ela

E
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Estava absorvida na leitura, mas ouvi vagamente falar de construir um tamagotchi verdadeiro. Uns minutos depois, posso usar esta caixa? Vou buscar a fita-cola. É assim desde sempre e a culpa não é minha. Acho que só talvez a militância anti A4 e os materiais em sistema de bar aberto tenham alguma coisa a ver. Ou não. Desenha com a tesoura e com a máquina de costura, organiza bailes, constrói, vai pelo papel fora, a galope, sem horário e sem mestre.

E
E

d’ornellas

d'ornellas
d'ornellas

Uma marca, umas botas. Um modelo concebido e apurado em cada um dos seus pormenores (o fecho impecável na traseira, a pala presa pelo atacador, a cor e textura da pele) para servir como uma luva. E para durar, porque o que se quer numas botas assim é que durem muito tempo. São obra do criador de cavalos Lusitanos Gonçalo d’Ornellas e não sendo já um segredo é como se fossem porque ainda não estão nas lojas. Encomendam-se directamente por email ou via facebook (digam que vão da minha parte) e depois já não se tiram dos pés.

d'ornellas
d'ornellas

mantas alentejanas
ost

Três velhas mantas alentejanas encontradas de surpresa numa perfeita manhã de sábado, resgatadas entre sorrisos cúmplices, re-destinadas a aquecer-nos à noite, que por muito que digam que picam, que pesam, ninguém me convence que haja coisa mais bonita e mais quente para ter na cama.

Duas mulheres, duas vozes que tenho trazido comigo. Dantes comprávamos discos para os ouvir. Agora é tão fácil ouvi-los que demasiadas vezes não os compramos. Estes trouxe-os comigo como quem contribui para uma campanha de crowdfunding, para dizer à Gisela João e à Capicua obrigada, gosto tanto do que fazem.

les plus beaux jacquards du monde

100 idées
100 idées

Des cristaux de neige deviennent les fleurs d’un kaléidoscope fantasque. Des animaux hiératiques marchent à l’étoile. Un oiseau-dieu échappe au piège des mailles et prend son vol de feu sur la cordillère des andes. La géométrie se colore, délire et s’en va dériver loin des mornes sentiers euclidiens. Tout cela par la magie de la laine, des aiguilles, de l’imagination réunies. Tout cela grâce au jacquard, qui existait bien avant qu’un tisserand ne lui donne son nom, vers 1800, par le biais curieux d’une machine à tisser.

Em Outubro de 1975, começava assim um artigo do número 24 da revista 100 idées sobre as malhas a cores de todo o mundo (por coincidência são o dia, mês e ano em que nasci).
Trinta e oito anos depois as camisolas em jacquard, sem nunca terem desaparecido, voltaram em força às montras e as imagens deste artigo parecem tiradas de um dos mais recentes livros japoneses de tricot. Os países do norte da Europa usam-nas (sempre as usaram?) com mais orgulho, reinventam-nas, fazem delas património, identificam-se com e por elas.
Um exemplo da Islândia, de onde vêm as camisolas Lopi da segunda fotografia:

The Icelandic financial crisis and recovery could be seen as the most expensive group therapy of all time. The Icelanders had five years to come together and ask themselves: Who are we, and what is our place in the world? (…) Since 2008, she says, “suddenly everyone started to knit Icelandic sweaters like crazy.” Indeed, young Icelanders do seem to walk around less frequently in cheap labels like Zara and H&M than they do in patterned hand-knit sweaters. “They are warm, they are beautiful, they are very Icelandic. There is something comforting about them,” Ragga says. She also sees them as the antithesis of suits, the globalized uniform of bankers.

de Out of the Abyss: Looking for Lessons in Iceland’s Recovery.

Na Dinamarca, a série de televisão The Killing criou um verdadeiro fenómeno em torno da camisola usada pela protagonista, uma camisola feita à mão em lã e com motivos tradicionais das ilhas Faroe (sim, lã daquela que pica mas isso não fez diferença nenhuma), que se tornou quase mais popular do que a própria série.

The knitwear also has personal memories for the actor, who was brought up in the 70s in a very hippy-like environment in Copenhagen. “I wore this sweater and so did my parents. That sweater was a sign of believing in togetherness. There’s a nice tension between those soft, human values and Lund being a very tough closed person – because to me it says that she’s wanting to sit around a fire with a guitar; it gives a great opposite to her line of work and behaviour.”

The Killing: Sarah Lund’s jumper explained

O sucesso foi tal maneira que a designer que a concebeu gere agora uma marca de sucesso, a Gudrun & Gudrun e que a camisola é mencionada no site oficial do turismo da Dinamarca. É o poder do jacquard, a fascinar desde há mais de quinhentos anos.

keito dama
lopi sweater

Imagens:
1. Camisolas de inspiração dinamarquesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975.
2. Camisolas de inspiração islandesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975. Sobre a história das camisolas Lopi, ver Nation in a sheep‘s coat: The Icelandic sweater.
3. Anúncio de uma marca norueguesa de lã (1956) no número 160 da revista japonesa Keito Dama (Inverno 2013/2014).
4. Camisola de inspiração islandesa no livro japonês Traditional Knits of the World 1: Iceland Lopi (2013).

coser

coser
coser

A minha melhor amiga está quase a ter um bebé. É o melhor pretexto para voltar a fazer roupa pequenina, daquela que um pedaço de uma tarde chega para levar do início ao fim. A roupa feita por nós tem todos os poderes mágicos do amor que investimos nela. Mas também tem outra coisa: consegue usar-se durante muito mais tempo, mesmo numa criaturinha em crescimento acelerado. O molde destas calças reversíveis, que estreei há quase seis anos, deve andar perto da perfeição. Usando elástico caseado na cintura e dobras nas pernas, as da A. duraram um ano.

Molde do livro 歩きはじめた子どものために.
Tecidos: bombazine Denyse Schmidt e algodão estampado.

entrançar

A
A
A

Uma pessoa habitua-se a fazê-las de manhã, antes da escola. São menos de dez minutos entre achar a escova e pôr os elásticos. Dez minutos de manhã é bastante tempo, mas o cabelo fica arrumado para o resto do dia e não dá mais trabalho. Não me lembro de ter decidido não o cortar, foi só crescendo e agora é ela que não quer (há-de querer um dia). A verdade é que sempre gostei de personagens com tranças, da Pippi à princesa Leia, das estátuas gregas às pinturas pré-rafaelitas.

♥ zagal

♥ zagal
♥ zagal

How much or how little information do you need to follow a knitting pattern? Knitting from japanese books has made me favor charts over text, symbols over words. While doing research for my book I’ve met old ladies who can’t follow the simplest written pattern but will reproduce a complex knitted garment from looking at it only once or twice.

♥ zagal
♥ zagal

This sleeveless jumper was the first thing I’ve created with my new yarn, Zagal. My daughter is 7 but I think it will look nice on smaller kids as well. It’s done portuguese style (which means I prefer purling over knitting and always purl when knitting in the round, facing the inside of the garments), in the round up to the armholes and then flat up to the shoulders. If you’re knitting style is any other than portuguese chances are you prefer knitting over purling – just purl where I knit and knit where I purl and you’ll be fine.

♥ zagal
♥ zagal

Needles: 60cm x 6mm circular needles for the ribbing, 60 x 7mm circular needles for the body and a set of 5 double pointed 6mm needles for the ribbing on the neck and arm openings.
Yarn: 1 skein of Zagal 902 (yellow) and 3 skeins of Zagal 909 (blue & white).

♥ zagal
♥ zagal

Some notes:
1. The ribbing pattern is k1, p3.
2. After the ribbing, stitches 1 & 63 are knitted to create a faux seam. All other stitches are purled.
3. Leave stitches 1 & 63 on stitch holders when you reach the beginning of the armholes.
4. Cast off the stitches of the front (20 on each shoulder) together with the stitches of the back (also 20 st on each shoulder). This is called a three needle bind off.
5. The neck opening starts on row 64 of the front and row 77 of the back. Start counting after the ribbing is finished.

♥ zagal

Have fun!

o gorro montanhac

montanhac
montanhac



Nasceu há já alguns meses, inspirado por uma manta do baixo Alentejo especialmente bonita. O padrão é diferente dos mais habituais: não tem meio e o seu lado esquerdo é o negativo do direito. De tal maneira que em pequenino, como estava na manta, parecia ter um erro de construção. Fiz o primeiro em Beiroa 2ply com agulhas 6mm e agora fiz três de uma vez em Zagal com agulhas 7mm. Chama-se Montanhac porque é esse o nome localmente dado às mantas com este tipo de desenho (a bibliografia de referência está aqui, pirateada por yours truly porque é quase impossível dar com ela em alfarrabistas). As instruções estão disponíveis para download no Ravelry e hoje, no belíssimo Fringe Association, fala-se dele.

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malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

singing in the rain

singing in the rain

singing in the rain

Elegeram-no o filme da temporada e vimo-lo três vezes nos últimos dias. Era um dos meus preferidos em miúda e foi o primeiro que vi na Cinemateca, com a idade que a E. tem agora. A A. chama ao Don Se’nato à Chuva e quer aprender sapateado e a E. tenta recitar o Moses supposes…. Eu namoro os jerseys e coletes de 1952 à la 1927, sobretudo os de Fair Isle (já seriam feitos à máquina no início dos anos ’50?). O do Gene Kelly tem meias a condizer, mas a nossa televisão é tão antiga e low-fi que não consegui fotografá-las.

hillhead slipover

hillhead slipover

Demorou quase dois meses a fazer mas deu-me imenso gozo (fora as vezes todas em que tive de desfazer várias carreiras por ter trocado a cor de uma malha). Tecnicamente acho que ficou muito bem, sobretudo pensando que foi a minha primeira experiência com tantas cores diferentes (10!) e steeks. É muito confortável (a lã de Shetland é de facto esplêndida), macio e nada pesado. Mas está grande. Era previsível, por o modelo ser para homem, mas optei por não o alterar. Assim parece que foi emprestado por um tio de ombros largos, mas vou usá-lo na mesma. Nos próximos já sei onde e quanto diminuir. O Fair Isle é viciante. Não fosse ter já uma camisola para o verão da E. em mãos (com esta lã completamente diferente) e passava directamente para um casaco. Read more →

sacos, bolsas, taleigos

taleigos
Debret, Jean Baptiste (1768-1848), Boutique de boulanger. Brasil, 1834-1839 (pormenor).

taleigos
Domingos Rebelo (1891-1975), Os Emigrantes, 1926.

A poucos dias do próximo workshop de sacos, bolsas e taleigos (o primeiro foi assim), um rol de imagens: a de cima é a mais antiga que tenho de um saco de retalhos (à esquerda na mão do rapaz). É um pormenor de uma das célebres gravuras de Jean Baptiste Debret e é interessante por mostrar há quanto tempo se usam estes sacos para ir ao pão. No quadro de Domingos Rebelo, mais ainda que o chamativo saco ao centro, gosto do do lado esquerdo, sobre a arca, que podia ser este, feito daquelas chitas vermelhas brancas e pretas dos finais do século XIX. Haverá certamente muitos sacos por encontrar noutros retratos e fotografias de emigrantes portugueses. A quarta imagem deve ter o taleigo que mais gente viu sem reparar nele (eu própria só dei por ele recentemente). Aparições à parte, é uma lindíssima fotografia. A seguir, três sacos feitos por três avós de participantes do workshop que tiveram a gentileza de os trazer para me mostrar. Read more →

fair isle (2)

fair isle knitting
Peterson, J., Knitting Fair Isle, 1939/1946.

fair isle knitting
Ramsay, R., 1926 (detalhe).

O meu colete ainda não está pronto e já ando a sonhar com uma camisola de fair isle com um padrão mais tradicional e um feitio semelhante às dos anos 1920. Foi nesta altura que o tricot de Fair Isle se tornou conhecido em toda a Grã-Bretanha, graças a uma camisola oferecida em 1922 pelas mulheres das ilhas Shetland à família real que foi repetidamente usada pelo então príncipe de Gales. Read more →