the shame of selling*

cuecas

Às vezes não é nada fácil ter uma loja, viver de ter uma loja. Digo isto no sentido moral, porque há dias (quase todos) em que não apetece escrever loas a produtos, aliás, em que não apetece mesmo nada pensar nas coisas como produtos e nas coisas todas que trabalhar com produtos pressupõe.

A lot of the reason why our efforts to sell things go wrong is an underlying feeling that ‘selling’ is a bad thing to do. We’ve internalised an image of selling drawn from capitalism’s worst moments, which gives rise to a suspicion that selling somehow injures those to whom we sell.*

Num piscar de olhos passámos a estar rodeados de produtos genuínos, tradicionais, portugueses, cheios de heritage e authenticity. Aqui em Lisboa já não há um quarteirão livre de lojas que não sejam (no nome) antigas ou do bairro, uma rua sem andorinhas sobre cortiça com padrões de azulejo, um espaço em que não ecoe um discurso (às vezes nem há discurso) que de tão batido se tornou oco. Como se todos esses adjectivos de tão abusados tivessem deixado de significar fosse o que fosse ou, ainda pior, se tivessem tornado fáceis, óbvios, trendy, os melhores para vender qualquer coisa. E no meio de tudo isto há, claro, muitas coisas novas e bonitas nascidas desta espécie de redescoberta de uma portugalidade idealizada (um fenómeno que adorava ver estudado por alguém numa perspectiva comparativa com o que se passou nos anos 30). Mas a mim, confesso, esgota-me os adjectivos – e quando trago cestos, colheres ou botas para a loja (os meus cestos, colheres e botas preferidos) não sei o que dizer deles. Talvez mesmo só que são cestos, colheres e botas. Os meus preferidos. Quem lhes tocar vai perceber porquê sem eu ter de explicar (ou então não).

Honourable salesmanship requires a sense of the possibility of honourable capitalism. This doesn’t mean a world in which we’re only trying to sell organic beans and rope sandals. Many companies are already doing good – they’re selling reliable dishwashers and nicely designed garden furniture, good quality skin moisturiser or excellent paper clips. But even these companies often have an unhelpful sense of what they need to tell the world in order to sell their products – and in the process, they lose sight of the good they actually do. Good salesmanship starts with a feeling that there can be such a thing as selling someone something they really require to flourish. It means overcoming the shame of being in sales.*

Na fotografia estão umas cuecas de 100% algodão, daquelas que na Rua dos Fanqueiros ainda se compram por dois euros. Curiosamente correspondem àquilo que o New York Times diz ser a nova tendência em termos de roupa interior de mulher (só precisam de um elástico um bocadinho mais macio e podem fazer concorrência a estas, fica a ideia para alguma empreendedora que aqui passe). Têm montes de authenticity e heritage, mas desconfio que as lojas que as vendem vão dar lugar a mais um ou dez hotéis entretanto.

*Alain de Botton, How to Sell.

uma vida simples

estação
alentejo sem rede
taleigo

Vou para estar e raramente me faz falta contar que fui e ao que fui. Há uma calma qualquer que é nova (deve ser da idade). Depois tenho pena porque sempre tive diários, sempre foram o meu espelho, a minha garantia de ter feito, ter estado, ter sido. Não vim aqui gravar o dia em que pela primeira vez ordenhei uma cabra nem o inesquecível serão passado a fazer queijo ou o sorriso da A. à conquista das ruas da vila na sua nova bicicleta. Às vezes só viver é tudo.

lar

notícias magazine

notícias magazine

Saiu ontem na Notícias Magazine um artigo sobre tricot. Lá estou, a fazer meia, ao lado da Vera e outras pessoas. Como o artigo é curto, aqui ficam as respostas que dei à jornalista Ana Pago a propósito do tema.

Nome? Idade? Formação/profissão?
Rosa Pomar. 39. Formação de base: Pós-graduada em História Medieval pela FCSH UNL. Também frequentei os cursos de Desenho e Ilustração do Ar.Co. Nos últimos anos tenho tido muita formação “informal” com mestres e mestras nas áreas em que trabalho atualmente. Profissão: várias. Investigadora na área dos têxteis tradicionais portugueses, micro-empresária, “ensinadora” de técnicas têxteis, “fazedora” (como se traduz “maker”?), autora do livro Malhas Portuguesas sobre a história e a técnica do tricot em Portugal, blogger, mãe.

Que espaço ocupa o tricot na sua vida e como o concilia com o resto? Como é que tudo começou para si a este nível?
O tricot (eu prefiro dizer a malha) é uma técnica que permite produzir peças de roupa apenas com recurso a dois ou cinco pauzinhos e fio. Visto por esse prisma é uma coisa tão útil ou importante como saber plantar batatas ou amassar um pão – uma espécie de regresso (ou progresso em direcção) ao mais básico, ao mais fundamental. Comecei a fazer malha como muitas pessoas da minha geração: quando era pequena (no meu caso aos 7 anos) pedi a uma prima um pouco mais velha que me ensinasse durante umas férias. Ela vivia no Porto e eu em Lisboa, por isso o que não aprendi com ela tive de ir inventando, experimentando, porque em casa não tinha com quem tirar as dúvidas. Fiz a minha primeira camisola aos doze anos, mas como demorei algum tempo quando a terminei já não me servia. Nessa altura o tricot era apenas uma de muitas técnicas que fui experimentando, quase sempre com a minha mãe, que enchiam as tardes e serviam para fazer prendas de Natal: macramé, arroiolos, alguma costura, tecelagem naqueles teares pequenos de madeira (que agora estão completamente em voga outra vez), crochet tunisino… Durante a adolescência continuei a fazer malha, apesar de ser olhada de soslaio pelas minhas amigas, fossem gorros para o meu primeiro namorado ou prendas para o novo bebé de uns amigos. Podia passar meses sem pegar nas agulhas e ter um cesto de projectos que nunca acabei, mas era uma coisa presente na minha vida. Actualmente faço malha quase todos os dias, seja porque uma das minhas filhas precisa de uma camisola nova, porque estou a planear o meu próximo fio ou porque uma aluna que veio aprender uma técnica qualquer numa das minhas “consultas” de tricot.

Como se explica que o tricot seja hoje uma tendência tão marcante quando, ainda não há muitos anos, não se via com bons olhos que uma mulher cosmopolita tricotasse? O que mudou entretanto?
Estes fenómenos são cíclicos. A última época em que o tricot esteve muito em voga terminou nos anos 80 e este ressurgimento que estamos a viver agora começou já no início do século XXI, muito ligado à generalização do acesso à internet e ao fenómeno dos blogs. Há algum tempo escrevi um texto sobre a mudança de mentalidades desde o momento em que organizei o primeiro encontro de tricot em Lisboa, em Setembro de 2004. Nessa altura era uma ideia quase subversiva: estávamos a fazer em público aquilo que se se fazia era em casa, longe dos olhares reprovadores de quem achava, como a maioria, que fazer malha não só era coisa de velhas como não ficava bem a mulheres cultas e independentes. Nesse primeiro encontro fomos só três, o que mostra bem o quão “anormal” era a ideia. Para dar ideia da mudança veja-se que em 2014 fui convidada pelo Pavilhão do Conhecimento para organizar um encontro de tricot (o que seria impensável dez anos antes). Apareceram dezenas e dezenas de pessoas, não havia onde sentar toda a gente e ninguém queria ir para casa à hora marcada! O que é que mudou? Sobretudo o sentimento de comunidade que se gerou nas pessoas que fazem malha e usam a internet para trocar ideias, mostrar os seus trabalhos e procurar inspiração – se há tanta gente como eu, que gosta disto como eu, então por que razão me hei-de sentir esquisita? Posso em vez disso sentir orgulho, é muito melhor! Mas atenção, continua a haver preconceito. Não sei se é uma coisa particularmente portuguesa, mas colectivamente (por muito que os novos agricultores, carpinteiros, cozinheiros e fazedores de coisas em geral estejam a contribuir de forma fantástica para combater essa ideia) continuamos a desdenhar o conhecimento prático e o trabalho do corpo relativamente a qualquer profissão que implique usar apenas a cabeça e a ponta dos dedos. Basta olhar para as salas de aulas dos nossos filhos: tirando as aulas de ginástica não lhes é exigido nada que não possam fazer com uma mão só. E isso contribuiu irreversivelmente para que quem, fora da cidade, conserva os outros saberes, tenha passado a desvalorizá-los, a desvalorizar-se. Perdi a conta aos teares destruídos na lareira, às vezes que ouvi artífices dizer “ó menina, hoje em dia ninguém dá valor a isso, não vale a pena!”.

Em que é que se inspira para criar? Que peças costuma fazer?
Essa pergunta da inspiração é uma espécie de coisa obrigatória nestas entrevistas, mas não tenho uma resposta. Tenho uma bagagem de referências, de imagens, de momentos. Uma bagagem que se transforma permanentemente com as novas impressões que ficaram de cada dia, seja porque passei a manhã com uma das últimas fiandeiras da ilha de São Miguel ou porque me dou ao luxo de passar pelo menos dois dias por mês na Biblioteca Nacional a ler seja o que for o que me apetecer mais ou menos a propósito dos meus temas de eleição ou porque reparei num mosaico hidráulico particularmente bonito numa rua de Lisboa. Aquilo que se chama inspiração deve ser o sumo de tudo isso, não sei. Nunca andei atrás dela, é ela que anda atrás de mim. Quanto às peças que faço também não tenho uma resposta pronta, porque varia imenso. Neste momento tenho em mãos um enorme casaco de tricot que desenhei com motivos retirados de uma manta alentejana antiga. Antes dele acabei uma camisola para a minha filha mais velha e, no meu tear, um tapete tecido a partir de calças de ganga e t-shirts velhas. Ah, e tenho sempre um par de meias em curso, porque são o trabalho ideal para fazer em transportes ou momentos de espera.

Qual a que mais gozo lhe deu a tricotar até à data? Alguma história especial associada a essa em particular?
É impossível escolher, cada uma tem o seu contexto, a sua história. Adoro tricotar para as minhas filhas, vê-las aconchegadas por uma camisola que nasceu nas minhas mãos, ainda mais se for feita num dos fios que tenho criado. Em 1994 tinha 18 anos e passei umas semanas como voluntária no Campo Arqueológico de Mértola. Nessa altura reparei nuns novelos de lã fiada à mão, muito macia e cor de café com leite que havia na Oficina de Tecelagem. Vim para Lisboa como todos os que tive dinheiro para comprar e fiz uma camisola que usei anos a fio. É uma peça muito marcante na minha vida porque foi a que me pôs a pensar na questão da origem da lã – porque razão nas lojas de Lisboa só havia novelos de lã estrangeira (quando não eram de fibras sintéticas) se existia lã portuguesa tão bonita? E para onde ia afinal a lã das ovelhas que vemos da janela do carro quando vamos na estrada?

Quanto tempo leva, em média, a conceber e confecionar cada uma? Quais as maiores dificuldades, de um modo geral?
Depende da espessura do fio, do tamanho da peça e sobretudo da pressa em vê-la acabada. Peças complexas, como trabalhos em jacquard (com fios de muitas cores diferentes) podem exigir os serões de um mês inteiro. Como não tenho formação em design têxtil, quando concebo peças de raiz às vezes ando um bocado à luta com a engenharia da coisa. Ainda por cima tenho a mania de querer acertar à primeira. Mas o tricot dá-nos, entre outras, uma lição que acho muito bonita e que procuro transmitir a quem aprende comigo: fazer e desmanchar, tudo é trabalhar. Às vezes é mesmo importante saber andar para trás para depois andar para a frente de uma maneira mais certa.

Que técnicas existem ao certo e quais as mais correntemente utilizadas?
O tricot e o crochet são as duas técnicas mais difundidas dentro da família das malhas. Exigem uma ou mais agulhas e um fio contínuo e, na sua essência, consistem numa laçada inicial pela qual é passado o seio do fio – formando uma nova laçada – repetindo-se este gesto sucessivamente. Depois o que há são maneiras infindas de realizar esse movimento, essa criação dos novos pontos ou malhas a partir dos que já temos nas agulhas. Na malha falamos sobretudo da liga e da meia e em Portugal quase toda a gente começa por aprender o ponto de liga porque a nossa técnica tradicional (sim, em Portugal faz-se tricot de maneira diferente de grande parte do mundo) faz com que esse ponto seja mais simples de executar do que o de meia.

E em relação aos materiais: temos uma boa oferta no país? Onde costuma comprar os seus?
Como eu também produzo e vendo materiais sou um bocado suspeita para responder a essa questão! O nascimento da Retrosaria partiu precisamente da minha frustração quando procurava bons tecidos e bons fios para fazer as minhas peças. Aqui há dez anos era uma missão impossível! Daí ter começado por importar muitos materiais, que vendia inicialmente apenas online. A loja física abriu há cinco anos, num segundo andar junto à Bica, em Lisboa. Nestes últimos anos o meu foco principal tem sido o de encontrar e facultar o acesso a materiais da melhor qualidade mas de origem portuguesa – daí ter começado a produzir os meus próprios fios de lã para tricot, feitos de lã de ovelhas de raças autóctones portuguesas, e de andar sempre à procura de bons tecidos produzidos em Portugal, para que quem gosta de costura e patchwork não esteja sempre na dependência dos tecidos americanos e japoneses que são os que dominam nesta área.

O que é preciso para alguém começar a tricotar? É uma arte fácil de aprender? E uma ocupação cara ou, pelo contrário, acessível a todos quantos queiram aventurar-se neste universo?

Dois pauzinhos, um fio e vontade, mais nada. O ideal é aprender com uma amiga, uma avó ou outra pessoa que esteja disponível para nos mostrar as vezes que forem necessárias como se puxa o fio do trabalho por dentro das malhas que estão na agulha, mas hoje em dia muitas pessoas aprendem no YouTube, nos livros ou em workshops. Vale a pena pensar que até há muito poucas gerações se aprendia a fazer malha pelos sete oito anos e com pouco mais que essa idade já se faziam meias e outras peças de alguma complexidade. É de facto uma técnica ao alcance de qualquer pessoa. E é uma arte totalmente acessível, em casa dos pais ou de uma tia há de certeza uns pares de agulhas e uns novelos esquecidos que podemos usar para as primeiras experiências. Por outro lado, quem toma verdadeiramente o gosto pelo tricot e aperfeiçoa a técnica ao ponto de fazer camisolas e outras peças maiores para usar no dia-a-dia acaba por ter prazer em investir em bons materiais e bons fios. Mas é um investimento que compensa largamente: uma camisola feita à mão em bons fios de fibras naturais pode durar anos e anos, nada se lhe compara!

2014

export

Demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo (ou apenas falta de jeito) fizeram com que não viesse aqui celebrar o facto de 2014 ter sido o ano em que os fios de lã da Retrosaria passaram a estar à venda também em lojas no estrangeiro (a primeira foi a Stephen+Penelope em Amsterdão). Esta aventura de produzir fios com lã de ovelhas portuguesas tem sido cheia de descobertas, desafios e também muitas frustrações, mas a verdade é que aquilo que há quatro anos era apenas um sonho tem vindo a ganhar forma. E continua…

2014

driving test

Com vinte anos de atraso, tirei a carta de condução em 2014. Saí de uma espécie de clube secreto de nerds do qual fazem parte algumas das pessoas mais activas e interessantes que conheço, pessoas que vão na mesma e fazem na mesma (a pé, de transportes e com os amigos ao volante). Quem se fez gente a andar a pé vive o espaço público de outra maneira, conhece as pedras do passeio de cada rua em vez de saber o sentido do trânsito que lá passa, faz malha, lê e olha pela janela dos comboios e autocarros (e à espera deles) e tem filhos que sabem de cor a rede do metro e o número de tampas até casa da avó, que enjoam de carro mas atravessam a cidade a pé sem se cansarem. Não é melhor nem pior, mas é sem dúvida muito diferente.

Pela frente está um novo mundo…

Merioneth Show in Corwen
a car that would fit her pet sheep

Imagens:
Charles H. Hewitt, Woman During Advanced Driving Test. 1956.
Geoff Charles, Sioe Meirionnydd yng Nghorwen, 1950.
My friend works at a Subaru dealership and a lady came in looking for a car that would fit her pet sheep. 2014.

beiroa beanie

gorrinho

I’ve just finished a new version of Bruno’s beanie, this time using a simple Fair Isle motif and one of my favourite shades of Beiroa.

There is now a downloadable pdf with the pattern in English (charted and written down), for those who asked for it – remember I knit Portuguese style, which means all circular work is purled (not knitted).

Download pattern

PS: as instruções em Português estão aqui.

receita de natal

lord mantraste
patinho mantraste

A Feira de Natal da Retrosaria já vai no seu terceiro dia (os convidados deste ano são: Jubela, Zélia Évora, DoSemente, Lord Mantraste e By Stro). Entre visitas, meadas e muita conversa, uma amostra que tinha de fazer transformou-se de um dia para o outro num gorro à marinheiro (o Bruno chama-lhe tapa-carecas). A receita é esta:

Uma meada de Beiroa cor 685
20g de Beiroa cor 409
Um pedacinho de beiroa cor 573

Umas agulhas circulares de 5mm x 40cm (ou conjunto de 5 agulhas de 5mm x 20cm)
Umas agulhas circulares de 6mm x 40cm (facultativas)
Um conjunto de 5 agulhas de 6mm x 20cm
Uma agulha para rematar

Notas: o fio é trabalhado dobrado.

Montar 80 malhas com a cor 685 nas agulhas mais finas.
Trabalhar circularmente 26 voltas em canelado *2 malhas de liga, duas malhas de meia*.
Com as agulhas de 6mm, trabalhar 4 voltas em liga.

Motivo: este motivo foi retirado do livro 150 Scandinavian Knitting Designs de Mary Jane Mucklestone e tem 9 malhas de largura por 8 carreiras de altura.

Para trabalhar este motivo ou outro motivo com 9 malhas de largura:
Aumentar uma malha no início da volta (81 malhas) e trabalhar em liga as 8 voltas do motivo em jacquard. Matar uma malha no final da 8ª volta (80 malhas).

Para trabalhar um motivo com 4, 8 ou 10 malhas de largura não é necessário fazer quaisquer ajustes.

Uma volta em liga.

Diminuições:
*6 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*5 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*4 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*3 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*2 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*1 malha de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*Um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.

Cortar o fio, deixando uma ponta com cerca de 20cm de comprimento. Com a agulha de rematar, passar o fio por dentro das 8 malhas remanescentes. Rematar as pontas de fio pelo avesso do gorro.

o barrete vermelho

paineis
paineis
Políptico São Vicente de Fora, atribuído a Nuno Gonçalves, Século XV [c. 1450-1490] (pormenores).

Porque me apetece marcar em breve um workshop de crochet tunisino, fui à procura de imagens da Tunísia, para tentar perceber se há uma relação entre a técnica e o país ou se é um fenómeno como a salada russa e a bola de berlim. Fiquei sem saber, mas encontrei uma coisa que veio ao encontro de uma pista que há muito seguia, a propósito de algumas coberturas de cabeça que se usavam por cá entre o século XV e o século XVI. Sempre que revia os Painéis de S. Vicente achava que aqueles chamativos chapéus vermelhos podiam bem ser de malha. À partida a ideia parece descabida, porque estamos habituados a pensar na malha como uma coisa elástica e macia, moldada ao corpo. Mas no tempo dos painéis não era assim. As peças em malha eram muitas vezes feltradas (apisoadas?) até se tornarem rígidas (como uma camisola que foi acidentalmente lavada na máquina com água quente), moldadas para adquirirem determinado feitio, cortadas à tesoura e cardados para ganharem uma superfície aveludada. É aqui que entra a pista tunisina: o chapéu masculino tradicional do país, a chéchia, não só é feito exactamente assim como se considera que foi introduzido no século XVII por muçulmanos oriundos da Península Ibérica. O seu uso está actualmente em declínio, mas continuam a produzir-se da forma artesanal: segundo esta página a lã é fiada à mão em Djerba e Gafsa, os barretes em malha são tricotados pelas mulheres de Ariana, depois feltrados em El Batan (o nome é internacionalmente sinónimo de pisão), cardados em El Alia, tingidos em Zaghouan e finalmente enviados para Tunis, onde recebem os retoques finais, sendo novamente cardados com o mesmo cardo que por cá se usou até nas primeiras máquinas da revolução industrial, e vendidos em Tunis. Infelizmente só encontrei imagens da última fase do processo, mas fiquei convencida. Acho mesmo provável que em Lisboa os muitos barreteiros documentados para 1551 e 1552 estivessem no fim de uma cadeia de produção semelhante. As semelhanças entre algumas chéchias e os barretes dos painéis são óbvias, mas quem sabe… Read more →

Page 1 of 2012345...1020...Last »