botas alentejanas

de mértola

Encontrei em Mértola as substitutas para as minhas camper estafadas por dois invernos de uso intenso. Foram compradas na linda sapataria que fica já quase a chegar ao café Guadiana e não têm escrito o nome do fabricante. Parece que são feitas por encomenda para a loja, que vende diversos modelos de botas alentejanas para homem e senhora. Estou fã.

sapataria

46 comments » Write a comment

  1. Também quero….. aqui (Açores) desapareçam completamente do mapa há 20 anos atrás. Estiveram muito na moda, até punham protecções metálicas nos saltos para fazerem mais um barulhinho, como os cowboys! Quando cresci para ter umas já não era moda e também não as havia! Pena!!

    • As “chapinhas” metálicas chamam-se “protectores” e consistiam em chapas de aço com três furos para os pregos. Existem protectores de vários tamanhos e curvaturas de acordo com o tipo de biqueira do calçado. São aplicados na extremidade da sola, na biqueira, que é muito vulnerável ao desgaste. Hoje a borracha generalizou-se como material de fabrico das solas porque é mais durável. No entanto, o calçado de alta qualidade continua a ser fabricado com solas de cabedal. No caso específico das botas alentejanas é preciso lembrar que antigamente mandar fazer um par de botas a um sapateiro era um investimento. O calçado era caro e as pessoas eram pobres. Muita gente andava descalço até à idade adulta. Mesmo as pessoas abastadas mandavam os sapateiros aplicarem protectores nas solas para que durassem mais tempo intactas. Para além dos protectores nas biqueiras as pessoas também solicitavam aos sapateiros que aplicassem “cardas” na restante superfície das solas. As cardas são basicamente uns pregos curtos com uma cabeça larga e “semi-esférica” e serviam para para proteger os pontos que cozem as solas às viras do calçado em toda a sua periferia e depois eram também aplicadas duas carreiras curvas que protegiam o centro das solas. Basicamaente o princípio era: “Enquanto se gasta o metal não se gasta a sola”. Estas botas duravam décadas, literalmente falando, e enquanto as viras aguentassem novas cozeduras eram sempre aplicadas “meias-solas”. As meia-sola é a substituição da parte de cabedal da sola do calçado que assenta no chão e que por isso está gasta. Quando se aplicavam as meias-solas também era mudada a borracha do salto. Muitas vezes as botas depois das meias-solas ainda ficam melhores do que com a sola original. Pena que os sapateiros que faziam estes trabalhos estejam a desaparecer, pois estas botas com a idade ainda ficam mais bonitas e confortáveis. As cardas e protectores hoje estão em desuso porque as pessoas têm preconceito com o barulho, e além disso, é preciso saber andar com solas cardadas pois são muito escorregadias em pisos como a calçada. O segredo é assentar sempre primeiro o salto no chão que funciona como travão (porque tem borracha). Antigamente o sentimento era precisamente o oposto. As pessoas tinham orgulho no som que as partes metálicas da sola produziam no pavimento. Era sinónimo de terem uma vida que lhes permitia andarem calçados. As botas dos “cowboys” faziam barulho porque eles usavam esporas para picarem os cavalos e não protectores ou cardas nas solas. O calçado tradicional alentejano tinha vários modelos originais que devem ser mantidos como parte da nossa cultura. As botas que todas a gente conhece são o modelo masculino de trabalho. Mas as botas mais elegantes são o modelo feminino de trabalho. Depois também se fabricavam sapatos que eram geralmente usados pelas raparigas ou mulheres, da classe baixa, e que eram usados no dia-a-dia. Também levavam protectores e cardas. As mulheres e raparigas ricas usavam sapatos de sapataria fornecidos por armazéns de Lisboa ou do norte. Depois existiam as “botas finas”. Para os homens ricos lavradores da aristocracia, ou pobres com algumas posses. as “botas caneleiras” e as “botas mexicanas”. Estas botas podiam ser fabricadas em pele ao natural que eram protegidas com cebo de ovelha à semelhança do calçado de trabalho, ou em pele polida preta ou castanha para levarem graxa. Um par deste tipo calçado, fabricado artesanalmente com boas peles e por bons sapateiros podem durar mais de vinte anos, para uma utilização intensiva em ambiente urbano se levarmos em conta que podem ser aplicadas duas meias-solas no tempo de vida útil do calçado. Eu não sou sapateiro sou um alentejano muito interessado por tudo o que faz parte da sua cultura e aconselho-vos a procurarem as “Botas Alentejanas Por Medida” de um sapateiro artesão chamado Mário Grilo, da minha terra, Cuba (perto de Beja). Lá podem descobrir os modelos típicos originais alentejanos e variações e inovações que o artesão vai implementando. Aliás, se quiserem podem desenhar o vosso próprio modelo e, dentro dos condicionalismos técnicos de fabrico, ele será capaz de realizar os vossos desejos. São mais caras do que as botas alentejanas que encontramos em algumas sapatarias de cidade, muitas vezes com sola de pneu, mas a qualidade e o acabamento não têm comparação. Abraço.

  2. Namorei essas na feira de Vendas Novas e há uns anos comprei (nessa mesma feira) umas com atilhos de lado. São boas para enfrentar o frio e a chuva! :)

  3. quando fotografei o Linhal, reparei nas botas que os homens do rancho folclórico usavam, eram perfeitas.
    Perguntei onde as compravam e indicaram-me o sítio cá em Guimarães onde as fazem à mão.
    Já temos um par cá em casa, feitas mesmo aqui ao lado e que vêm com garantia vitalícia! As nossas são botas Minhotas!! :D

  4. Aqui para os meus lados são conhecidas por botas de pedreiro. E são baratíssimas, acho que não chegam a 20 euros! Bjs

  5. ah! adoro essas botas!
    Foi a primeira coisa que comprei durante a temporada em que vivi em Évora: umas botas de trabalho com sola em pneu.
    O problema são os calos dos primeiros tempos, enquanto elas não se moldam ao pé (principalmente depois de umas meiguinhas Camper…). Mas depois são super confortáveis.

  6. são lindas, além de serem um produto nacional.

    essas botas sãopara que preço??

    obrigada

    Catarina

  7. O ano passado, nas férias, comprei umas em Amarante por 15€.
    Tive muita sorte, estavam expostas na rua e eram o nº 36. Quando entrei e pedi as botas a Sra. disse-me serem para homem, que aquele nº pequeno foi feito por engano.
    Confesso que mesmo no Verão não resisto a usá-las.

  8. a serio?? 15€?

    uau…pensei que seriam muito mais caras.

    existe um senhor que faz botas alentejans em Cuba…alguém saberá por acaso o valor delas???

  9. Os “botins” da Rosa são maravilhosos, parecem ser de sola de couro, as tipicamente alentejanas. Já as que estão a falar, mais baratas a rondar os 20€, são as de sola de borracha.Igualmente características de algumas regiões, e usadas geralmente como botas de trabalho, não apresentam a mesma qualidade na pele nem nos acabamentos.
    A introdução de maquinaria agrícola nos anos 50, com pneus de borracha gerou o aproveitamento desta para a realização de solas, reaproveitando um desperdício e baixando o custo da matéria-prima.
    Durante mais de 10 anos usei botas dessas, compradas no mercado de Évora. Compradas no inicio do inverno serviam para “fazer” todo o inverno, untadas com sebo eram impermeáveis à chuva, depois durante verão faziam a temporada de escavações arqueológicas onde eram terrivelmente massacradas ficando com a pele gasta em algumas zonas (sempre encontrei as maneiras mais rocambolescas de escavar), e pronto no início do inverno lá se repetia o ciclo com a compra de novas botas. Guardo o ultimo par como recordação.
    Botins como os da Rosa, tenho-os feitos à medida, de salto baixo, com biqueira fina e protectores na frente e no calcanhar, já levaram meias-solas duas vezes, e uso-as nos dias da Feira de Castro, bem calçada e e preceito como se vestiam até meados do século passado quem ia à feira com o melhor fato e de sapatos nos pés (que antes andava-se descalço ou com sapatos/chinelos de ourelo) para ver e ser visto na Última Grande Feira do Sul (15, 16,17 de Outubro).

  10. Eu tenho uns botins desses e tive umas botas caneleiras feitas por medida por um sapateiro no Alentejo.
    Cuidado com a calçada…
    Nunca lhe ponha as protecções metálicas eu tive um voo e passei uma vergonha enorme!!!
    Volta meia volta lá^as calço e já têm uns bons 17 aninhos:O

  11. Querida Rosa, também já tive dessas, e como tenho duas costelas alentejanas aqui vai o meu conselho: muito sebo de cavalo para a pele impermeabilizar e ficarem macias. Vão durar uma vida. beijinhos, margarida.

  12. Essas botas são fantásticas! No final
    de Agosto passei por Mértola, onde vou
    todos os anos (é a “terra” do meu pai) e
    namorei esse estendal de botas!
    Tenho pena é que o Café Central esteja
    fechado!

  13. Gosto muito destas botinhas! Também tenho umas alentejanas já bem velhotas que precisavam de uma encebadela (como tão bem referiu a Margarida!) o pior é que não sei como isso se faz ou se se põe no sapateiro, conseguem esclarecer-me?!

  14. Viva. O cebo compra-se nas drogarias e aplica-se com um pano. É mesmo importante para ficarem molinhas e impermiabilizarem. As minhas ficaram super-macias por causa disso. Tb tive sorte em encontrar um 36 uma vez, nos tempos da Universidade (sou tb meia Alentejana). So deixei de as usar qd fui para Erasmus. Andava quilometros a pé todos os dias e tornavam-se demasaido pesadas. Foi a minha fase dos ténis. Estafei 2 pares em 6 meses.

  15. tenho de ir a Mertola esta visto…sapataria junto ao cafe Guadiana…
    eu quero umas de cano alto, iguais as que estão na fotografia…nomeadamente a bota que está no meio, nas caixas (quase, ao lado das botas compradas pela ervilha)…
    ninguem tem o contacto da sapataria???acho que eles devem esgotar em breve o que tem…se aprocura aki já é tanta…
    e nada como ajudarmos a nossa economia comprado o que é nacional…alguem para ir a Mertola???
    combinavamos um almoço e uma ida a sapataria…

  16. Nos fizemos 300 km para comprar botas assim em Loulé, para depois ver os mesmos na Mouraria, ainda por cima mais baratas! Mas sao lindos!

  17. Tem toda a razão a Margarida, no reparo que faz.
    São, de facto, diferentes em acabamento e qualidade.

  18. ok…estou tão obcecada por estas botas que estou a tentar ligar parao Café Guadina a pedir o telefone da sapataria,mas ninguem me atende…DESESPERO

  19. liguei para C.M.Mertola e deu o contacto:

    Sr Antonio Luis que é sapateiro e dono da sapataria (segundo indicação da senhora que me atendeu)- 966 172 288

    e existe outra sapataria que tb tem – 286 612 338

    agora se me derem uns minutos já digo preços…

  20. falei para a Sapataria Rolha e as botas que eu quero custam 70€.

    o senhor foi super simpatico e inclusive perguntei se podia encomendar por telefone e fazer o pagamento por transferencia bancaria, disse logo que sim.

    mas o melhor mesmo é ir lá…este fds não me parece, pois com esta chuva, devo ficar por casa, mas se no proximo o tempo estiver melhor, lá rumo eu a Mertola para a compra de umas botas catitas aqui para a je.

  21. Obrigada pela dica, Joana! Vou mesmo fazer! Os atacadores também já estão velhotes e apetece-me pôr uns novos e bonitos (assim castanhos ou vermelhos), vou ficar com umas botas novas!!!

  22. Aqui também se chamam “botas caneleiras”, as que não têm atacadores. As de atacadores creio que eram muito utilizadas por quem trabalhava no campo, nomeadamente na apanha da azeitona. Quis ter umas na minha adolscência, a verdade é que acabou por me passar, mas lembro-me de o meu pai ter umas feitas por encomenda na aldeia de Montoito. Obrigada, Rosa por nos lembrar todos os dias que o que é Português é bom!
    PS – Ainda hei-de ter um capote!

    • Também sonho com um capote! Mas tenho metro e meio, ainda não arrisquei…

  23. Acompanho o blog há algum tempo e quando li este post e estes comentários, não pude deixar de sorrir. Sou de Mértola, e conheço muito bem todos os sítios que foram falados aqui.

    Se alguém necessitar um contacto/informação, estarei disponível.

    Rosa, espero que tenha gostado.

    Catarina, espero que as tão desejadas botas já sejam suas.

    • Olá Ana Machado. Como conhece estes locais e uma vez que os comentários já têm alguns anos, pergunto: ainda se vendem aqui estas botas neste sapateiro, ou já fechou?
      Costumo parar sempre em Mértola a caminha de Vila Real de Sto António e gostava de ir lá.
      Obrigada, Cristina

  24. So pretty…Is there any chance of buying this kind of shoes on line? I live in Slovenia and have very small feet and much troubles getting the shoes I like.

  25. Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » feira de castro verde:

  26. Entre os alentejanos estas botas são conhecidas também como botas calçadêras (pelo menos pelos meus tios :))
    Bela aquisição!!

  27. Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » collégien:

  28. Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » de lã e de cá:

  29. Pingback: imagens de portugal | A Ervilha Cor de Rosa

  30. Adoro botas alentejanas, tenho umas que só a semana passada começou uma a travar o cabedal por cima, mas também posso dizer a idade foram feitas em Janeiro de 94 foram 19 anos a colar poupa solas que deram alguma despesa e de inicio alguns calos, mas depois de se fazerem ao pé dão muito conforto.

  31. Pingback: kilt | A Ervilha Cor de Rosa

  32. Pingback: these boots were made for walking | A Ervilha Cor de Rosa

  33. Olá gostaria saber mais ou menos o preço de umas botas caneleiras feitas por medida com chapa na sola aqui em Évora que eu saiba ainda não há quem faça. eu sou louca por este tipo de calçado e quero comprar umas…

    • Procure o blogue “Alentejanas Por Medida”, do artesão Mário Grilo, em Cuba (perto de Beja), a minha terra. Nas publicações mais antigas (de 2010 para cá) encontra os modelos mais típicos e mais interessantes. As botas típicas de trabalho, modelo feminino, em pele natural de vitela para levarem cebo são muito elegantes. Eu infelizmente não as posso usar porque sou homem. Hoje usa-se cebo de cavalo porque não cheira tão mal como o típico de ovelha que se usava antigamente. Mas pode mandá-las fabricar em pele polida na cor que quiser para levarem graxa normal. Também pode pedir um modelo original, só seu, pois ele é muito bom e dentro daquilo que tecnicamente é possível consegue ter “o seu modelo”. Ele fabrica todos os modelos típicos de calçado alentejano. Desde as botas de trabalho, modelo masculino, as mais conhecidas, passando pelas de trabalho femininas altas com correias e pelos “sapatos cardados”, hoje sem cardas, que eram usados pelas mulheres e raparigas no dia-a-dia, quando não iam para o campo. Ainda as botas finas de homem usadas pelos lavradores e homens em geral (a bota domingueira) que eram designadas por “botas caneleiras” e “botas mexicanas”. É claro que como ele é muito inovador está sempre a fazer experiências com novos modelos. As botas caneleiras com correias (atacadores de cabedal) de cano alto são mais caras porque têm muita mão-de-obra com a introdução muitas ilhoses no cano, mas eu penso que a partir de 150€ pode ter umas. É claro que estamos a falar de calçado de alta qualidade, que pode durar décadas, se levarmos em conta que estas podem levar meias-solas por duas vezes. Contará com elas certamente por mais de vinte anos. Mário Grilo – Rua do Penedo n.º 1 – Cuba (Telm.: 964 080 666). Em Beja, lembro-me que nos anos 90 quando fiz o liceu, havia uma casa de sapateiros artesanais experientes bastante conceituada a que chamavam a “Cooperativa dos Sapateiros”. Só fabricavam os modelos típicos. Não sei se ainda existe mas toda a gente em Beja a conhecia e muitas pessoas no Baixo Alentejo lá mandavam fazer botas por medida. Duvido que tenham página ou blogue na internet, mas recordo que a oficina se localizava muito próximo das “Portas de Mértola” (que toda a gente lá sabe onde são) numa rua estreita que penso que penso ser a Rua do Sembrano. Atentamente.
      PS: Atenção eu não ganho nada com a publicidade. Sou apenas orgulhoso daquilo que tenho de bom na minha terra. Reconheço que talvez encontre mais barato. Estou apenas a dar-lhe a conhecer bons executantes de produtos numa área do seu interesse.

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