kourotrophia

kourotrophos

Costumava achar que o maior desafio em termos de maternidade era um par de gémeos, mas já não tenho tanta certeza. Dou por mim a pensar que, depois da maratona de uma gravidez e parto de dois bebés, e da prova física extrema que deve ser amamentá-los ao mesmo tempo, cuidar de duas crianças pequenas de idades diferentes possa ser ainda mais desgastante (mas não tenho termo de comparação, claro). Já escrevi e continuo a achar que o que cansa é sobretudo o jet-lag. Os quatro anos são uma idade extraordinária e ter um bebé é estar apaixonado, mas a mudança constante de registo (diálogos de monossílabos com uma e explicações complexas para a outra, angústias que acabam com um colo de um lado e assuntos que precisam de atenção e longas conversas do outro) estonteia-me até, em alguns fins-de-tarde, ficar com a cabeça como a da mãe do lindíssimo postal que recebi ontem pelo correio. Vale-me o milagre de na manhã seguinte a encontrar sempre outra vez sobe os ombros.

o que a preocupa

Nós parámos. Originally uploaded by *L

As duas à mesa, em silêncio, enquanto a A. dorme a sesta.

E., a comer uma bolacha:

Na Ucrânia já é de noite?

Respondo. Silêncio.

Mãe, prometes que não deixas a cadeirinha da A. ao pé das tomadas, para ela não apanhar um choque?

Prometo. Novo silêncio.

Como é que os chineses conseguem comer as bolachas com pauzinhos?

Nos primeiros três anos uma pessoa acha que sabe o que é que eles estão a pensar, e muitas vezes sabe mesmo. Depois disso ficam rápidos demais.

disclaimer

bonne maman

Porque nas últimas semanas me chegaram mais emails do que o costume de pessoas que generosamente acham coisas simpáticas mas irrealistas de mim: aqui em casa também se diz despacha-te e então, é para hoje? por muito que eu gostasse que não. Também se diz vai já e espera só um bocadinho a que a menina já aprendeu a responder que esse bocadinho é sempre um bocadão. Também faltam ideias para o jantar e sobra roupa no cesto. Também se pede ajuda aos avós quando apetece dizer mais despáchates e vaijás do que o recomendável. Também há nervos, também há vontade de cinco minutos de sossego absoluto, também há muita força. E muitas coisas boas.

ela

ela

Se ela mandasse eu andava de saltos altos todos os dias e a lasanha de espinafres era abolida. Ela consulta os índices dos livros e escreve sozinha coisas importantes em maiúsculas como tesouro joias diamanmtes elvira. Se eu mandasse ela crescia mais devagarinho. Ou não.

4

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Há exactamente quatro anos estava a dar de mamar numa maca estacionada num corredor, a poucos metros da box onde a E. nasceu, na MAC. Os regulamentos da altura mandavam que os recém-nascidos de parto normal passassem a primeira hora de vida no berçário (pelo menos nisso a instituição melhorou entretanto) mas o meu ataque quase histérico de choro quando ma levaram comoveu (não a primeira dúzia de médicos e enfermeiros a quem implorei mas) o meu querido ecografista que, por feliz coincidência, estava de serviço nessa manhã.

O quarto ano da E. foi cheio de emoções e novidades. Foi o ano em que ela deixou de se poder gabar (como sei que fez uma vez na escola) de que a minha mãe nunca grita, em que lutámos pela sesta (eu gravidíssima e a querer dormir, ela a recusá-la terminantemente), passou para a sala dos grandes e a escola ganhou uma importância que não tinha tido antes (grandes amigos, brincadeiras, parvoíce, decibéis). Foi o ano do cor de rosa, dos vestidos e da piroseira, da dedução, imaginação e cantorias permanentes, o ano em que largou a chucha e aprendeu a ler. Foi, ainda por cima, o ano em que deixou de ser filha única.

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à princesa

carnaval

A educadora da E. acha que eu sou fundamentalista, mas não é verdade. Eu sou é activista anti gordura hidrogenada, aditivos na comida e piroseira indiscriminada. E (também) não sou grande adepta do Carnaval escolar. No ano passado foi assim (o que ela cresceu!) e este ano também consegui não complicar mais do que o necessário, ou seja concentrar-me no que ela quer e a faz feliz – verniz para as unhas – e não no que é que as outras crianças vão vestir. Meio metro de cetim digno das marchas de Lisboa transformado ontem a desoras num manto, três pedras preciosas cosidas ao vestido de veludo, uma tiara et voilà. Era mesmo isto que eu queria, mãe. Era mesmo isso que eu queria ouvir, filha. Mas eu gosto é das máscaras que ela inventa.

mais um post sobre a majora

majora

…a propósito de dois jogos que descobri finalmente em casa dos meus pais. Os outros posts sobre o assunto são este, este, este e mais este.

Os jogos são o Vamos às compras (actualmente o preferido da Elvira), sem data, e o Laços Infantis, já do princípio dos anos 80, que só precisa de uns cordões novos para estar em forma. Nem o design nem as ilustrações de nenhum deles são exactamente espantosos, mas estão a anos-luz de qualquer um dos produtos actuais (a nacional Carla Pott trabalha para a Imaginarium mas a Majora só tem ilustradores mediocres…) Não vale a pena repetir o que já escrevi sobre andarmos todos a comprar francês e alemão quando podíamos comprar (pelo menos também) português. Desconfio que só a Catarina Portas, que já conseguiu convencer várias empresas a fazer reedições de produtos descontinuados, é que me poderá valer…

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