Fazer é poder - arquivo

rentrée scolaire

rentrée scolaire

De regresso à loja, às novidades e à máquina de costura, fiz os dois estojos de que a E. precisa para a escola: um para os marcadores e outro para todas as outras coisas necessárias a uma menina da segunda-classe. pelo tamanho e proporções lembram-me uma caixinha de bolos de pastelaria. Num usei ganga e no outro este tecido japonês. O forro de ambos é este, que já tenho usado em muitas outras coisas. Continuar a ler…

fiar

fiar
Autor desconhecido, Retrato de mulheres (sec. XX). Papel montado sobre madeira, col. Museu de Arte Popular (via MatrizPix).

A imagem de cima deve ser a mais bonita que conheço de mulheres portuguesas a fiar. Hoje foi o que fiz boa parte da tarde. Aprendi já há meses, com a Tita Costa, mas só agora que tenho a matéria-prima que procurava me empenhei em aperfeiçoar a técnica. Diz a bibliografia (Normas de Inventário. Etnologia / Tecnologia têxtil, IPM, 2007) que estes fusos (usados em Portugal, Itália, França e julgo que poucos outros países) são os de tipo 2, caracterizados pela ausência de volante ou cossoiro (aquela base ou rodela dos chamados drop spindles que também se usam por cá em muitas aldeias) e pelo sulco helicoidal que percorre o topo da haste. Este, que tão bem fia mesmo nas mãos de uma principiante, deve ter cem anos e é de uma amiga. Quem me dera nestas férias ter a sorte de encontrar o da minha bisavó… Continuar a ler…

katakake fukuro

Katakake Fukuro

Katakake Fukuro

A técnica tem nome japonês mas é a mesma da nossa trouxa, talvez tão antiga como o pano com que é feita. Foi a Sara que me ensinou a usá-la assim: um quadrado de um metro de tecido, debruado com uma fita para ficar mais forte, atado como mostra o filme: Continuar a ler…

passear

camera cosy

Com um excelente pretexto, e se não houver imprevistos ou vulcões que o impeçam, vou passar boa parte da próxima semana em Londres com a E. Será a primeira vez dela e a minha primeira vez em 10 anos (!), pelo que se aceitam sugestões de coisas (exposições, mercados, metal biscuits e o que seja) a não perder. Para aconchegar a minha máquina fotográfica no pouco tempo que vai passar dentro da mochila fiz este bolso acolchoado, com tiras de alguns dos meus tecidos novos preferidos. Continuar a ler…

fiar

cardar

tita costa

A Tita Costa veio do Porto para nos ensinar a fiar lã. Mostrou-nos fusos de várias partes do mundo, pôs-nos a rir com os fios de pelo de cão (!), demonstrou alguns truques índios e ensinou-nos a usar os fusos portugueses de madeira de urze. Para mim foi uma experiência inesquecível. Já a convidei para voltar em breve. Continuar a ler…

para o pão

raposinha

raposinha

Um cestinho de pano para a E. levar para a escola o pão do meio da manhã. Com uma destas raposas, um retalho de ganga, forro aos quadradinhos e um fecho fácil de abrir. Continuar a ler…

avó

quarto de costura

quarto de costura

Uma das maneiras melhores de passar o tempo em casa da minha avó era brincar no chão com os botões, as linhas e as tesouras enquanto ela cosia à máquina e me contava histórias. Continuar a ler…

velhos são os trapos

bordar a manta

Na semana passada, junto com algumas gavetas, e outras velharias, encontrei num prédio em obras aqui ao lado uma arca cheia de trapos velhos que não resisti a abrir. Entre eles, uma manta de trapo muito velha e puída mas tão fina que tive de a trazer comigo para ver se sobrevivia a uma boa lavagem. Está rota demais para usar como tapete, mas acho que dará umas boas almofadas. Resolvi experimentar bordar-lhe um passarinho em ponto de cruz, depois de andar de volta do catálogo de uma exposição do Museu de Arte Popular sobre o tema (O ponto de cruz: a grande encruzilhada do imaginário. Coord. Elisabeth Cabral – ainda disponível na loja do Museu de Arte Antiga).

É impressionante a diferença entre as mantas de trapo antigas, feitas com roupa cortada em tiras o mais estreitas possível e debruadas a tecido, e as que se vendem agora, quase sempre de trapilho industrial e onde já não se vêem os efeitos tradicionais. As mantas de trapo, que se fazem em vários países, devem ser uma ideia com tantos séculos de vida como o próprio trapo. Duas imagens com mais de cem anos:

mantas de trapo
Mantas de Farrapos à venda no Minho em 1908 (Ilustração Portuguesa, 111, 6 de Abril de 1911). Continuar a ler…

luz

tintoluminator

tintoluminator

Uma brincadeira a provar que de quase tudo se pode fazer um candeeiro ().

Materiais:
A parte de cima de uma capa de garrafão de 5l em plástico
Uma tampa de uma embalagem de skip líquido
Uma tampa de um iogurte líquido
Um casquilho para lâmpada pequena (dos que têm uma rosca para ajustar)
Um pedaço de fio eléctrico (onde é que se pode comprar fio eléctrico translúcido e de cores?)
Uma ficha
Uma lâmpada económica Continuar a ler…

singer 720

my new old sewing machine

singer 720

A minha nova máquina velha era para ter sido esta mas acabou por não ser. Falta-lhe uma peça que não sei quando ou se vou conseguir encontrar e a verdade é que comprar uma máquina de costura antiga não é para todos: a Singer portuguesa faliu e os técnicos (grande parte deles já velhinhos) têm cada vez mais dificuldade em encontrar peças e acessórios para os arranjos. Depois de algumas experiências, só voltaria a arriscar uma pechincha irrecusável ou uma máquina já revista por um técnico. Com a da fotografia parece que me saiu finalmente a sorte grande. É uma Singer 720, um modelo não muito conhecido por cá e que antecede a 760 da Rita que ela justamente tanto gaba (aqui há uma para quem lhe conseguir deitar a mão). Encontrá-la foi um golpe de sorte e só consegui que me chegasse às mãos graças à generosidade da Diane, que estava por perto e ma trouxe: Passados alguns dias em pesquisas, encontrei um site francês de venda entre particulares com milhares de machines à coudre. Não sei se por influência da célebre 100 Idées, abundam os modelos dos anos 70, justamente os que eu procurava. Estava anunciada como estando a funcionar, mas afinal tinha lá no seu âmago uma roda dentada partida que a impedia de coser. Valeram-me as mãos hábeis do Sr. Pinheiro que a puseram como nova.