Uma das muitas coisas boas que fizemos durante as férias do Carnaval foi visitar uma fiação. É a esta fábrica que chega anualmente a lã de vários pequenos rebanhos e é de lá que sai transformada na lã poveira da Retrosaria. Vimo-la nos fardos prensados e sujos em que entra na fábrica, feita núvens, mecha e fio. Por esta fábrica passam muito mais fibras sintéticas do que naturais (o que a meu ver é uma pena) mas é lá que se produz também a melhor lã para Arraiolos, resultante duma mistura de matéria prima alentejana e beirã, com um toque de zelândia. Continuar a ler
A Ervilha Cor de Rosa
rosa pomar
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a vida da lã
Fomos ver as ovelhas e cabras do Toino Canhoto ao pôr do Sol, mesmo a tempo de ver dois cordeirinhos pretos acabados de nascer, macios e dóceis, ainda a serem limpos pela mãe. É do leite destas ovelhas, da raça bordalesa da Serra da Estrela, que as mulheres da família do pastor fazem queijos premiados, e são esses queijos a razão da sobrevivência do rebanho. A produção da lã já não compensa, disseram-nos, porque o preço a que é paga mal chega para cobrir as despesas da tosquia. Isto ao mesmo tempo que nas fiações falta a lã portuguesa e se manda vir de fora (é espanhol o burel das capas de Trás-os-Montes). As ovelhas do Toino Canhoto são de três cores: brancas, pretas (estas duas dão a lã das meadas da lã poveira) e sarrubecas (pronunciar com os ss e rr locais), cor de café com leite, a cuja lã havemos de seguir em breve o rasto.
Amanhã o dia na loja é da lã: de manhã ensino seis mulheres a fazer tricot e à tarde aprendo com outras tantas a fiar. Continuar a ler
eram trabalhos bonitos
Longe longe de Lisboa, no sótão da D. Natália. Continuar a ler
feira da ladra
Gostava de lá passar mais vezes e de voltar a conhecer-lhe bem os cantos, como quando a percorria todas as semanas. Mas mesmo assim vale a pena. Trouxe um lençol de linho, um saco do pão feito de vestidos que depois mostro, duas chávenas, um livro e ainda mais dois saquinhos de pano, um dos quais dei depois à querida Diane, com quem tivemos ontem o prazer de passar a melhor parte do dia. Ainda na feira, cruzei-me com dois quilts portugueses que só não me tentaram mais por serem feitos com tecidos sintéticos. Continuar a ler
♥
Um dos meus pormenores preferidos em muitas drogarias antigas são as coisas penduradas. Na loja azul em que entrei hoje o contraste entre o tecto azul e os regadores e baldes de plástico às cores deixou-me boquiaberta.
Aos poucos vou reunindo as coisas de que preciso e as que se cruzam no meu caminho e vêm mesmo a calhar, como uma antiga dobadoura que encontrei hoje. Ainda estou à procura (preciso de uma mesa ou de um armário pequeno, queria um daqueles bancos compridos de sentar em frente à lareira, uma dúzia de cadeiras e quanto mais gavetões conseguir encontrar, melhor). Qualquer sugestão de sítio onde espreitar (feira de velharias, armazém nos arredores ou loja da vizinha que vai fechar) é muito bem vinda.
respigar
A estrada enche-se de camiões que, de tão carregados, vão pintalgando as bermas de bolinhas vermelhas. Para trás, nos campos, ficam muitas outras. E nós, como no ano passado, divertimo-nos a respigar tomate algures entre Reguengo e Valada.
Parte dele deu um óptimo molho e a E. quer fazer compota com o resto.
Outros respigadores. Continuar a ler
nisartes
No Nisartes, como em geral acontece nestas coisas, as peças que me apeteceu mais trazer não estavam à venda: o resto de uma coberta de chita com mais de cem anos a tapar a mesa de um dos stands, o lenço de lã agrafado à parede de um restaurante e a alentejana esculpida pelo Sr. António da Graça Polido. Mas trouxe um taleigo (lá chamado bolsa) de retalhos invulgarmente bem feito por uma senhora de Valongo (Avis) e um apito com voz de pato feito por um senhor da Aboboreira que ainda fez para a E. uma série de truques com umas cordas e madeiras. Na cidade, encontrei uma manta de trapo (feita mesmo com roupa velha cortada em tirinhas) e fiquei a saber que grande parte das oficinas de tecelagem da região têm estado a fechar porque os donos são velhos e não têm aprendizes interessados. Nem sequer consegui perceber como seriam as colchas de Belver referidas por exemplo aqui. Os bonecos de pano da Margem, referidos pelos mesmos sites, são as habituais cópias de revistas de lavores, sem o mínimo interesse. Um dos pontos altos do passeio foi ir a casa de uma senhora que faz meias para os ranchos e grupos de forcados, mas isso é material para outro post.
amieira do tejo
Do castelo de Amieira do Tejo e respectiva capela de S. João Baptista com a sua decoração invulgar. As pinturas misteriosas da torre do Sanguinho deram-me saudades da escola.





























