o alfaiate

alfaiate

alfaiate

Fomos à procura do alfaiate que fez os casacos dos pastores porque, depois de experimentar o do Pedro, decidi mandar fazer um à minha medida. A morada que tínhamos era o nome da aldeia, Folhadosa. Encontrámo-lo a trabalhar no seu atelier, por detrás de uma porta pequenina, numa quelha da largura de um corredor: António José (“Tozé” no cartão de visita), alfaiate diplomado, com tanto trabalho em mãos que só no Outono terei a minha encomenda pronta. Mas na visita não resisti a um colete em burel e riscado com estrelas recortadas… Read more →

a lã portuguesa a gostar dela própria*

lavar a lã no alentejo

Quando, em 1994, participei como voluntária nas escavações do Campo Arqueológico de Mértola, descobri na Cooperativa Oficina de Tecelagem a lã mais macia que vira até então. Foi o meu coup de foudre com a lã portuguesa. Vim para Lisboa carregada com toda a que pude comprar, e dela nasceram uma camisola que durou mais de dez anos e um colete que ainda uso. Na altura, encontrar bons fios para tricot em Lisboa era uma missão impossível. Encontrar aquela lã fiada à mão, na cor de café com leite das ovelhas sarnubegas, foi uma revelação inesquecível. A minha visita a Mértola para conhecer o seu nascimento, combinada com as tecedeiras há quase um ano, aconteceu finalmente esta semana.

lavar a lã no alentejo 11

As tecedeiras de Mértola acompanham todo o processo que culmina na criação do fio que usam nas suas mantas. São elas que escolhem o rebanho cuja lã lhes parece mais macia (nesta região, historicamente conhecida pela qualidade das suas lãs, abundam as raças Merino branco e preto e Campaniça), são elas que negoceiam com o criador a qualidade do que lhes é vendido (quanto mais seleccionados e limpos forem os velos, menos trabalhoso é o processo), são elas que lavam a matéria prima, à mão e por processos que provavelmente não mudam há vários séculos, e são finalmente elas que escarmeiam e azeitam as fibras, preparando-as para a cardação e fiação, que são também ainda processos inteiramente manuais. É do cuidado e do tempo investido em cada um destes passos que nasce este fio, e é esta a chave que permitirá um dia voltarmos a fazer da nossa lã uma matéria prima de excelência e não um sub-produto abandonado com desprezo nos campos depois da tosquia, que é o que fazem actualmente grande parte dos pequenos produtores de ovinos. Read more →

xuz

xuz

A verdade é que eu não precisava absolutamente destas botas, mas não lhes resisti. A sola de madeira e as tachas revelam imediatamente a fonte de inspiração, mesmo que não se saiba nada sobre a marca. Só depois de chegar a casa é que fiquei a saber mais sobre a Xuz, através deste artigo e do site, e fiquei rendida. Sempre gostei de andar de socos (usava estes na rua quando era pequena), algures no final dos anos 80 tive uns daqui e a E. tem uns de Ponte de Lima. Os sapatos, socos e botas em couro com sola de madeira foram uma constante em Portugal (pelo menos no Norte) e em algumas localidades ainda há artesãos activos no seu fabrico. Algumas imagens e longa vida à Xuz: Read more →

mantas alentejanas

mantas

mantas alentejanas
Autor, título e data desconhecidos. Papel montado em suporte de madeira. Col. Museu de Arte Popular. MatrizPix.

As mantas de Mértola, actualmente feitas apenas pelas mulheres da Cooperativa Oficina de Tecelagem e muito menos conhecidas do que as de Monsaraz, são um verdadeiro artigo de luxo. Quem as vê não adivinha o que representam em termos de preservação de saberes quase extintos e a única monografia dedicada ao tema que conheço (Mantas tradicionais do Baixo Alentejo, de Ângela Luzia, Isabel Magalhães e Cláudio Torres. Mértola, 1984) tem um quarto de século. Estas mantas nascem nos dois teares domésticos que a cooperativa mantém a funcionar e são feitas hoje como há décadas ou séculos. A sua lã é diferente de todas as outras lãs portuguesas e macia como mais nenhuma. Vem das ovelhas merino e campaniça, autóctones da região, e é tratada de forma totalmente manual até chegar ao tear, sendo ainda hoje fervida em pequenos cestos na margem do rio, aberta, cardada e azeitada à mão e fiada em pequenas rodas artesanais. As cores das mantas são as da própria lã: branca, preta e sernubega (o castanho café com leite da ovelha campaniça). Como cada uma representa um sem fim de horas de trabalho são necessariamente objectos caros, mas comprar uma é contribuir para a sobrevivência de todo um universo. A minha está a uso há dezasseis anos e continua tão bonita como quando foi comprada. Read more →

folar

folar algarvio

folar algarvio

Prometo abrandar na quantidade de posts sobre comida, mas não podia não mostrar aqui o magnífico folar algarvio que a Joana Rosa me ofereceu na Páscoa. Foi feito por uma senhora chamada Gisela segundo uma receita que vem do tempo das bisavós das avós dela. Foi disputado pela família toda até à última migalha.

A ver também:

Pastéis de Molho da Covilhã no blog da Helena.

Lampreia (que susto!) no Mi Mitrika.

Folar de tudo no Inúbil.

de vinhais

meias de hulema

meias de hulema

Da Madragoa seguimos para Oeiras para ver a mostra de gastronomia e artesanato de Vinhais que decorreu no mercado municipal. Entre muitas bancas de enchidos encontrei a D. Hulema Pires, fazedora de cestos e de meias de lã. Comprei-lhe um par para a minha colecção e aproveitei para ficar um bocadinho à conversa. Fiquei a saber que a lã (muito semelhante a esta) fora fiada por ela num fuso todo em madeira. Para tricotar um par de meias disse-me que leva um dia inteiro e mais uma noite a trabalhar depressa.

Em frente à D. Hulema estava uma senhora (não registei o nome) a quem perguntámos o que era a coisa de ar apetitoso e estranho dentro de uns sacos. Explicou-nos que era (e o que era) cusco. Para mim, que sou grande apreciadora de couscous desde que me lembro, foi uma total novidade. Perguntámos como se fazia e como se cozinhava e naturalmente não lhe resistimos. Entretanto descobri este lindo documentário sobre o cusco: Read more →

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