romaria

Romaria
Romaria

O primeiro de todos os galões nasceu ainda antes da Retrosaria. Hoje estreamos um novo, mais uma vez da autoria de um ilustrador convidado (depois da Camilla Engman e da Helen Dardik), o Bruno Reis Santos, aka Lord Mantraste. É uma romaria com vacas, cavalos e (claro) ovelhas, e estou curiosa para ver o que fazem com ele. Veio acompanhado de uma ilustração linda, porque há quem queira coser o galão e há quem prefira pô-lo na parede.

cobertores de papa

cobertor de papa
cobertor de papa

A história recente dos cobertores de papa está cheia de voltas difíceis de entender e de aceitar. Para trás não há grande investigação feita (apesar de darem nome a duas publicações da Câmara da Guarda) nem há quem tenha ainda percebido que papa é esta ou este que lhes está no nome. Fui novamente atrás deles por causa de mais uma aventura da Retrosaria (a mostrar em Setembro) e descobri que a meio do século XVI já se faziam (chamados assim tal e qual) em Castelo de Vide e também que já se usavam nas estalagens de Lisboa, onde eram considerados mais luxuosos do que as mantas alentejanas.
O que é bom saber é que a produção artesanal dos cobertores de papa foi agarrada in extremis pela Escola de Artes e Ofícios do Centro Social e Paroquial de Maçaínhas. Há um jovem tecelão a trabalhar e uma pequena equipa com garra e boas ideias para que este ex-libris da tecelagem portuguesa se mantenha de boa saúde.

as mantas de pêlo de cabra


candal

Na pesquisa para o meu livro encontrei uma referência breve e misteriosa à fiação de pêlo de cabra em Portugal. Não adiantava pormenor nenhum mas deixou-me sempre a pensar nisso e sabia que era uma história diferente da das rendas. No fim de 2012 fomos de Arouca a Tebilhão e ao fazer algumas perguntas sobre a maneira de por lá se fiar a lã falaram-me nas antigas mantas do pêlo das cabras que se usavam na aldeia. Infelizmente já não havia nenhuma para me mostrarem, nem a memória delas estava viva que chegasse para ficar a saber mais alguma coisa. Só pude supor que as cabras em causa fossem as da raça Serrana, única das nossas autóctones com pêlo comprido. Há poucos dias fomos de Viseu a Candal, lá muito perto, e no meio da história do casamento da D. Luísa eis que soam as palavras mágicas. Pergunto-me se em algum fundo de alguma arca sobreviverá ainda um destes cobertores.

a hora do tricot

a hora do tricot
a hora do tricot
a hora do tricot

Correu mesmo bem. Foi preciso inventar mais cadeiras e trazer almofadas para quem se sentou no chão, o chá e bolinhos foram um mimo e as histórias contadas pela Ana Sofia Paiva e pelo Luís Correia Carmelo conquistaram-nos a todos. Obrigada ao Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva pelo convite e pela organização e obrigada a todos os que vieram, foi um prazer.

PS: mais alguém reparou naquele estojo de tricot tão lindo? O motivo é este, só é preciso aproximar mais as filas de ovelhas.

a hora do tricot

a hora do tricot
a hora do tricot

Há dez anos fazer tricot em público era estranho. Já não se viam senhoras a fazer renda no eléctrico e fazer malha, em geral, não ficava bem. Pode parecer estranho dizê-lo, porque não passou assim tanto tempo, mas é verdade: se se era uma mulher culta, activa e independente (seja já o que isso for), então não era suposto fazer-se malha. Quando muito fazia-se um bocadinho em casa, quando nascia um bebé, sob os olhares semi ou totalmente reprovadores de quem estava por perto. Foi nessa altura, em Setembro de 2004, que eu e a Hilda Portela convocámos o primeiro encontro de tricot. Tão popular era a ideia que compareceram três pessoas – eu, a Hilda e uma corajosa chamada Sofia. Os encontros seguintes foram muito mais animados, claro. E depois veio a imprensa, a televisão, apareceu gente a mais, criaram-se novos grupos e aos poucos as coisas foram mudando.
Há algumas semanas fui convidada pelo José Vítor Malheiros para organizar um encontro de tricot no âmbito de um evento anual no Pavilhão do Conhecimento. Disse que sim. Convidei o Bruno Reis Santos, aka Lord Mantraste, para desenhar os flyers e cartazes e estão tão bonitos que vão ficar na parede durante muito tempo (quem quiser um aproveite para passar ou fazer encomendas na Retrosaria hoje e amanhã). Chamámos a Zélia para representar o Gang da Malha e o IELT para contar histórias e vai haver chá e bolinhos. É amanhã.

mantraste
a hora do tricot

santo antónio em outeiro de espinho

cão
a caminho

Ao cair da tarde, quando começa a refrescar e o rebanho consente, começa a caminhada em direcção à capela. Paramos num pasto verde, onde as ovelhas procuram o trevo escondido pela erva brava. Dizem que hoje em dia são mais mimosas, que já não comem tudo como há trinta ou quarenta anos quando não tinham outra alternativa. Paramos mais à frente para beberem, não há pressa.

cão pastor
outeiro de espinho

Conversa-se na beira da estrada. A Francisca este ano quis ficar com o pai, ir à frente das ovelhas. Come pipocas cor de rosa e pergunta-me se também sou pastora.

chegada
chegada

Olhe que estou aqui só para o ver!
O Pula é saudado à entrada da aldeia. Traz o rebanho maior, o que mais gente espera ver correr em volta da capela. No Domingo que vem irá cumprir a romaria à Folgosa da Madalena. E no seguinte é dia de subir à Serra.

outeiro de espinho
romaria
romaria

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