Author Archives: Rosa Pomar

o livro em viagem

meias da serra de ossa

meias da serra de ossa

Duas imagens do Redondo, onde estive no início do mês a apresentar as Malhas Portuguesas a quem as faz. Hoje é a vez de Serpa.

diário de uma camisola

diário de uma camisola

diário de uma camisola

Tenho fiado aos poucos o velo de Merino preto do Alentejo. Disse que ia fazer uma camisola e já estou perto. Dos primeiros novelos, de lã castanha e branca misturadas de várias maneiras, nasceu um barrete. Entretanto fiei mais cinco, com o fio mais fino mas ainda irregular. Esta tarde fiz uma amostra para perceber como se porta o fio depois de trabalhado. Acho que vou voltar a seguir o Raglanify para a camisola mas como talvez opte antes por um casaco quis ver se o fio aguentava uns steeks. E aguentou muito bem.

Notas de trabalho:
Agulhas: 4.5mm
Densidade (antes da lavagem): 17.5 malhas x 25 carreiras = 10cm Continuar a ler…

fernão joanes (4)

joaquim vendeiro

ti zé camilo

tosquiada

Em Agosto prometemos voltar a Fernão Joanes para assistir à festa da Senhora do Soito e filmar uma tosquia feita pelos especialistas sobreviventes na arte de bordar ou enramar as ovelhas, o Ti Zé Camilo e o Ti Aristides. No tempo em que era pastor e tosquiador, o Ti Zé Camilo não via enfeitar as ovelhas nem assistia à festa. No segundo Domingo de Maio, data em que esta se realiza, estava ele no Alentejo. Era lá, pelas bandas de Portalegre, que começavam os seus dois meses de trabalho a tosquiar ovelhas, avançando para norte de rebanho em rebanho até chegar novamente a casa. Sempre à tesoura, a maioria era tosquiada rapidamente, de um lado ao outro. Mas pelo menos o carneiro tinha um tratamento especial: era enramado, como os cajados e tantas outras peças de arte pastoril, com motivos geométricos cuidadosamente bordados com a ponta da tesoura. O tosquiador fazia-o por brio, em competição com os restantes, às vezes contrariando o patrão que queria um serviço rápido, outras vezes recebendo da dona da casa uma compensação especial pela obra criada.

bordaleira

ti aristides

ti aristides

Não resisti à pergunta óbvia da origem dos motivos usados e o Ti Zé Camilo não se atrapalhou: vêm das cuecas das raparigas. Depois da risota geral corrigiu: dos saiotes que as raparigas da sua juventude usavam, com as suas barras de rendas e biquinhos. Já se sabe que os bordados e as rendas emprestam desenhos uns aos outros, e este não é excepção.

A prática de bordar as ovelhas raramente foi referida na bibliografia que conheço. Aliás a principal referência é a que aparece na Cartilha do Tosquiador, onde é considerada uma prática condenável. Mais recentemente, há imagens (sem texto) de uma tosquia semelhante à que vimos ontem no livro A Transumância e Fernão Joanes. Sonhos Transumantes (Guarda, Câmara Municipal da Guarda e Junta de Freguesia de Fernão Joanes, 2004).

ti zé camilo

ti zé camilo

aldeia da serra, redondo

aldeia da serra

aldeia da serra

aldeia da serra

Há três anos fui à Aldeia da Serra conhecer as mulheres que mantêm vivas as meias da Serra de Ossa. Foi um daqueles dias que não se esquecem, e um dos mais decisivos para levar avante a ideia de escrever um livro. Hoje, a convite da Câmara de Redondo, vou reencontrá-las e mostrar o que fiz entretanto.

Three years ago I went to Aldeia da Serra, a small village in Alentejo, looking for the few women who still keep a very special tradition alive: they are the makers of the meias da Serra de Ossa, the beautiful bright stockings once worn by the local girls. From that day on I was sure that I had a book to write.

aldeia da serra

nós por lá

santa maria

santa maria
Fotografias de Pepe Brix

Na véspera da partida para Santa Maria publiquei aqui uma fotografia antiga da ilha que encontrara há tempos num site de venda de postais antigos (entre pastas no computador e sites vários de bookmarks, também vou juntando no pinterest imagens de gente a fiar em Portugal). Só ao regressar reparei que o nome por baixo da imagem era o mesmo do Pepe que conhecemos por lá e que nos acompanhou num dia de gravações para a MPAGDP. Não é só uma coincidência, são três gerações de uma família muito especial dedicadas à fotografia.

minha lã, meu amor

fiar

fiar

É a mais suave das lãs portuguesas. Vem das ovelhas Merino do Alentejo e fiá-la à mão é um desafio para quem aprendeu e treinou sobretudo com lãs cruzadas, de raças mais a norte. O fio nasce devagarinho, poucos centímetros de cada vez, e depois tem de ser torcido para ser trabalhado. Mas o toque é maravilhoso. Vem por aí uma camisola.

fiar

ovibeja 2013

Merino preto na ovibeja

Campaniça na ovibeja
Carneiro merino preto e ovelhas campaniças, duas raças autóctones alentejanas.

O fim-de-semana foi passado entre a Ovibeja e o Encontro de Violas de Arame em Castro Verde. No Sábado estive todo o dia na feira, com a Ancorme como anfitriã, a mostrar com a ajuda da E. como se vai dos velos de lã às agulhas de fazer malha. Pelo olhar de quem parava para ver ou conversar era fácil perceber quem conhecia aqueles gestos desde pequeno. Conheci antigos cardadores, uma fiandeira algarvia, a filha de uma tecedeira e várias alentejanas que se lembravam dos longos serões a cramear a lã para encher colchões. As cardas passaram pela mão de um monte de crianças curiosas e persistentes, que foram fazendo pastas de todos os tons de castanho que conseguiram tirar da mistura de lã preta e lã branca do suave merino alentejano. A E. ajudou-me a cardar e explicou com o à-vontade de quem sabe todos os passos da preparação da lã aos visitantes mais pequenos. Enquanto isso, a A. percorria incansavelmente o pavilhão para fazer festinhas e fotografar cada uma das ovelhas. Com tantos visitantes, foi-me impossível parar para tirar fotografias ou passear, mas espero que a experiência tenha sido positiva também para quem passou por nós ou parou para ver os vídeos da lã em tempo real.

sol baixo

Retidos um dia a mais nas ilhas pela greve na Sata, passámo-lo sob a chuva de São Miguel, entre muitas violas da terra e mais um museu cuja colecção etnográfica está escondida até data incerta (mas vi finalmente ao vivo Os Emigrantes e os seus lindos taleigos). Aterrámos pela meia noite, o grande velo de que vou falar depois chegou são e salvo e às dez da manhã deste dia da Liberdade já estava na Retrosaria e ensinar mates e aumentos. De tarde lavei um monte de lã merino alentejana com um novo método: escaldei-a como deve ser no tacho gigante que uso para a tinturaria e depois enxaguei no programa das lãs da máquina (sucesso!). Ainda fiei e torci uma pequena meada para ver se os meus fusos da Beira Alta se entendiam com a macieza encarrapetada do merino e para me preparar para ir até à Ovibeja no Sábado mostrar um pouco do caminho que vai das ovelhas aos novelos.

santa maria

santa maria

Vou ali e já venho.

da ovelha ao cachecol

da ovelha ao cachecol

da ovelha ao cachecol

Algumas páginas de um livro de quando eu era mesmo pequenina. Lembro-me que a página de que mais gostava era a da loja de lãs, com os seus novelos em arco-iris. Continuar a ler…