornava uma prateleira com esses ‘naperons’ de papel recortado (mas isto muito mais a norte).
A última fotografia é linda!
Suas fotos são muito belas, e seus textos são de uma riqueza sem tamanho!
trapologia… será a ciência q estuda aquela do “ai filha, hoje sinto-me um trapo”?
rica passeata!
Olá Rosa,
Sabe tão bem ver um projecto Português num site estrangeiro!!
Há muito que acompanho o Kirei e os projectos giros que apresenta. Portanto foi uma agradável surpresa ver algo que conhecia tão bem =)
Coisas bonitas ! o quilt em log cabin, o naperon de papel recortado, as cerâmicas …
Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » nana menino:
The pottery is especially gorgeous!
A casa dos meus avós tinha isso tudo e mais umas quantas capuchas das que falas mais abaixo. Memórias lindas, ricas e tão nossas! Muito obrigada por tentares manter viva tão belas tradições.
Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » tapetes de trapos presos: