wiksten tank

wiksten tank

wiksten tank

Tenho poucas blusas de verão que não tenham sido feitas por mim (na verdade tenho poucas blusas de verão mesmo somando as que foram e as que não foram feitas por mim). As de que mais gosto são esta e esta, que continuam óptimas depois de vários anos de uso intensivo. Foram feitas por um livro japonês, com o molde que se aprende a usar no workshop Coser para vestir. Esta manhã experimentei finalmente um dos moldes da Wiksten, algo que queria fazer desde que eles apareceram. A autora, Jenny Gordy, esteve há poucas semanas na Retrosaria, onde se abasteceu de Beiroa e outras coisas. Comecei por este tank (a primeira remessa que recebemos esgotou instantaneamente), feito num tecido antigo de algodão que encontrei em Castro Verde. Rematei o decote com viés de algodão, como costumo fazer, porque me custa imenso estragar quase um metro de tecido só para cortar uma tira. Sigo para pelo menos uma Tova, talvez num destes.

wiksten tank

o início

A

A

A prova de que o workshop de Sábado à tarde foi mesmo bom é ter vindo para casa com uma vontade incontrolável de fazer hexágonos de crochet. Talvez a coisa me agrade tanto por ser uma espécie de encontro entre a malha e as mantas de retalhos. Vem aí uma manta (a não ser que eu consiga fazer um casaco parecido com este). Estou a usar a Beiroa em quase todas as suas cores. A minha mãe estranhou ver-me só com uma agulha na mão – crochet?! – e depois lembrou-se deste quadro, que lhe pareceu a inspiração ideal.

…e o melhor site de crochet (e não só) que conheci nos últimos tempos: Ganchitos.

A

A

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na retrosaria

tricot 2

tricot 2

Uma das boas coisas que acontecem na Retrosaria é dizerem-nos tantas vezes que os nossos workshops são diferentes.
Ontem também estive do outro lado. De manhã ensinei truques de malha e à tarde fui aluna da Rita (a mesma Rita que fez as ilustrações do meu livro). Foi a estreia do workshop de Crochet 2, em que se aprende a fazer rosetas ou motivos de crochet (aquilo a que nos EUA se chama granny squares e cá não tem nome mas quase toda a gente da minha idade reconhece de uma manta de casa da avó). Para mim, que nunca tinha tentado avançar no crochet para além do mais básico, foi uma revelação. As cores da Beiroa, que foi o fio que usámos, agora parecem-me ter sido inventadas para isto.

crochet 2

crochet 2

crochet 2

a subida à serra

transumância

transumância

Pedro,
Este ano não tirei tantas fotografias da subida à Serra como da outra vez. Metade do tempo porque fui com o cordeiro do Sr. António ao colo, depois porque quando já está muita luz e calor é mais difícil fazer boas imagens e também, claro, porque os caminhos antigos são mais bonitos do que a estrada que tomámos este ano. Mas foi na mesma um dia inesquecível. Foi bom ver as mulheres e filhas dos pastores a fazer a caminhada e perceber que a Grande Rota da Transumância despertou nelas e em muitos outros a vontade de conhecer mais de perto o vosso trabalho. A E. e a A. também não se vão esquecer deste dia. Até porque levaram muito a sério os seus elogios às borlas (elas chamam-lhes pompons) e continuam a fazê-las umas atrás das outras – quando o Pula precisar de mais, é só dizer! O Tiago ainda não teve tempo de editar as filmagens desse dia, mas eu aviso quando estiverem online. Entretanto, também há muitas imagens aqui e aqui, não sei se já viu.
Até breve (espero) e um grande abraço para si e para o Pula.

transumância

transumância

transumância

fia 2013 – a vez dos cestos

fia 2013

fia 2013

fia 2013

Uma pausa no atrasado relato das últimas viagens para registar a ida à FIA, que abriu ontem. Ano após ano, é um ritual que só falha se estiver longe de Lisboa. A edição de 2013 é dedicada aos cestos, com uma exposição a não perder. A variedade e qualidade dos cestos (e cadeiras, berços, esteiras e outras coisas feitas com fibras vegetais entrelaçadas) portugueses de produção artesanal ainda é magnífica. E os cestos continuam a ser em geral bem feitos, surpreendentemente baratos e, sobretudo, muito úteis para pôr coisas dentro como dizia o Joanica Puff. Nesta FIA há muitos e bons cestos à venda e alguns vieram comigo para casa. Um deles foi uma condença [sic] destas.

Mais sobre cestos:
Toino Abel: um projecto já com vários anos de divulgação e venda de cestas de junco (as melhores para transportar as máquinas de costura para os workshops).
Uma página do catálogo dos Armazéns Grandella de 1933 (adorava ver as outras) fotografada pela Alexandra, que nos dá um vislumbre da vida urbana pré-plástico.
…e a história de Jane Birkin e a sua condessa algarvia, que já é bem conhecida.

cestaria
Cestaria portuguesa no Museu de Arte Popular. Fotografia sem data proveniente da MatrizPix.

os pompons

pompom

pompom

Este ano a Câmara de Seia tomou a iniciativa de integrar a transumância que fiz em 2011 na recém-nascida Grande Rota da Transumância. Todos os que quiseram puderam acompanhar uma parte do caminho, entre Seia e o Sabugueiro. A A. e a E. também vieram e aguentaram o calor e os quilómetros pelo meio da serra como gente grande. Depois de tanto ouvirem falar de pêras e cabeçadas e depois da estadia em Fernão Joanes, onde as ovelhas em Maio parecem árvores de Natal, quiseram ir a rigor. Passámos a manhã dos preparativos a fazer grandes pompons coloridos, com beiroa de muitas cores e estes engenhos deliciosos. Read more →

a romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

Ainda não sei quantas são as aldeias em volta da Serra da Estrela onde os pastores continuam a fazer questão de levar as ovelhas em romaria, mas a Folgosa da Madalena é certamente uma das que levam o acontecimento mais a sério. Estivemos lá no ano passado e voltámos na semana passada para ver correr os rebanhos em torno da capela. Para sair bem, o rebanho tem de pegar: as primeiras ovelhas têm de alcançar as últimas da roda, fechando o círculo e continuando a correr até o pastor dar ordem de inversão de marcha. A seguir, o processo repete-se no sentido contrário. Enquanto as ovelhas correm, o pastor e os ajudantes vêm cumprimentar os que estão na assistência. Quanto mais elegante for todo o processo, quanto mais bonitas e mais obedientes as ovelhas, mais elogios se ouvem e mais satisfeito e orgulhoso sai o seu dono.
Mais fotografias aqui.

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas - bode enfeitado

pêras e cabeçadas

o bode enfeitado

o bode enfeitado

o bode enfeitado

Os últimos adereços do bode são a cabeçada e o chocalho. As cabeçadas são feitas a partir de fitas ou tecido vermelho e decoradas a gosto do autor com aplicação de mais fitas, bordados ou borlas. Encaixam no focinho e atam-se no alto da cabeça com dois pares de atilhos. Os chocalhos dos bodes são o orgulho do pastor. Chamam-lhes a loiça grande e são usados apenas nos dias de festa e durante a transumância. São objectos valiosos e muito estimados, alguns com várias gerações de uso e outros acabados de trazer de Alcáçovas, onde a Chocalhos Pardalinho continua a fazê-los um a um, à mão, com os desenhos e iniciais que cada pastor encomenda.

o bode enfeitado

pêras e cabeçadas: lavores masculinos

o bode enfeitado

o bode enfeitado

Depois de feitos os furos, as pêras ou bolras (borlas) já podem ser seguras aos cornos dos bodes. As mais antigas eram presas com tiras em couro e as mais recentes são-no com abraçadeiras de plástico. Na colecção do Miguel há de umas e de outras, feitas por várias gerações de pastores. Depois de as borlas estarem postas, os cornos são enfaixados com fitas de cetim. No fim é preciso coser as pontas das fitas para que não se soltem.

(Deve ter sido há muito, muito tempo que um pastor se lembrou pela primeira vez de enfeitar os animais com pompons…)

o bode enfeitado

o bode enfeitado

pêras e cabeçadas: os furos

preparar o bode

preparar o bode

Sair de Lisboa Domingo de manhã rumo ao Fundão, para a meio da tarde irmos ao encontro dos pastores com quem há dois anos subi à serra. Fomos vê-los preparar os últimos bodes e cabras para a romaria dos animais em honra de São João, na Folgosa da Madalena, porque este ano o rebanho foi a rigor.
Para segurarem firmemente uma fileira de borlas (ou pêras) gigantes, os cornos têm de ser furados. O processo é rápido e indolor, mas segurar um bode vigoroso e fazer-lhe quatro pares de furos simétricos com um berbequim não é para qualquer um. Read more →

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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