direito ao trabalho

biblioteca nacional

Foi pelo Rui Tavares que soube que a Biblioteca Nacional ia fechar para obras. Foi um tanto ou quanto ridículo, porque eu vinha de passar o dia na BN, onde ninguém nem nada me chamara a atenção para o facto, pelo que lhe garanti que devia estar enganado. Só na semana seguinte dei com umas folhas discretamente pousadas no balcão das devoluções que explicavam o encerramento. Nunca me tinha ocorrido que a BN fosse encerrável, talvez por (por defeito de formação) a conceber mais como um órgão de soberania do que como um simples equipamento. Tal como o Rui, sempre defendi que as bibliotecas se fizeram para estar sempre e o mais possível abertas, tanto para os leitores presenciais como (cada vez mais) para todo o mundo, através da digitalização e catalogação eficaz dos seus espólios (aqui em Lisboa tenho passado ainda mais horas na Biblioteca Pública de Nova Iorque do que na BN). Salvaguardadas as enormes distâncias, vejo fazer obras integrais em grandes supermercados e agências bancárias sem um único dia de portas fechadas: os clientes podem estar menos confortáveis mas preferem não perder o acesso aos serviços, e quem gere evita enormes prejuízos. Acho sinceramente que é uma questão de prioridades. Por muito que leia as explicações e os argumentos para o fecho, estou convencida de que o problema reside em ter-se partido do princípio de que o encerramento era possível. Se a prioridade fosse garantir a abertura ininterrupta a obra seria provavelmente diferente, talvez mais lenta, mas acredito que igualmente possível.

Grupo no Facebook contra o encerramento por 10 meses da Biblioteca Nacional.

biblioteca nacional

Fotografias (ambas do Arquivo Municipal de Lisboa):
Artur Goulart, Biblioteca Nacional, construção, 1961 e Eduardo Portugal, Panorâmica do bairro do Campo Grande [antes da construção da BN e cidade universitária], 1945.

⎔⎔⎔

hexágonos

hexágonos

Depois de há um ano ter encontrado este saco, cruzo-me agora com uma manta centenária toda feita de hexágonos cosidos à mão. Pertence a uma amiga de uma amiga serviu de inspiração para o workshop do próximo Sábado. Esta manhã tive o privilégio de a levar ao Museu do Traje, onde graças à generosidade e dedicação da equipa aprendi imenso sobre restauro de têxteis e ainda pude ver outras preciosidades. Read more →

A Manta

a manta

a manta

Foi rija a festa do Planeta Tangerina ontem na Ler Devagar. Celebrou-se o lançamento dos dois novos livros, O Primeiro Gomo da Tangerina e A Manta. O Sérgio Godinho veio cantar a música que a Madalena Mattoso ilustrou e eu tive a honra de ser convidada para falar um bocadinho sobre mantas. O livro da Isabel e da Yara de certeza que vai pôr muita gente a fazer a sua primeira manta de retalhos. A mim inspirou-me um workshop novo, a marcar em breve. Read more →

babywearing

Costumes des Indiens Guarayos. République de Bolivia

Carib Indians

Mais duas imagens da minha colecção digital de babywearing em gravuras antigas. A de cima é uma das mais bonitas que encontrei até hoje.

Costumes des Indiens Guarayos. République de Bolivia in Orbigny, Alcide Dessalines d’ (1802-1857), Voyage dans l’Amérique méridionale … . Paris, 1844.

Carib Indians in Wilhelm, Gottlieb Tobias (1755-1811), Unterhaltungen über den Menschen … Erster Theil. Wien, 1819.

(ambas as imagens são do JCB Archive of Early American Images.

tricotar a cores

tricotar a cores

tricotar a cores

Joana, Marta, Sandra, Maria Adelaide, Paula e Sara. O único requisito era saber fazer liga e todas se desenvencilharam mais do que bem a trabalhar com dois fios ao mesmo tempo e aprenderam a abrir os steeks com a tesoura. Para mim talvez tenha sido o workshop mais divertido de preparar, porque desenhei à mão os seis esquemas e distribuí de outras tantas maneiras diferentes as cores da que usámos. Acho que as fotografias ilustram bem a qualidade dos resultados. Read more →

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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