last days

a cooper union estava fechada, mas por aqui nunca faltam alternativas.

regresso ao soHo e a chinatown durante a tarde de ontem. exp. da louise bourgeois (com artista japonesa para mim desconhecida e desinteressante) seguida de ras e tartarugas, vivas e freneticas, a espera de serem servidas ao jantar. incrivel sucursal da pearl river (melhor das melhores lojas chinesas) e vegetable dumplings soup @ mee‘s.

o tempo esta bom outra vez. a luz parece ideal para os Lomographic Sampling Games 2001 que vao ocupar a minha ultima tarde na grande maca (com cedilha e til, entenda-se).

lixo

lixo do dia (apanhado):

maçaneta de vidro desaparafusada de porta abandonada graças ao pronto auxílio de trolha hispânico (“need a screwdriver?”)

jersey city, near montgomery st.

lixo do dia (não apanhado):

parte de cima de máquina de flippers dos early eighties em madeira com super heroína da selva pintada a vermelho e laranja (na horizontal daria uma coffee-table ultra fixe).

…e agora vou à cooper union.

tonic

diariotonic.jpg

aproveitar cada segundo.

o tonic é um sítio bestial. calmo, amplo e escuro que chegue, ar condicionado (claro), e boa música (ao vivo). duas cervejas e dois desenhos com o meu pincel japonês da kinokuniya.

na porta ao lado, uma livraria-discoteca underground. sigam o linque.

SVA summer 2001

passei a manhã a empacotar a minha tralha. consegui pôr tudo nas malas que trazia, mas se não tivesse ajuda para chegar ao aeroporto estava bem tramada com o peso e o volume da bagagem. já estava afeiçoada ao meu quartinho de jersey city com vista de esguelha para manhattan. restam-me a noite de hoje (devo ir ao tonic, de que muito tenho ouvido falar), sexta, sábado e a manhã de domingo. ando pelas ruas estilo esponja, a absorver tudo o que me rodeia. ny agora é uma espécie de tatuagem. já não me sai da pele, mesmo que a lusa pasmaceira consiga turvar-me a memória.

umbigo

sobre os umbigos, o melhor é perguntarem ao jorge. as minhas colegas japonesas divertiram-se à farta com esta totalmente inesperada sessão fotográfica.

à noite: jantar no restaurante chinês que o a. ginsberg frequentava (aqui) e novo passeio pela east village.

basket full o’jazz:

avenue A, velhota negra de vestido azul empurra um carrinho de compras (ou de ir à lavandaria). dentro do carrinho há um cesto, dentro do cesto, um leitor de k7 e, dentro deste, blues.

(would any of you please give me a good reason to go back?)

umbigo

em casa do jorge, com a fränzi, a hitomi e a iku, numa missão umbilical da qual depois darei mais pormenores…

estou aqui

estou aqui (na biblioteca da minha escolinha) e sigo para um dos cafés mais simpáticos das redondezas, o PUSH café, na esquina da 23rd st. com a 3rd av.

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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