(i’m cutting gae savannah’s class again)

de novo num wintel e a pagar. hoje esta tao quente como ontem, mas muito muito mais humido. consta que vai chover, mas aqui com o tempo e como com as abelhas do joanica puff. tive de dormir com o ar condicionado no maximo. devo recuperar finalmente o meu passaporte. e como confirmar o regresso a portugal. tomara que o consulado esteja fechado. a seguir subo ate a 70, pela beira do central park, para visitar finalmente a frick collection, qual boa turista que ainda sou.

my fortune cookie said “now is the time to try something new”.

cantiguinha chinesa estampada no embrulho de uns pauzinhos

two little sticks

they’re made out of wood

and they help you

to pick up your lunch

your lunch

and if you practice

then you’d get good

and you’ll find you can pick up

a bunch to munch

eat noodles with chopsticks

eat dumplings with chopsticks

eat suchi with chopsticks

that’s fish!

don’t eat soup with your chopsticks

that’s no good with chopsticks

and jello with slide off

your dish

i eat with chopsticks

can you eat with chopsticks

doctor told us

be intell eat by using chopsticks

lots of people use chopsticks

so try eat your chopsticks

right now!

todos os novaiorquinos sabem comer com pauzinhos

esta esta a ser a semana mais quente do ano

PS1

e hoje consta que e o dia mais quente dos ultimos anos. escrevo sem acentos porque estou num computador dos outros. e por causa de um computador dos outros, onde alguem resolveu abrir um

attachment *.exe, toda a rede da minha escolinha foi infectada por aquele virus que por ai anda, de modo que nao ha internet para ninguem. agora que comeco a orientar-me, agora que o meu ingles esta de facto menos perro, a partida comeca a parecer demasiado proxima. e se eu perdesse o aviao?

ok

hoje tenho mais tempo para escrever e alguma vontade de exercitar verbalmente o luso idioma.

ontem: muggy sticky weather insuportavelmente quente.

‘philadelphia story’ at dusk no bryant park (inevitável imigrês). cheguei a tempo de reservar um último retalho de relva, estendi o meu lençol anil e esperei pelo pôr do sol e pela minha companhia, acompanhada pelo malcom lowry e o stevie wonder (que não partilham mais do que a nacionalidade). o pessoal salta e dança quando um spot publicitário anuncia no écran o início do filme. uma enorme salva de palmas responde à voz (off) que nos informa de que a katherine hepburn saiu do hospital. do filme não falo, porque não é preciso.

“oh, mike, put me in your pocket!”

b.o. means body odor

diariofranzi.jpg

repesco memórias esquecidas numa zip (foi dura a chegada a JC):

¶ o maior choque foi mesmo a chegada. não ao aeroporto, onde fui seleccionada

para um luggage check que me deixou estupidamente nervosa, nem mesmo com a

dificuldade do taxista (um negro enorme e gordíssimo, igual a tantos outros

que por aqui vivem) em encontrar o meu destino, e isto apesar do bendito mapa

que me lembrei de imprimir em casa com todas as indicações de auto-estradas,

estradas, ruas e ruelas para aqui chegar. foi mesmo com o “quarto”, que afinal

é uma casa. um apartamento, entre milhares de outros apartamentos divididos

por dois sky-scrapers de tijolo vermelho chamados James Madison e Thomas

Jefferson. uma cozinha, com frigorífico e fogão e mais nada (nada!, nem um

garfo nem um copo nem uma vassoura para amostra), uma sala (mesa e espécie de

maple imprestável de tão partido), três quartos bastante idênticos e sem luz

(cama de solteiro, secretária mínima e cadeira, mais cómoda de gavetas

partidas e roupeiro sem cabides) e duas casas de banho (uma com banheira sem

chuveiro e outra ao contrário).

quem me conduziu a tão desolados aposentos foi um americano, o RA (resident

assistant) de serviço. um inexpressivo chris de boné e barbicha (19-25 anos),

que me disse depois de alguma insistência como chegar daqui à cidade

propriamente dita e voltar, ao supermercado e ao centro comercial (onde ainda

não fui). informações sobre a localização do curso (a school of visual arts

tem uma meia dúzia de edifícios, não muito próximos uns dos outros) ou sobre

os meus eventuais colegas não tinha, mas prometeu investigar.

depois de um primeiro ataque de pânico, combatido com uma collect call, uma

investida ao supermercado (papel higiénico, maçãs e iogurte) e um duche

resolvi bater à porta deste mesmo chris (que mora um andar acima) para lhe

pedir que me deixasse ver o email no computador dele, visto não haver nenhum

outro meio de o fazer deste lado do hudson. passámos por três couch potatoes

cujos nomes não recordo (“we mostly sit around at home and do nothing, when

we’re not at work”) e instalei-me em frente a um monitor a dizer AOL (bendita

tecnologia) durante uns dez minutos.

Page 305 of 305« First...102030...301302303304305

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

Read more →