2014

export

Demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo (ou apenas falta de jeito) fizeram com que não viesse aqui celebrar o facto de 2014 ter sido o ano em que os fios de lã da Retrosaria passaram a estar à venda também em lojas no estrangeiro (a primeira foi a Stephen+Penelope em Amsterdão). Esta aventura de produzir fios com lã de ovelhas portuguesas tem sido cheia de descobertas, desafios e também muitas frustrações, mas a verdade é que aquilo que há quatro anos era apenas um sonho tem vindo a ganhar forma. E continua…

2014

driving test

Com vinte anos de atraso, tirei a carta de condução em 2014. Saí de uma espécie de clube secreto de nerds do qual fazem parte algumas das pessoas mais activas e interessantes que conheço, pessoas que vão na mesma e fazem na mesma (a pé, de transportes e com os amigos ao volante). Quem se fez gente a andar a pé vive o espaço público de outra maneira, conhece as pedras do passeio de cada rua em vez de saber o sentido do trânsito que lá passa, faz malha, lê e olha pela janela dos comboios e autocarros (e à espera deles) e tem filhos que sabem de cor a rede do metro e o número de tampas até casa da avó, que enjoam de carro mas atravessam a cidade a pé sem se cansarem. Não é melhor nem pior, mas é sem dúvida muito diferente.

Pela frente está um novo mundo…

Merioneth Show in Corwen
a car that would fit her pet sheep

Imagens:
Charles H. Hewitt, Woman During Advanced Driving Test. 1956.
Geoff Charles, Sioe Meirionnydd yng Nghorwen, 1950.
My friend works at a Subaru dealership and a lady came in looking for a car that would fit her pet sheep. 2014.

beiroa beanie

gorrinho

I’ve just finished a new version of Bruno’s beanie, this time using a simple Fair Isle motif and one of my favourite shades of Beiroa.

There is now a downloadable pdf with the pattern in English (charted and written down), for those who asked for it – remember I knit Portuguese style, which means all circular work is purled (not knitted).

Download pattern

PS: as instruções em Português estão aqui.

receita de natal

lord mantraste
patinho mantraste

A Feira de Natal da Retrosaria já vai no seu terceiro dia (os convidados deste ano são: Jubela, Zélia Évora, DoSemente, Lord Mantraste e By Stro). Entre visitas, meadas e muita conversa, uma amostra que tinha de fazer transformou-se de um dia para o outro num gorro à marinheiro (o Bruno chama-lhe tapa-carecas). A receita é esta:

Uma meada de Beiroa cor 685
20g de Beiroa cor 409
Um pedacinho de beiroa cor 573

Umas agulhas circulares de 5mm x 40cm (ou conjunto de 5 agulhas de 5mm x 20cm)
Umas agulhas circulares de 6mm x 40cm (facultativas)
Um conjunto de 5 agulhas de 6mm x 20cm
Uma agulha para rematar

Notas: o fio é trabalhado dobrado.

Montar 80 malhas com a cor 685 nas agulhas mais finas.
Trabalhar circularmente 26 voltas em canelado *2 malhas de liga, duas malhas de meia*.
Com as agulhas de 6mm, trabalhar 4 voltas em liga.

Motivo: este motivo foi retirado do livro 150 Scandinavian Knitting Designs de Mary Jane Mucklestone e tem 9 malhas de largura por 8 carreiras de altura.

Para trabalhar este motivo ou outro motivo com 9 malhas de largura:
Aumentar uma malha no início da volta (81 malhas) e trabalhar em liga as 8 voltas do motivo em jacquard. Matar uma malha no final da 8ª volta (80 malhas).

Para trabalhar um motivo com 4, 8 ou 10 malhas de largura não é necessário fazer quaisquer ajustes.

Uma volta em liga.

Diminuições:
*6 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*5 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*4 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*3 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*2 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*1 malha de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*Um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.

Cortar o fio, deixando uma ponta com cerca de 20cm de comprimento. Com a agulha de rematar, passar o fio por dentro das 8 malhas remanescentes. Rematar as pontas de fio pelo avesso do gorro.

o barrete vermelho

paineis
paineis
Políptico São Vicente de Fora, atribuído a Nuno Gonçalves, Século XV [c. 1450-1490] (pormenores).

Porque me apetece marcar em breve um workshop de crochet tunisino, fui à procura de imagens da Tunísia, para tentar perceber se há uma relação entre a técnica e o país ou se é um fenómeno como a salada russa e a bola de berlim. Fiquei sem saber, mas encontrei uma coisa que veio ao encontro de uma pista que há muito seguia, a propósito de algumas coberturas de cabeça que se usavam por cá entre o século XV e o século XVI. Sempre que revia os Painéis de S. Vicente achava que aqueles chamativos chapéus vermelhos podiam bem ser de malha. À partida a ideia parece descabida, porque estamos habituados a pensar na malha como uma coisa elástica e macia, moldada ao corpo. Mas no tempo dos painéis não era assim. As peças em malha eram muitas vezes feltradas (apisoadas?) até se tornarem rígidas (como uma camisola que foi acidentalmente lavada na máquina com água quente), moldadas para adquirirem determinado feitio, cortadas à tesoura e cardados para ganharem uma superfície aveludada. É aqui que entra a pista tunisina: o chapéu masculino tradicional do país, a chéchia, não só é feito exactamente assim como se considera que foi introduzido no século XVII por muçulmanos oriundos da Península Ibérica. O seu uso está actualmente em declínio, mas continuam a produzir-se da forma artesanal: segundo esta página a lã é fiada à mão em Djerba e Gafsa, os barretes em malha são tricotados pelas mulheres de Ariana, depois feltrados em El Batan (o nome é internacionalmente sinónimo de pisão), cardados em El Alia, tingidos em Zaghouan e finalmente enviados para Tunis, onde recebem os retoques finais, sendo novamente cardados com o mesmo cardo que por cá se usou até nas primeiras máquinas da revolução industrial, e vendidos em Tunis. Infelizmente só encontrei imagens da última fase do processo, mas fiquei convencida. Acho mesmo provável que em Lisboa os muitos barreteiros documentados para 1551 e 1552 estivessem no fim de uma cadeia de produção semelhante. As semelhanças entre algumas chéchias e os barretes dos painéis são óbvias, mas quem sabe… Read more →

compostor

quintal

quintal

Vive connosco e come praticamente tudo o que dantes se deitava fora na cozinha, alternado com as folhas secas do quintal. Não tendo como albergar umas galinhas, que era o que me apetecia, fazer terra fértil em vez de lixo também é alguma coisa.
O compostor foi fabricado em Portugal e veio daqui.

os pompons

pompom

pompom

Este ano a Câmara de Seia tomou a iniciativa de integrar a transumância que fiz em 2011 na recém-nascida Grande Rota da Transumância. Todos os que quiseram puderam acompanhar uma parte do caminho, entre Seia e o Sabugueiro. A A. e a E. também vieram e aguentaram o calor e os quilómetros pelo meio da serra como gente grande. Depois de tanto ouvirem falar de pêras e cabeçadas e depois da estadia em Fernão Joanes, onde as ovelhas em Maio parecem árvores de Natal, quiseram ir a rigor. Passámos a manhã dos preparativos a fazer grandes pompons coloridos, com beiroa de muitas cores e estes engenhos deliciosos. Read more →

vida na cidade

vida na cidade

Têm sido uns dias invulgarmente domésticos, a limar as últimas arestas do livro*. Estas semanas custam a passar. Em vez de o processo ser como o de um bolo, que se põe no forno e se vai lá buscar algum tempo depois, já pronto, é mais como o de um gelado: bate-se bem, põe-se no frio, vai-se buscar e bate-se outra vez e volta-se a pôr no congelador e repete-se o processo vezes sem conta para ele ficar macio e sem cristais de gelo por dentro. A minha paisagem boa parte do dia é esta. Tem A Vida no Campo, o disco do Tiago que também está quase a sair, as etiquetas da Mirandesa e da Bucos, uma alpaca e um pastor, uma menina do Barroso ou lá perto…

*O livro já aparece em pré-venda nalguns sites, mas vou esperar até poder mostrar a capa para fazer o mesmo na Retrosaria.

de 2012

a em miranda

Em 2012 tive saudades de ser assídua por aqui. Mudei de casa e de vida. Tive chatices sérias. Vi ovelhas serem enfeitadas como árvores de Natal. Escrevi um livro (está quase quase). Ouvi tocar e cantar como nunca antes. Fiz centenas de quilómetros de malha em autocarros e combóios. Vivi.

Bom 2013!

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