Author Archives: Rosa Pomar

bom de ver

taleigo e meias

luvas da Estónia

Peças trazidas para mostrar pelas alunas do workshop de fazer meia que começou ontem: um taleigo e um par de meias de linha feitos por uma bisavó alentejana (obrigada Luísa) e umas luvas da Estónia (obrigada Inês), país que honra e divulga as suas lindíssimas peças tradicionais em malha (). Continuar a ler…

mh

mh

Mosaicos hidráulicos desta semana e uma entrevista no Trend Alert.

a cavalo

A

trança

Dois burros, um pónei e muitas miniaturas da schleich depois, a A começou hoje a realizar um sonho de muitos dos seus poucos anos numa aula de volteio acrobático da Natália Cerqueira. Continuar a ler…

Benjamim Pereira

Benjamim Pereira

Antes de voltar aos posts sobre Trás-os-Montes e o que lá fizemos na semana que passou, uma inadiável referência à privilegiada conversa que tivemos anteontem no Minho com Benjamim Pereira (já aqui por várias vezes referido), um dos grandes protagonistas da etnografia portuguesa do século XX e um apaixonado pelas tecnologias tradicionais que conheceu por dentro e soube por isso descrever como ninguém antes pudera.

Para ler: Entrevista a Benjamim Pereira: “Uma aventura prodigiosa”. Continuar a ler…

o ciclo da lã, do pastoreio ao tear

lã em tempo real

aprender

Imagens da primeira manhã do workshop dedicado ao ciclo da lã que a associação ALDEIA organizou e em que eu participei. Continuar a ler…

mestre rosa

mestre rosa

Um pulo ao Alentejo antes de seguir para Trás-os-Montes para irmos à Ovibeja filmar e estabelecer novos contactos (matéria para outro post). Não podia desperdiçar a oportunidade de ir a Santa Clara de Louredo, mesmo ali ao lado, encomendar umas botas de ceifeira ao Mestre Rosa. Soubera da sua existência por ter elogiado os sapatos da Ilda, com as suas franjas e cordões amarelos, no dia em que o coro das Rosinhas veio cantar ao nosso quintal. Logo nos foi feito o convite para uma visita e se trocaram contactos. O Mestre Rosa, como o Mestre Simão que a Diane conheceu, é um dos sapateiros sobreviventes no Baixo Alentejo. Trabalha ainda por encomenda na sua minúscula oficina e prometeu-me as botas com que sonho há anos.

Galeria portuguesa: uma entrevista recém-publicada.

Café Portugal: um artigo de Sara Pelicano sobre o projecto Lã em Tempo Real. Continuar a ler…

lavores femininos

lavores femininos

lavores femininos

Memória de um ensino muitas vezes tirânico e sempre sexista, em que as raparigas (e só elas) aprendiam na escola a coser, cerzir, bordar e fazer meia. É o álbum de pontos de costura da artista plástica portuguesa Alice Jorge, que a própria conservou cuidadosamente ao longo de toda a vida, apesar de, enquanto opositora ao regime, ter provavelmente aplaudido a extinção dos Lavores Femininos. Trata-se de uma das contradições que o país não soube digerir: a luta pela igualdade de direitos entre os sexos arredou as mulheres das agulhas. Deixaram-nas em casa, com as panelas e o tanque de lavar a roupa, como atributo de uma forma de viver que já não lhes servia. A escola da Democracia fez o mesmo e os chamados Trabalhos Manuais vieram morrer ao tempo em que eu andava no liceu. Em vez de se actualizar e estender este ensino também aos rapazes (como acontece noutros países), apagou-se a prática dos têxteis dos currículos do ensino oficial, como se conhecimento pudesse ser sinónimo da ignorância disciplinada promovida pelo regime de que saíramos. Passados 38 anos, quantas e quantos se envergonham ainda de fazer malha em público, quantos acham que gostar de coser não fica bem a um intelectual, quão fundo ficou gravado o estigma? Continuar a ler…

o ciclo da lã ao vivo

o ciclo da lã

Há vários anos que os meus posts sobre cultura popular e história têxtil suscitam comentários a sugerir que organize workshops fora de Lisboa ou simplesmente a dizer quem me dera ir contigo. A estreia vai ser daqui a poucas semanas, no início de Maio, e no melhor sítio do país para perceber que ainda há quem fie e teça como sempre se fez e sem ser só em recriações folclóricas ou para turista ver: Duas Igrejas, junto a Miranda do Douro. A Ti Paula vai ser uma das várias mestras e eu vou sobretudo contextualizar e ajudar com base na minha experiência do assunto acumulada um pouco por todo o país, do Alentejo aos Açores. A iniciativa é da Associação Aldeia e o programa é excepcional não só pelo local mas também por ser tão completo. As inscrições já estão abertas. Continuar a ler…

novas mantas

mantas novas

mantas novas

Novas mantas de retalhos a nascer na Retrosaria.

lã dos açores

ovelha

lã do faial

A lã é assim, parte dela ou vai para o lixo, ou largá-la ao lume, ou assim, que isto aqui na ilha não tem consumo nenhum, está a ver? (…) Eu não vejo utilidade nenhuma nisto… Antigamente parece que fiavam isto para fazer meias, fazer sueras, para fazer isto, para fazer aquilo, e cheguei a dar a uma senhora (…), ela disse que ia fazer meias disto, não sei se chegou a fazer ou não chegou a fazer… ainda levou uma saca ou duas daquilo, para levar e desfiar e amanhar para poder fazer as coisas…

Este excerto da nossa conversa com o sr. Eduardo de Flamengos (Faial) é semelhante ao que se ouve à grande maioria dos pequenos produtores de ovelhas do país, seja no continente ou nos Açores. Tem-se ovelhas para comer um borrego de vez em quando, ou para adubar a terra, ou para fazer companhia, ou para receber os subsídios da Comunidade Europeia, mas não pela lã que produzem, que essa não só não tem aproveitamento como dá trabalho por ter de ser tosquiada pelo menos uma vez por ano. No entanto a lã das ovelhas do Faial e do Pico é macia e limpa, por os animais serem em geral criados em pastos cobertos de erva fresca, e longa, frisada e muito fina, as melhores características que pode ter para ser fiada facilmente e vestida junto à pele. Falta quem dê por isso e ponha novamente a trabalhar os fiandeiros (rodas de fiar) e fusos esquecidos de casa da avó.

O tempo que tivemos não chegou para perceber que raças autóctones existem (se existem ainda) nos Açores, até porque as que se vão vendo nos pastos são diferentes umas das outras (a da fotografia de cima parece uma romney marsh), e porque os criadores com quem falámos, por não as criarem para vender, desconheciam a raça das suas próprias ovelhas. Ainda assim, fiquei a saber que os rebanhos andavam até há poucas gerações soltos nos baldios das terras altas, e que em Setembro as comunidades se juntavam para fazer a apanha e tosquia dos animais, num dia que era também de festa e por isso certamente encerrado com balhos de chamarritas noite dentro. Continuar a ler…