mantas alentejanas
ost

Três velhas mantas alentejanas encontradas de surpresa numa perfeita manhã de sábado, resgatadas entre sorrisos cúmplices, re-destinadas a aquecer-nos à noite, que por muito que digam que picam, que pesam, ninguém me convence que haja coisa mais bonita e mais quente para ter na cama.

Duas mulheres, duas vozes que tenho trazido comigo. Dantes comprávamos discos para os ouvir. Agora é tão fácil ouvi-los que demasiadas vezes não os compramos. Estes trouxe-os comigo como quem contribui para uma campanha de crowdfunding, para dizer à Gisela João e à Capicua obrigada, gosto tanto do que fazem.

sol baixo

Retidos um dia a mais nas ilhas pela greve na Sata, passámo-lo sob a chuva de São Miguel, entre muitas violas da terra e mais um museu cuja colecção etnográfica está escondida até data incerta (mas vi finalmente ao vivo Os Emigrantes e os seus lindos taleigos). Aterrámos pela meia noite, o grande velo de que vou falar depois chegou são e salvo e às dez da manhã deste dia da Liberdade já estava na Retrosaria e ensinar mates e aumentos. De tarde lavei um monte de lã merino alentejana com um novo método: escaldei-a como deve ser no tacho gigante que uso para a tinturaria e depois enxaguei no programa das lãs da máquina (sucesso!). Ainda fiei e torci uma pequena meada para ver se os meus fusos da Beira Alta se entendiam com a macieza encarrapetada do merino e para me preparar para ir até à Ovibeja no Sábado mostrar um pouco do caminho que vai das ovelhas aos novelos.

vila verde de ficalho

hino da restauração

soleira

Com uma semana de atraso, porque entretanto já estivemos no Douro Litoral, algumas imagens das comemorações do 1º de Dezembro em Vila Verde de Ficalho. O dia começou cedo e gelado, com o pequeno almoço de fatias fritas na Sociedade Recreativa 1º de Dezembro, de onde os homens saem às 8 horas munidos de bandolins, banjos, violas, bombo e caixa para passarem toda a manhã a percorrer as ruas (todas as ruas) da vila ao som do hino da Restauração (composto em meados do século XIX). Ali está-se mesmo ao pé da fronteira, tão perto que muitos trabalham e casam do lado de lá, tão perto que, entre modas e cantigas, ao fim da manhã todos cantavam la virgen se esta peinando. Manhã fora anda-se e toca-se, primeiro para poucas caras ensonadas à janela, depois para cada vez mais pessoas. Pára-se para comer e beber, saúda-se em formatura o posto da guarda, a junta de freguesia, o centro de dia. No ano que vem o dia da Restauração não é feriado. Como será?

rosinhas no quintal

rosinhas de santa clara de louredo

E canta com as rosinhas

Inauguramos a casa nova com amigos e um concerto no quintal. As Rosinhas de Santa Clara do Louredo vieram cantar para nós e depois connosco. As meninas estavam ansiosas por ouvir ao vivo uma das suas cantigas preferidas dos últimos meses e para a E., a quem na escola de música impingiram uma versão tristemente simplificada do que é a cultura musical alentejana, foi uma preciosa oportunidade para alargar horizontes. Read more →

Page 1 of 512345