Já não é fácil encontrar teares na ilha do Pico. Na escola de artesanato de Santo Amaro o último foi desmantelado há já vários anos e pouco mais se faz hoje em dia senão peças decorativas em escama de peixe e miolo de figueira. Também deixou de se fiar: as meias de lã para os ranchos folclóricos (que as usam com as tradicionais albarcas) vêm em geral de outras ilhas e a suera (da sweater norte-americana, a camisola de lã usada pelos pescadores) é só peça de museu. Em São João, no sul da ilha, encontrámos a D. Avelina e o seu fuso. Aqui fia(va)-se com o fuso apoiado, técnica que nunca vi usar no continente mas é comum por exemplo no Tibete e no Peru. A lã não é lavada antes de ser cardada (sobre a lã dos Açores escreverei depois), nem se usa roca (tal como na Serra de Montemuro). O fuso é semelhante aos que se usam em Trás-os-Montes (de tipo 1 na tabela estabelecida por Benjamim Pereira), mas aqui a roda (volante) tem um diâmetro maior e é mais fina. O fuso da D. Avelina tinha ainda a particularidade de ter incisos dois sulcos helicoidais, um para fiar e outro para torcer o fio (outro vídeo que fica para depois).
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Tão interessante! Fui ao Pico há dois anos e adorei. Acho curioso: este fuso parece-se mais com os modernos fusos norte-americanos ( o volante é do mesmo tipo) e foi assim, a fiar apoiada que eu comecei também a fiar. Parece-me uma maneira muito intuitiva, e bem diferente do fiar com fuso. Pergunto-me se haverá alguma influência dos métodos usados no norte da europa e depois nos estados unidos, que terão chegado aquando da colonização da ilha…
Filipa, a influência norte-americana parece-me estar patente não nos fusos mas na presença das rodas de fiar com pedal, que aparecem em vários locais nos Açores…
O engenho desta senhora e o empenho de quem o procurou são admiráveis! Adoro este sítio.
Olá outra vez…
Na realidade dá muita pena certas maravilhas que tínhamos na ilha irem desaparecendo devagar. A minha avó ainda faz das tais meias que se usa com albarcas, ensinou-me mas como não anotei o calcanhar….já não me lembro….tenho de ir filmá-la (deu-me esta ideia).
Há uns tempos que ando à procura de cardas…mas quem as tinha acabou por as pôr no lixo por não as usar…teares só em S. Jorge….felizmente têm investido em manter a funcionar os seus teares que produzem trabalhos lindíssimos.
A imnha missão agora é encontrar os apareklhómetros que a vó já disse que me ensinava, mas só se eu mandar fazer ou comprar…triste, mas verdade…
Quando conseguir registar o esquema das meias….mando-lhe!!!!
Pingback: fiar na madeira | A Ervilha Cor de Rosa