biquinhos de crochet

biquinhos de crochet
[instagram] #maximalism > beautyfying everyday kitchen towels with crochet edgings is the pastime of choice of uncountable portuguese (older) women, thus keeping their hands busy at times once used for spinning, mending or knitting socks. large bold ‘joyful’ prints and bright yarns are always preferred over lighter ‘minimalistic’ palettes, discarded as too plain or simply ‘sad’.

#àsvezeslánomeumonte

Uma semana a sul. Do meu instagram:

a bata
a bata, principal elemento do traje popular feminino contemporâneo > the smock, worn daily by most women in rural areas of portugal #alentejo

monte
#latergram from #alentejo > having dinner with sr manuel and sra emília who live in an isolated “monte” with their cows, pigs, sheep, goats and poultry. there are no weekends or holidays here, only hard work and the gentlest smiles. #àsvezeslánomeumonte #bringapocketknife #thefatoftheland

comer
#protocol > when invited for a meal at a peasant or shepherd’s home, bring your own pocket knife. you will be expected to use it to help yourself to the communal loaf of bread, cheese, and fruit, and to replace the knife you would expect to see by the plate that might not be there as well (opinel or a swiss army knife will do just fine but go for portuguese ivo or palaçoulo pocket knives if you can). having spent so many years gazing at medieval imagery, even after many memorable meals i am still moved by the longevity of these century old table manners #Portugal #bringapocketknife

volta à terra

Uz
tosquia na Uz
pastor na Uz

Decidi vê-lo por causa da imagem da tosquia, como na véspera tinha ido ver outro por causa dos teares. Gosto de ir para os filmes antes de ler sobre eles. Este apanhou-me de surpresa, apaixonou-me. Nem me lembrava onde era a Uz, mas poucos minutos chegaram para perceber que só podia ser ali onde Trás-os-Montes começam a ser Minho, entre Salto e Bucos, na terra onde as barrosãs ainda são donas dos caminhos. Não é um filme saudosista nem paternalista nem caricatural nem todas as outras coisas que acontecem quase sempre que se tenta falar de outras maneiras de viver. É uma história de amor, um fio de terra.
Volta à Terra, de João Pedro Plácido, no DocLisboa. Volta a passar no sábado, dia 25.

santo antónio em outeiro de espinho

cão
a caminho

Ao cair da tarde, quando começa a refrescar e o rebanho consente, começa a caminhada em direcção à capela. Paramos num pasto verde, onde as ovelhas procuram o trevo escondido pela erva brava. Dizem que hoje em dia são mais mimosas, que já não comem tudo como há trinta ou quarenta anos quando não tinham outra alternativa. Paramos mais à frente para beberem, não há pressa.

cão pastor
outeiro de espinho

Conversa-se na beira da estrada. A Francisca este ano quis ficar com o pai, ir à frente das ovelhas. Come pipocas cor de rosa e pergunta-me se também sou pastora.

chegada
chegada

Olhe que estou aqui só para o ver!
O Pula é saudado à entrada da aldeia. Traz o rebanho maior, o que mais gente espera ver correr em volta da capela. No Domingo que vem irá cumprir a romaria à Folgosa da Madalena. E no seguinte é dia de subir à Serra.

outeiro de espinho
romaria
romaria

amor de pastor

pompom
pompom

Quem por aqui vai passando já se deve ter cruzado com algum de muitos posts sobre o hábito que sobrevive em algumas aldeias da Serra da Estrela de enfeitar os rebanhos com pompons (lá são bolras, ou pêras, ou medronhos) em ocasiões especiais (normalmente romarias associadas aos ritmos da transumância). Ora no ano passado eu e as meninas decidimos que para subir a serra a preceito com os pastores e o gado também tínhamos de fazer alguns pompons e de oferecer um como lembrança ao maioral. Sem querer fomos promovidas a fazedoras de pompons de grande categoria e este ano vejo-me a braços com uma encomenda: quarenta pompons para enfeitar um rebanho que há-de ir a preceito nas romarias que aí vêm (é agora, entre Maio e Junho, que acontecem estas festas quase desconhecidas de todos os que não são pastores). Lembrei-me que podia pedir ajuda: não somos só nós que gostamos de fazer pompons e há de certeza mais quem tenha restos de lã colorida em casa e vontade de contribuir para que esta tradição continue viva. As regras são poucas e simples: os pompons têm de ser grandes (os nossos têm 85mm de diâmetro) e densos, coloridos e, sobretudo, muito resistentes. O meu conselho é atá-los não com lã mas com fio de norte, deixando umas pontas de fio bem compridas para que possam depois ser colocados nos bodes. Podem ser feitos à mão como os fazem os pastores, com cartão ou com máquina, o que interessa é que cheguem à Retrosaria antes do fim de Maio. Alguém alinha?

PS: convém fazer os pompons aos pares, para se usarem um de cada lado como se vê na foto de baixo.

pêras e cabeçadas

os últimos artesãos do vale do paiva

últimos artesãos do rio paiva
©Os últimos artesãos do Vale do Paiva

Há os guias de acesso ao ensino superior. E há os guias de acesso a um tipo de ensino que ou deixa a curtíssimo prazo de ser considerado inferior ou não estará lá quando descobrirmos que tínhamos obrigação de ter olhado por ele. Acredito que este livro que a Associação de defesa do Vale do Paiva está a tentar editar venha a ser um desses guias. Talvez sirva por exemplo para levar até Baltar uns novos rurais a tempo de se tornarem aprendizes do Sr. João.

A imagem acima, roubada ao Facebook da campanha de angariação de fundos para a edição do livro, é-me particularmente querida pela excepção que testemunha: das cinco mulheres que estão a fazer meia apenas uma tem o fio ao ombro e todas as outras trabalham ao dedo!

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

Na aldeia de Gralhas (Montalegre), os rebanhos de ovelhas e cabras continuam a ser apascentados de forma comunitária. O trabalho de levar para o monte e vigiar todos os animais, o dia todo, é partilhado entre todos os proprietários, à razão de um dia de trabalho por cada dez cabeças de gado. Chama-se vezeiras a este sistema e já muito se escreveu sobre ele. Estivemos em Gralhas uma manhã, cedo que chegue para ver formar o rebanho, subir ao monte e conversar sobre lã, mesmo se o nosso propósito desse dia era ouvir cantar:

Mulheres de Gralhas: “Rua abaixo, rua acima” (MPAGDP)

Ana Rabuda chama o rebanho (Lã em Tempo Real)

Para ler: As culturas do trabalho no Barroso: A Vezeira, por Daniela Araújo.

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

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