mosaico hidráulico 2.0

mosaico hidráulico
mosaico hidráulico

Há oito anos, que foi quando comecei a fotografá-los regularmente, mostrei aqui o mosaico hidráulico mais bonito das lojas do Bairro Alto. Era na Casa Varela, ao cimo da Rua da Rosa. Nos meses e anos seguintes assisti à destruição de muitos destes pavimentos neste bairro e noutros. Porque era feio, porque era velho, porque era proibido. Continuou a acontecer, mesmo depois de entrar tão obviamente na moda, continua a acontecer agora, mesmo quando as revistas estrangeiras e os caçadores de tendências já olham para ele: o lindo chão da Casa Varela, que fechou entretanto, foi – inacreditavelmente – uma das vítimas mais recentes.

Mas, uns metros acima, no Príncipe Real…
O tempo dirá se é tendência passageira e demasiado gentrificada ou chega para ganhar raízes e abrir os olhos de quem vai a tempo para a preservação dos pavimentos antigos, mas a verdade é que há cada vez mais espaços novos a optar por este chão. Uma parte dele, suspeito, vem de Marrocos, onde muitas empresas vão buscá-lo por ser mais barato, e também há imitações (?!). Mas por cá há fabricantes novos, fabricantes sobreviventes e outros que reencontraram uma vocação antiga. Vale a pena conhecê-los e apoiá-los:

Somor, em Montemor-o-Novo.
Mosaicos d’Alcaria, na Vidigueira.
Artevida, em Fronteira.
Projecto Mosaico, em Sintra
E, claro, o Sr. Lúcio Zagalo em Estremoz.

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  1. Ainda existe muito mosaico hidráulico (que entretanto vai aparecendo no mercado com outro nome) em escolas públicas, de 2 e 3º ciclo. Algumas bem no centro de Lisboa.

  2. Para além dos fabricantes que são mencionados existe ainda a “Azulima” do Porto que também os fabricam artesanalmente. É claro que depois de anos a atentar contra um material de revestimento tão nobre, hoje volta a estar na tão na moda que a “Recer” lançou uma série de imitações em porcelanato. São muito boas imitações e os ladrilhos são muito mais duráveis que os verdadeiros, mas não têm a mesma poética. As “Padarias Portuguesas” do “Gato Fedurento” José Diogo Quintela usam um dos modelos porcelânicos da Recer. É claro que o porcelanato não absorve a “patine” típica da idade porque não é um material poroso. Os verdadeiros hidráulicos têm uma base de argamassa cimentícia com uma camada de acabamento com argamassa do tipo marmorite. O que lhe dá resistência é a compactação em prensa hidráulica (daí deriva o sua designação). Estes ladrilhos têm por isso uma espessura muito superior aos porcelânicos. Enquanto que um mosaico hidráulico tem 2,5cm de espessura, a de um porcelânico ronda o 1cm. Muitas pessoas até gostam deste tipo de pavimentos, mas retiram-nos ou revestem-nos com outro porque não sabem que quando está “sujo” pelo tempo a sua espessura permite afagá-lo tal como se afaga um soalho, um pavimento em tacos de madeira maciça ou até alguns soalhos flutuantes de madeira natural, cuja espessura da camada nobre de madeira assim o permite. Até algumas falhas da superfície podem der eliminadas. Alguns mestres canteiros têm afagadeiras para pavimentos de pedra que em vez de usarem lixas como as afagadeiras para madeira, usam “mós” que permitem deixar estes mosaicos como novos. É um processo que não é aconselhável com rodapés de madeira e a parte inferior das guarnições das portas terá sempre que ser substituída porque é uma operação que envolve muita água. Mas na recuperação de um prédio antigo ou numa fracção de um rés-do-chão valerá a pena. É claro que depois deste trabalho se deverão recuperar as juntas com betume e aconselha-se a utilização de um verniz incolor aquoso para pedra e betão ou em alternativa a utilização de cera para impermeabilizar a superfície uma vez que se trata de um material poroso sujeito a contrair manchas com a utilização. Muitas manchas podem ter origem não na superfície “à vista”, mas antes na absorção, por exemplo, de humidade na base onde estão aplicados. Aí não há nada a fazer. Mas são estas imperfeições que os tornam tão bonitos.

    • Caro Luciano, tanto quanto sei os mosaicos da Padaria Portuguesa são mesmo mosaicos hidráulicos e foram produzidos pela empresa portuguesa Projecto Mosaico.

  3. Confirmo Rosa, o Sr. Luciano Massapina está equivocado! É mosaico hidráulico e fabricado por nós, Projecto Mosaico, em Sintra. Aproveito também para contribuir com a nossa opinião para algumas observações – O mosaico hidráulico, a sua dureza e resistência não deve ser comparada, em termos genéricos, com o porcelanato. Há mosaico hidráulico bom e mau, como deverá haver porcelanato bom e mau. No Hospital de Santa Maria por exemplo, temos exemplos de mosaico hidráulico que apesar da intensidade do uso mantém o seu bom aspecto e há zonas que, por qualquer razão, tem porcelanato, muito provavelmente mais recente, que não só está partido em todo o lado como a camada vítrica estalou e desapareceu, evidenciando a parte anterior e cinzenta do ladrilho. O mosaico hidráulico tem origem em França e apresentado ao público na feira de exibições de Paris à volta de 1880. A dureza desse produto, quando feito em condições ideais de composição e estágio de cura chega a ser superior às pedras naturais. É um facto e foi objecto de patente. A designação hidráulico decorre do facto do mosaico endurecer por hidratação do cimento, em vez de ser cozido em fornos eléctricos, como às vezes se pensa. Em algumas zonas do mundo, sítios esses sem energia eléctrica, fazem-se mosaicos hidráulicos com prensas de balancé (uma bola de ferro que é lançada à volta de um fuso e que por razões de inércia produz pressão no molde, suficiente para garantir a compactação).

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