sábado

feira da ladra

ainda cabe

Não íamos à Feira da Ladra há anos e acho que estou destreinada porque só fiquei tentada com dois pratos e uma máquina de costura que devia ter fotografado. A única compra foi uma corda de saltar para a E.

A A. vai para a escola em Setembro, a um mês dos três anos. Ainda gosta do sling.

babywearing em portugal

Jean Dieuzade

Comecei o dia a ensinar uma nova mãe a pôr o seu bebé de três semanas no sling. É uma coisa que faço às vezes (com os amigos e amigos dos amigos) e com imenso gosto. Vim para casa com vontade de aqui mostrar mais algumas das imagens de babywearing português que tenho coleccionado. São (acho que) todas da Nazaré, ponto de passagem de inúmeros fotógrafos e pintores estrangeiros ao longo do século XX e no conjunto são uma boa ilustração da vida pré-carrinho de quem fazia a vida com os filhos pequenos à sua beira. Por ordem:

Fotografia de Jean Dieuzade (Nazaré, 1954, pub. em Voyages en Ibérie). É mais uma para a colecção de bebés à cabeça. Se não tivesse já visto já vários outros exemplos (alguns bem mais antigos) e recebido comentários de quem andou assim em pequena pensaria tratar-se de um retrato encenado.

Fotografia de Bill Perlmutter (1958) que mostra bem a técnica do xaile usada (com algumas variantes) por toda a Europa.

Fotografia de Denis Salgado (Nazaré), publicada na revista Panorama (número 2, ano 1, 1941). Esta forma de transportar as crianças pequenas sobre um ombro é descrita no texto como característica dos pescadores da Nazaré.

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babywearing

new baby slings

Mesmo quando a semana começa enguiçada, há coisas que me põem facilmente bem disposta: uma delas é uma pilha de slings novos a fazer-me sentir que apesar de agora haver alguém a fazê-los quase em cada esquina, passe a absoluta falta de modéstia os meus continuam a ser os mais bem feitos e os mais bonitos. Outra é vê-los a uso, claro, e por isso fiz uma pequena colecção de imagens que já andava a planear há algum tempo: quatro bebés a crescer dentro dos respectivos slings. Obrigada às respectivas mães (Maria, Susana, Adriana e Catarina) pela partilha. Muitos mais aqui.

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sobre rodas (ii)

Mother and Toddler Take Stroll

Mother and Toddler Take Stroll. UK, 1910 (arq. Corbis).

Irresistível continuar com o mesmo assunto:

Os perigos do carrinho: claro que não acredito que uma criança fique prejudicada por os pais terem optado por um carrinho para a transportar. Muitas vezes é essa a opção que lhes permite (como a Inês observou num comentário) guardarem mais energia para brincar com elas mais tarde. Mas acho que horas a mais no carrinho e anos a mais de carrinho habituam as crianças a não se mexer desde que são pequenas. Também me arrepiam os ovos que mais parecem uma carapaça e escondem totalmente o bebé lá dentro, as capas de chuva usadas quando não estão mesmo a ser precisas e as crianças sentadas com o nariz à altura dos tubos de escape. E a falta de contacto visual com um bebé que vai lá à frente é de facto desconcertante. Tudo isto é independente de ser ou não adepta do babywearing e já me preocupava nos tempos de primípara em que me esfalfei a empurrar um carrinho da maxi-cosi (nos primeiros meses, como já aqui escrevi muitas vezes, usei diariamente um baby-bjorn). Andar a pé desde cedo não serve só para fazer músculo e criar resistência. Também ensina a respeitar os carros e as outras pessoas.

O carrinho como gaiola vitoriana (eu ia escrever isto no post anterior mas hesitei): não que ocorra à maior parte das pessoas sequer pensar nisso, mas um bebé num carrinho é muito mais apresentável. Um bebé no carrinho não nos bolsa em cima (obrigada Marta pela imagem do dar o biberão no carrinho) e um toddler bem seguro não se suja no chão nem nos faz perder a compostura a correr atrás dele e fazê-lo portar-se bem.

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sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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babywearing

new baby sling

A propósito dos novos slings na loja, mais algumas imagens antigas de babywearing, duas dos finais do século XIX e uma dos anos 20 do século XX (ou seja, todas de muito antes de o Dr. Sears ter inventado a palavra babywearing). Uma do País de Gales (mais um exemplo da técnica do xaile, tão parecida com a portuguesa), outra do Japão e ainda mais uma do Brazil, de uma ama negra com um bebé branco às costas.

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as mulheres do meu país

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

Já tem sessenta anos, mas foi a minha descoberta bibliográfica de 2008 e agora nem percebo como é que fiz uma licenciatura em história sem conhecer este livro. Agora tenho a sorte de partilhar a custódia de um exemplar com o meu pai, que já tem escrito sobre ele (1, 2, 3) enquanto livro de fotografia. Começou por me chamar a atenção por ser provavelmente a melhor colecção de testemunhos da prática do babywearing em Portugal, não só pelas imagens como pelas descrições da autora. É lindíssima (e houve mais quem reparasse) a imagem da mãe com o filho preso no xaile (A maneira de pôr o xaile e segurar com ele a criança é característica, não só daquela região [Serra da Estrela] mas de quase todas as aldeias portuguesas.), e surpreendentes as fotografias de Miranda do Douro, onde o método mais comum era trazer os bebés sobre as costas (por vezes das avós ou das irmãs) durante todo o dia, tal e qual se faz ainda hoje na maioria dos países africanos.

Para quem não sabe (eu também só me apercebi recentemente), o método de transportar os bebés presos no xaile como mostra a foto acima era conhecido em toda a Europa até há pelo menos cinquenta anos. Por cá já só há algumas avós que o sabem usar, mas no País de Gales é considerado parte do património cultural da região, e há até algumas empresas que se dedicam à venda de nursing shawls para o efeito. Não tendo uma avó do campo, sugiro este vídeo (a partir dos 3m50s) para o aprender.

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