Mar
20

Mother and Toddler Take Stroll. UK, 1910 (arq. Corbis).
Irresistível continuar com o mesmo assunto:
Os perigos do carrinho: claro que não acredito que uma criança fique prejudicada por os pais terem optado por um carrinho para a transportar. Muitas vezes é essa a opção que lhes permite (como a Inês observou num comentário) guardarem mais energia para brincar com elas mais tarde. Mas acho que horas a mais no carrinho e anos a mais de carrinho habituam as crianças a não se mexer desde que são pequenas. Também me arrepiam os ovos que mais parecem uma carapaça e escondem totalmente o bebé lá dentro, as capas de chuva usadas quando não estão mesmo a ser precisas e as crianças sentadas com o nariz à altura dos tubos de escape. E a falta de contacto visual com um bebé que vai lá à frente é de facto desconcertante. Tudo isto é independente de ser ou não adepta do babywearing e já me preocupava nos tempos de primípara em que me esfalfei a empurrar um carrinho da maxi-cosi (nos primeiros meses, como já aqui escrevi muitas vezes, usei diariamente um baby-bjorn). Andar a pé desde cedo não serve só para fazer músculo e criar resistência. Também ensina a respeitar os carros e as outras pessoas.
O carrinho como gaiola vitoriana (eu ia escrever isto no post anterior mas hesitei): não que ocorra à maior parte das pessoas sequer pensar nisso, mas um bebé num carrinho é muito mais apresentável. Um bebé no carrinho não nos bolsa em cima (obrigada Marta pela imagem do dar o biberão no carrinho) e um toddler bem seguro não se suja no chão nem nos faz perder a compostura a correr atrás dele e fazê-lo portar-se bem.
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Mar
19

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.
Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).
Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.
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Jan
29

A propósito dos novos slings na loja, mais algumas imagens antigas de babywearing, duas dos finais do século XIX e uma dos anos 20 do século XX (ou seja, todas de muito antes de o Dr. Sears ter inventado a palavra babywearing). Uma do País de Gales (mais um exemplo da técnica do xaile, tão parecida com a portuguesa), outra do Japão e ainda mais uma do Brazil, de uma ama negra com um bebé branco às costas.
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Jan
11


Já tem sessenta anos, mas foi a minha descoberta bibliográfica de 2008 e agora nem percebo como é que fiz uma licenciatura em história sem conhecer este livro. Agora tenho a sorte de partilhar a custódia de um exemplar com o meu pai, que já tem escrito sobre ele (1, 2, 3) enquanto livro de fotografia. Começou por me chamar a atenção por ser provavelmente a melhor colecção de testemunhos da prática do babywearing em Portugal, não só pelas imagens como pelas descrições da autora. É lindíssima (e houve mais quem reparasse) a imagem da mãe com o filho preso no xaile (A maneira de pôr o xaile e segurar com ele a criança é característica, não só daquela região [Serra da Estrela] mas de quase todas as aldeias portuguesas.), e surpreendentes as fotografias de Miranda do Douro, onde o método mais comum era trazer os bebés sobre as costas (por vezes das avós ou das irmãs) durante todo o dia, tal e qual se faz ainda hoje na maioria dos países africanos.
Para quem não sabe (eu também só me apercebi recentemente), o método de transportar os bebés presos no xaile como mostra a foto acima era conhecido em toda a Europa até há pelo menos cinquenta anos. Por cá já só há algumas avós que o sabem usar, mas no País de Gales é considerado parte do património cultural da região, e há até algumas empresas que se dedicam à venda de nursing shawls para o efeito. Não tendo uma avó do campo, sugiro este vídeo (a partir dos 3m50s) para o aprender.
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Dec
22

Lewis, James Otto, Chippeway squaws, 1826.
Há já uns meses que não partilhava aqui imagens de um dos meus temas preferidos, o da história das técnicas de babywearing dos vários continentes. Aqui ficam mais duas gravuras, uma da América do norte no século XIX e outra de Itália no século XVIII. Nesta altura, ambas me parecem muito natalícias.
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Nov
04

Muitos muitos metros de galão correram por aqui nos últimos dias e não deixaram tempo para muito mais, mas na loja há finalmente (depois de muitos pedidos) slings para brincar.
Sep
09


A propósito do destaque aos meus baby slings dado pelo Jornal de Notícias na edição de hoje, mais algumas imagens que mostram como o babywearing não é uma moda mas uma tradição mundial e milenar. Têm em comum o serem da autoria de fotógrafos profissionais. Por ordem:
Woman with Child, de Moira Forjaz. Ilha de Moçambique, 1982. O bebé está sentado numa capulana atada a tiracolo, fazendo o mesmo efeito de um sling.
La Chanca, de Carlos Pérez Siquier. Espanha, anos 50-70, em que se vê o bebé preso pelo xaile da mãe segundo uma das técnicas usadas um pouco por toda a Europa até muito recentemente e que, apesar de não se perceber pela fotografia, também deixa as mãos livres.
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Aug
01


Continuando com a história da capulana, falta entre muitas outras coisas dizer que ela se separa em duas famílias culturalmente distintas: a da capulana propriamente dita, a que também se chama pano (por exemplo em Angola), pagne (nos países francófonos) ou chitenge ou kitenge (Zâmbia, Namíbia, etc.), cujo padrão pode ter dimensões variáveis e incluir ou não barras longitudinais, e a kanga, cujo padrão coincide com os cerca de dois metros de comprimento do pano, tem uma barra a toda a volta e, muitas vezes, uma frase inscrita (aqui há muitos exemplos). No Brasil também há cangas, mas sobre elas não sei grande coisa.
Uma das kangas que tenho é a da segunda fotografia. Foi trazida de Moçambique e é horrivelmente sintética, mas tem um motivo irresistível. Diz MUARA INTAMUENE ORERA (intamuene quer dizer amigo, o resto não sei). As kangas são usadas sobretudo nos países situados a norte de Moçambique.
A capulana da primeira fotografia também veio de Moçambique. É de algodão e é estampada pelo processo convencional, e não em batik como os outros tecidos africanos. Não sei se me engano muito se disser que em Moçambique, onde o comércio de tecidos está há séculos na mão de comerciantes indianos, os tecidos estampados têm maior importância que os de batik, mesmo que os motivos de uns e outros sejam semelhantes. Aliás, se se andar à procura (eu tenho andado) em fotografias da primeira metade do século XX, o que se vê são tecidos tradicionais de tear e depois também muitos estampados com ar português, impossíveis de distinguir a olho nu de chitas como estas:
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May
16

Tão confortável como há ano e meio.
(Novos slings na loja).
Apr
29

A minha colecção de imagens de babywearing em Portugal vai crescendo aos poucos. Esta, da Figueira da Foz (creio que nos anos 30), foi descoberta por acaso pelo F. numa colecção de fotografias pouco maiores que uma carteira de fósforos. O bebé, que mal se vê, está aconchegado no xaile de uma menina que admira uma venda de brinquedos de madeira na esplanada da praia.
Mais bebés slingados e satisfeitos e mais slings na loja.
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