tara perdida

botellon

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É este o aspecto do Bairro Alto todas as manhãs. A Câmara tenta remediar a situação com varredores que recolhem diariamente (e certamente com grandes gastos) centenas de garrafas, mas a limpeza não resolve o problema nem impede que o caminho para a escola seja feito por entre um mar de cacos. Em Espanha o fenómeno chama-se botellón e por cá gerou finalmente uma manifestação de descontentamento por parte da Associação de Comerciantes. Os donos dos bares centram o problema na existência de lojas de conveniência e mercearias cujo horário alargado lhes permite fazer concorrência efectivamente desleal mas, como moradora, a quem os ditos horários dão jeito para outras coisas que não necessariamente comprar cerveja, creio que se podia e devia pensar em mais formas de combater o problema. Uma delas seria reintroduzir o depósito das garrafas (afinal porque é que desapareceu?). Poder recuperar uns cêntimos por garrafa, para quem opta por beber barato na rua em vez de mais caro mas confortavelmente sentado num bar, tiraria de certeza muito vidro dos passeios. Outra medida importante seria distribuir contentores adequados pelas ruas, porque em muitos casos nem quem se preocupa encontra facilmente onde deixar a garrafa ou o copo. Com medidas mais ou menos drásticas, o que não pode é deixar-se continuar esta situação.

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19 comments » Write a comment

  1. Não dá. É perigoso sobretudo no verão porque as crianças usam sandálias. Medidas drásticas precisam-se.

  2. Quando eu morava aí ficava de boca aberta com esse espectáculo todos os dias. Não percebo, por exemplo, por que razão os bares não são obrigados a ter um grande caixote à porta só para copos e garrafas. Porque grande parte do lixo, se não a grande maioria, são as garrafas e os copos comprados nos bares, e não nas mercearias, e bebidos na rua à porta dos estabelecimentos. Os donos dos bares usufruem do espaço público para aumentarem a área útil dos seus estabelecimentos mas depois não se responsabilizam minimamente pelo que se passa nele. Ficam com as vantagens de ter dezenas de pessoas a consumir à porta e descartam-se do trabalho que daria cuidar desse espaço alargado.

  3. durante alguns anos, quando levava os meus filhos á escolinha e q tinhamos q atravessar o bairro alto pela manhã, era um verdadeiro caos, mas o que mais me preocupava eram os pedaços de vidros das garrafas partidas no chão e que várias vezes, as crianças q adoram correr, caíam e claro tinha um medo terrível q um pedaço de vidro as magoassem; concordo com a inês, são os bares onde se vendem as bebidas a limparem os resíduos – garrafas e copos – dos seus consumidores, por ex, no bar da d. alice na rua das gavéas ( onde se come deliciosas empadas de galinha feitas por um grupo de mulheres do alentejo !!!!) é o que estes fazem, antes de fecharem, ela, o seu marido e filho limpam a sua área ! obrigada Rosa por abordares um assunto de ordem pública que me parece importante.

  4. O depósito deapareceu com a reciclagem. Muita gente vivia da recolha de vidro e cartão – agora quem fica a ganhar com a recolha é uma ou duas pessoas, que esperemos que pelo menos reciclem.
    Por aqui ainda nem se vê depósito para o óleo usado, nem para pilhas, latas, etc… e já andamos nisto há uns aninhos!

  5. No Porto passa-se o mesmo. Todos os dias passo por ruas neste estado, ou pior. Porque não são só as garrafas partidas e copos de plástico, quando as ruas servem de lixeira (algumas) servem também de casa-de-banho. Acho triste e feio. Muito feio.

  6. Dejá vu… ainda me lembro de ir entregar as garrafas vazias de cerveja e água das pedras à mercearia quando era pequenina!

    Realmente acho que a distribuição de (muitos) contentores adequados seria um primeiro passo para resolver o problema… eu vou pouco à noite do Bairro Alto, mas seria incapaz de ir para lá de sandálias, só de pensar no que anda pelo chão dá arrepios!

  7. Em Espanha o botellón é mais que comprar e beber na rua!
    As pessoas vivem a rua de forma muito especial e os bares abusam dessa forma de estar cobrando entre 5 e 7€ por uma “caña” (imperial) numa esplanada.
    A diferença aqui é que os serviços de limpeza nocturna são eficientes ao contrário do que acontece em Portugal.

  8. Também me parece que a limpeza deveria ser da responsabilidade dos bares. Os copos de plástico não vêm das lojas de conveniência.

  9. Boa noite,

    Gostaria de saber as próximas datas dos workshops, por favor.
    Pelo que vi, não estão agendados.
    Obrigada.

  10. Os restaurantes e bares deviam ser obrigados a usar garrafas de tara com depósito. Melhorava bastante o aspecto do bairro. desde que o dinheiro esteja em jogo as coisas melhoram.
    Aqui no meu bairro incendiaram os caixotes da reciclagem há 2 meses e o mais perto é a uns 400 metros. E lá vou eu ou o meu marido levar a reciclagem, mas tem havido um movimeento de colocar tudo ao lado do contentor.
    Não é só no Bairro Alto, é pelo país todo!

  11. Sinceramente o que me preocupa não são os bares, os restaurantes, os serviços municipais, etc., preocupa-me as pessoas continuarem à espera que sejam os outros a resolver o problema. Se cada uma das pessoas que consome uma bedida (ou todas as que quiser) se preocupar com o respesctivo resíduo, o problema não se coloca, porque das duas uma: ou não consome, ou exige um local apropriado para deixar o lixo. Eu, mesmo depois de muitas cervejas, sou incapaz de deixar lixo no meio da rua.

  12. Bom dia Rosa,
    Essas demonstrações de qualquer coisa muito reles não são só no Bairro Alto, vejo em muitos sítios, nomeadamente no bairro (residencial) onde moro. Não haver caixotes de lixo é um dos problemas, estarem frequentemente cheios os que existem é outro. Parece-me que uma boa ideia podia ser entregar o problema aos produtores de cerveja – encontrem formas criativas de ensinar aos consumidores que é bonito ser civilizado, que os vidros partidos são perigosos, que é bom evitar que os pais tenham de andar sempre de mão dada aos filhos para não tropeçarem e não cairem em cima de cacos. É bom aprender a andar na rua e assim é mais difícil. Adorava poder dar um puxãozinho de orelhas a cada um que deixa a garrafa fora do sítio. bjs

  13. O depósito não desapareceu! Algumas garrafas têm tara recuperável, mas isso não é muito explicito nas garrafas e a maior parte das garrafas que circula já tem tara perdida…
    Para diferenciar: se o rótulo tem o símbolo da sociedade ponto verde (aquela bola com duas cores e setas a desenhar um ciclo) é porque a tara é perdida, caso contrário é retornável. As de tara retornável são normalmente de vidro mais grosso.

  14. Concordo com calita.
    Pode-se muito bem levar as garrafas a alguma lixeira,
    Além de exigir mais coletores e reciclagem.

  15. Como proprietária de um bar, posso dizer que do meu estabelecimento não sai nem um copo de vidro. A culpa do vidro nas ruas são sem dúvida das chamadas lojas de conveniência, que de conveniente só tem litrosas.
    Pago demasiado em impostos e licenças, para estes pelintras só venderem litrosas e inclusivé pagarem somente 6% de impostos por ser uma loja de bens essenciais, eu, tal como os outros bares e restaurantes pagamos 13%. Em relação aos serviços municipais e saneamento, só para elucidar, os contratos dos espaços comerciais, pagam quase tanto de consumo de água como para os serviços de limpeza das ruas, se a limpeza não está a ser bem efectuada, reclamem, eu, já o fiz. Para terminar, em relação aos copos de plástico, a CML disponibiliza, ao longo das ruas, principalmente aos fins de semana, sacos pretos, para os copos de plástico, estes sacos, claro, são facilmente arrancados dos suportes, porque foram concebidos para minimizar o plástico na rua, não as garrafas de vidro.
    Sou contra o botelhão, tenho um bar, e tenho um funcionário à porta só para tomar conta dos meninos com as garrafas de vidro, que as lojas de conveniência ou mercearias vendem… meninos esses que insistem em entrar nos estabelecimentos como os bares e restaurantes e, se não pomos travão, é num estabelecimento como o meu que vêm mijar e vomitar, eu, que pago impostos… assim como o papel higiénico, a água e os toalhetes que eles usam… Não é no espaço deles, das LC que nem WC têm.
    Só para que fique registado, também moro no bairro, também nasci no bairro e os meus pais continuam no bairro,
    Não podem falar dos bares e restaurantes no geral, pois os bares que vendem litrosas, são poucos, são os que não vêm mais nada além de dinheiro, não se importando com a moral e o bom senso do serviço que está a prestar.

  16. Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » teatro do bairro:

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